terça-feira, 23 de maio de 2017

Bíblia, Estupro e Pena de Morte


Há uma semana que os noticiários estampam o caso bárbaro de uma jovem, de 16 anos, que teria sido estuprada por mais de 30 elementos, que sordidamente filmaram e publicaram as imagens. Algumas pessoas descobriram – posteriormente – que a jovem em questão exibia nas redes sociais um comportamento vulgar e postagens onde fazia apologia à “vida louca”, com direito até a ser fotografada com armas. O primeiro delegado que cuidou do caso, ao interrogar a garota quis saber se a mesma trabalhava para o tráfico e chegou a negar que ela tenha sido estuprada. O mesmo foi afastado e a nova pessoa que está à frente do caso diz não haver nenhuma dúvida de que o estupro, de fato, ocorreu. Alguns destes homens tiveram sua prisão decretada, um deles seria “namorado” da jovem. 

Uma coisa precisa ser dita: nada no comportamento da jovem justifica o estupro. Absolutamente nada. Também não nos compete emitir opiniões precipitadas, como fazem alguns, alegando que o ato foi consentido. Isso quem vai apurar é a polícia, deixe que ela faça o seu trabalho de investigação. Como cristãos, devemos sentir tristeza por saber que o sexo é visto e praticado de uma maneira bestial por boa parte da sociedade. O movimento feminista pegou carona no caso para fazer panfletagem e lançou uma campanha nas redes sociais com os seguintes dizeres: “Eu luto contra a cultura do estupro”. O termo “cultura de estupro” é totalmente infeliz e não ajuda em nada as vítimas que já foram sexualmente violentadas. Em artigo publicado na revista Time (em 2014), sobre estupros nas universidades norte-americanas, a RAINN (Rape, Abuse & Incest National Network), principal organização que combate e luta na prevenção de estupros nos EUA, afirma que:
Nos anos recentes, tem havido uma tendência despropositada de culpar a "Cultura do Estupro" pelos extensos problemas de violência sexual nas universidades. Enquanto é útil apontar as barreiras sistêmicas para lidar com o problema, é importante não perder de vista um simples fato: o estupro não é causado por fatores culturais, mas pelas decisões conscientes de um pequeno percentual da comunidade de cometer um crime violento.[1]

Não existe cultura de estupro, não no sentido de que homens são estimulados a realizar ato tão espúrio. Até mesmo entre os criminosos o estupro é visto como algo condenável, e os estupradores ou ficam em celas separadas dos demais presos ou pagarão com a vida, sendo violentados e executados pelos próprios presidiários. O que existe é uma cultura que vulgariza o sexo e faz com que o corpo vire um objeto consumível e descartável. É inegável que a mulher sofre mais com esta “objetização”, mas não é a única. Dia desses, um “carinha fortão" tentou se promover postando uma foto usando um vestido curto, desafiando para ver se algum homem teria coragem de lhe estuprar por conta da roupa. Ele quis "surfar" na onda da campanha feminista que se alastrou nas redes sociais, mas daí várias MULHERES comentaram que ESTUPRARIAM ele. Ou seja: não é problema de machismo, mas sim uma questão que podemos chamar, endossando o termo da ortodoxia reformada, “depravação total”. Também podemos culpabilizar o feminismo por ver esse tipo de comportamento partindo das mulheres pós-modernas, pois, em seu discurso, o feminismo promoveu uma libertação sexual que serviu apenas para intensificar a objetização feminina e promover uma “cultura do sexo animalesco e irresponsável”.


Seguindo uma cosmovisão que esteja de acordo com a Escritura, umas das formas de se combater o estupro seria através da aplicação da pena capital, i.é., pena de morte.

Dizer isto é algo que choca muitos que professam ser cristãos, que acham incompatível o ensino do perdão e do amor com a execução penal. O choque é resultado de uma influência humanista (mesmo que inconsciente), além de ser uma confusão sobre o que pertence a esfera privada e o que seria cabível ao Estado. Segundo o apóstolo Paulo afirma, em Romanos 13, os governos são servos de Deus e portadores da espada para punir os malfeitores, não os deixando impunes. Obviamente que a espada aqui representa o poder coercitivo dos magistrados, que tem uma autoridade derivada do próprio Criador e Senhor para punir os criminosos. E nesta punição legal, a morte é o preço a ser pago em alguns casos.

Mais isso não fere o sexto mandamento que diz: “não matarás”? Muito pelo contrário, ele é um mecanismo para a preservação da vida, como diz um trecho do Catecismo de Heidelberg: “por isso as autoridades dispõem das armas para impedir homicídios” [2] .  Como dito anteriormente, é preciso distinguir o assassinato pessoal, por motivações escusas, o que proíbe o sexto mandamento, com uma atribuição governamental. O Catecismo Maior de Westminster (CMW) esclarece:
136. Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?
Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém. (ênfase acrescentada) 
Gn 9:6; Ex 1:14;20:9,10;21:18-36;22:2; Nm 35:16,31,33; Dt 20.1-20; Is 3:15; Pv 10:12;12:18;14:30;15:1;28:17; Mt 5:22;6:31,34;25:42,43; Lc 21:34; At 16:28; Rm 12:19; Gl 5:;15; Ef 4:31; Hb 11.32-34; I Pe 4:3,4; I Jo 3:15; Tg 2:5,16;4:1.

A única justificativa para o assassinato pessoal - conforme o CMW - seria em caso de legítima defesa, onde numa situação de extremo perigo um cristão mataria para se defender ou defender uma pessoa próxima. Nos casos de justiça pública e guerra legítima, as ações pessoais estão imbuídas da representação governamental, ou seja, não se referem a motivação pessoal.


Outra coisa importante que precisa ser dita a respeito da pena capital é que ela antecede a lei mosaica. Quando Deus ordenou que Noé recomeçasse a exercer o mandato cultural, que seria povoar a terra e exercer sobre ela domínio, deu-lhe a incumbência de executar homicidas (Gn 9.6). Deus fez isso por considerar a vida sagrada e não deixar impune aquele que a violar. É uma forma de inibição para que não se haja o intento de prejudicar o próximo, o que corrobora com a lei do amor, pois quem ama não intenta o mal contra o seu irmão. Os textos de Gn 9.6 e Rm 13.1-5 nos dão base para dizer que a pena capital é defensável em nossos dias[3] e que ela reflete o horror que a divindade possui diante do assassinato e da violência, coisas que em nossa atual conjuntura ficam impunes em muitos casos, pois, nossa legislação é frouxa. Até mesmo um serial killer pode voltar ao convívio social após passar algumas décadas encarcerado[4]. Sendo assim, há uma incoerência entre as nossas práticas jurídicas e a ordem divina.

Diante do que já foi exposto, segue mais uma dúvida: Mas a pena capital não seria restrita ao crime de homicídio? Leiamos Deuteronômio 22. 25-26: Se, contudo, um homem encontrar no campo uma jovem prometida em casamento e a forçar, somente o homem morrerá. Não façam nada, pois ela não cometeu pecado algum que mereça a morte. Este caso é semelhante ao daquele que ataca e mata o seu próximo, pois o homem encontrou a moça virgem no campo, e, ainda que a jovem prometida em casamento gritasse, ninguém poderia socorrê-la (ênfase acrescentada).

Vemos que para Deus a violência sexual é equivalente ao assassinato. O Catecismo de Heidelberg ao interpretar o sexto mandamento (na questão 105) diz que tal mandamento exige que “Eu não devo desonrar, odiar, ofender ou matar meu próximo”.  E na resposta a pergunta 136 do CMW, estão entre as proibições contidas no sexto mandamento “a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém”. Quando pensamos no estupro ou temos a oportunidade de ouvir um depoimento de quem o sofreu, podemos identificar as palavras “desonra, ferimento e destruição da vida”. Mulheres que passam por tal trauma, muitas vezes, não conseguem mais ter uma vida normal, tendo sonhos e projeções destruídas por conta da violência que sofreram.

À guisa de conclusão, punir estupradores com a pena capital está de acordo com a cosmovisão cristã pautada nos preceitos escriturísticos. Acabará com os estupros? Não. Mas não se trata de acabar, a questão é punir. Nenhuma lei é capaz de acabar com a infração, todavia, esse não é motivo suficiente para que as leis deixem de penitenciar – com justiça – quem as infringe. Além do mais, toda lei possui um caráter didático, que visa refrear aquele que maquina executar o que é expressamente proibido por temer a represália. Assim sendo, lutar para que haja maior severidade na punição dos estupradores é uma maneira legítima e sensata de combater essa prática horrenda. Falar em “cultura de estupro” pode até dar visibilidade a uma pauta ideológica, mas é só. O termo cunhado em nada contribui - eficazmente - para minorar o crime, exercer a justiça e apoiar as vitimas. 

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Fonte: Electus
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/06/biblia-estupro-e-pena-de-morte.html

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cosmovisão Cristã


Como você se posiciona frente aos vários acontecimentos do mundo? Qual a sua opinião a respeito do aborto e da sexualidade? Como você vê o casamento? Qual deve ser o destino da educação e da política? Homossexualismo? Sobre o trabalho? Educação infantil?

A resposta para todas estas perguntas dependerá em qual cosmovisão você crê. E para todas estas perguntas o cristianismo oferece respostas adequadas. Esta é a Cosmovisão Cristã! O Cristianismo aborda vários temas sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, ética, família e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade. Tudo isso faz parte de uma Cosmovisão Cristã.

Mas, o que é “cosmovisão”?

Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba.

Uma cosmovisão define o que a pessoa é, o que ela irá defender e até como irá viver. É a maneira pela qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. É uma visão que direcionará a maneira como você verá e interpretará o mundo. Ela é como um óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualizá-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.

A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo.

Porém, hoje, vamos focar em uma Cosmovisão Cristã. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “… no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3).

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.

Implantar uma cosmovisão cristã é uma necessidade, vide o fracasso das cosmovisões seculares. Ao observarmos a sociedade, fica evidente que ela vai muito mal. O relativismo e o politicamente correto têm tomado conta da televisão, das notícias, das pessoas. A sociedade se tornou um antro de pornografia, violência, de gratificação imediata dos prazeres. O culto ao homem tomou lugar do culto a Deus. Os preceitos morais estão a cada dia sendo “desconstruídos” e erradicados. A família se tornou descartável, perdeu sua importância, tornou-se apenas um mero arranjo entre pessoas.

Por tudo isso, há uma necessidade urgente de estabelecer uma Cosmovisão Cristã, há a necessidade de que ela seja ensinada aos cristãos e à sociedade. Por isso, a importância de escolas cristãs, de faculdades e centros acadêmicos que tenham a palavra como balizador de seus ensinos. A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, apenas para dentro das igrejas, e volta a assumir o seu posto original de guia moral e cultural para o mundo.

O Cristianismo vai além da fé que temos ou do culto que prestamos na igreja. Ele é uma estrutura para compreender e modificar a sociedade, a realidade. Vai muito além das questões religiosas, ele define a moral de um povo, de uma sociedade. Através dele podemos moldar a cultura de uma nação, podemos mudar o rumo de uma sociedade. 

Não nos deixemos moldar pelas visões vigentes neste mundo, não andemos de braços dados com ideologias pagãs e satânicas, olhemos para a Palavra, e dela devemos extrair uma cosmovisão para nossas vidas e para toda uma sociedade.

Soli Deo Glória!
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Autor: Hugo Coutinho
Fonte: Reformai
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/12/cosmovisao-crista.html

ATÉ QUE PONTO DEVO CUMPRIR UM VOTO FEITO A DEUS? - ALEXANDRE LUSTOSA


domingo, 21 de maio de 2017

Eleitos enganados?


Uma investigação exegética de Mateus 24.24, em resposta a interpretação arminiana.

Introdução

Este breve artigo é uma resposta ao artigo “Mateus 24.24: É possível enganar os escolhidos?” (publicado em cacp.org.br). Irei não apenas mostrar os erros da interpretação desse artigo, mas pretendo construir exegeticamente uma compreensão correta do significado do texto.

1. O erro interpretativo


A interpretação arminiana usa textos como At 20.16 e Rm 12.18 para fundamentar a compreensão de que os eleitos podem ser “enganados” se desviando da verdade para seguir os falsos mestres. Entretanto, não vejo como tal interpretação não comete a falácia exegética chamada “paralelismo verbal”. Paralelismo verbal é a enumeração de paralelismos verbais de obras literárias como se esses meros fenômenos demonstrassem elos conceituais ou mesmo dependência.[1] Ou seja, tanto o texto de Atos como o texto de Romanos estão tratando de coisas diferentes em contextos diferentes. Além dessa, o artigo comete outras falácias como: A falácia da sinonímia, a falácia do uso seletivo e preconceituoso das evidências, a falácia das disjunções e restrições semânticas injustificadas, etc.

Portanto, toda a interpretação não somente falha em sua análise exegética (não há discussão quanto a gramática, contexto, etc) como foi completamente erguido sobre o fundamento de areia das falácias.

2. Contexto da passagem

Sem sombra de dúvidas, Mateus 24 é uma crux interpretum. No contexto mais amplo, Jesus está na Judéia (19.1-25.46). Em 24.1-24.46 temos o sermão da oliveira, o último grande discurso de Jesus nesse evangelho, mas como nosso interesse se limita ao v.24, não irei entrar em maiores detalhes contextuais.

Principalmente com a destruição do templo judaico em 70 d.C., iriam surgir vários falsos mestres, dizendo que são messias, e é nesse contexto que temos a expressão “...para enganar, se possível, os próprios eleitos”.

3. Análise exegética

O “se possível” não questiona a segurança do eleito, mais do que questiona a inevitabilidade do cálice de Jesus (26.39).[2] O verbo aoristo ativo “enganar” (πλανῆσαι) é um infinitivo propositivo (ou seja, para enganar, expressando o propósito), o “se possível” refere-se a intenção dos impostores, como Carson notou: “eles pretendem, se possível, enganar até mesmo os eleitos – sem nenhum comentário sobre o quanto, no final, esses ataques serão bem sucedidos.[3] 

O termo eleito é repetido no v. 22 e depois no v. 33. Esses são aqueles a quem Deus elegeu soberanamente, os quais, entretanto, serão finalmente identificados somente na revelação escatológica. No entanto, é evidente que há aqueles que são patentemente relacionados com os propósitos de Deus nesta terra e aqueles que não são. 

Certamente existe a inter-relação entre a soberania eletiva de Deus e a responsabilidade humana. Na perspectiva do evangelho, alguém se protege dos erros (pelo menos em parte) ao tomar as precauções apropriadas, contra o erro, e isso não contraria o imutável fiat Divino. A tentação sempre é uma realidade e precisa ser fortemente resistida.

Se tomarmos a linguagem de “eleito” no seu sentido mais forte, então nenhum desvio para a perdição ocorrerá. Não por causa de algo invencível e intrínseco ao eleito, mas por causa da “esfera conceitual” (do termo eleito), a questão nem deve ser levantada.[4] 

O próximo verso sustenta nossa interpretação. O verso 25 contém no original, três palavras gregas, onde Jesus acentua sua predição. Os discípulos não terão desculpas quando a feroz tribulação chegar, pois foram avisados. Por causa desse aviso eles não serão perturbados, antes sua fé em Jesus será confirmada.[5] Jesus estava dizendo que, se fosse possível tais falsos mestres enganarem os eleitos, eles o fariam. No entanto, ao saberem coisas que iriam passar, isso deveria fortalecê-los, e quando a tribulação chegasse, eles iriam lembrar-se da profecia, e isso os ajudaria a não ficarem impressionados.[6]

4. O uso do Antigo Testamento

Os ecos veterotestamentários são evidências cumulativas para nossa interpretação. Podemos perceber ecos de Deuteronômio 13.1-3:1
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.

Os falsos profetas dessa perícope não eram pra desviar os eleitos, mas eram uma “prova” para ver quem realmente amava a Deus. O texto também pode ecoar Zacarias 9.14, com a figura do Senhor e suas flechas que reluzem como relâmpagos.[7]  


Conclusão

Concluímos que os eleitos não podem ser enganados, no sentido de seguirem os falsos mestres para a perdição. Nossa interpretação discorda da interpretação arminiana, por não considerar não somente o contexto imediato, mas também o restante da teologia do Novo Testamento, que claramente ensina que Deus guarda e preserva seus amados filhos.

Excurso: Esboço clausal do texto grego

  • Explanação - ἐγερθήσονται γὰρ ψευδόχριστοι καὶ ψευδοπροφῆται
  • Verbo - καὶ δώσουσι σημεῖα μεγάλα καὶ τέρατα
  • Infinitivo - ὥστε πλανῆσαι
  • Questão indireta - εἰ δυνατόν
  • Objeto direto / Cláusula resultante - καὶ τοὺς ἐκλεκτούς


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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Bereianos
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/08/eleitos-enganados.html

PODEMOS ESCOLHER PERDER A VIDA PARA GANHAR A CRISTO? - AUGUSTUS NICODEMUS


sábado, 20 de maio de 2017

SE EU SOU A IGREJA, POR QUE TENHO QUE IR A TEMPLOS? - AUGUSTUS NICODEMUS


Posso fazer uma pergunta idiota?


Você alguma vez já falou algo idiota – algo realmente muito idiota? Você já disse algo tão idiota que você se encolhe só de lembrar? Todos nós fazemos isso vez ou outra, não é mesmo? Poucas coisas são mais dolorosas do que perceber que fomos ignorantes ou arrogantes por meio de afirmações estúpidas ou por perguntas idiotas. Acho que a única coisa mais dolorosa é quando a nossa idiotice é respondida com raiva, ultraje ou zombaria. Essas coisas se somam com a dor e a vergonha do que fizemos.

A humilhação por meio das mídias sociais é a nova força de justiça, um meio de envergonhar alguém que o ofendeu até ele ficar quieto ou se arrepender. Jon Ronson apropriadamente comparou isso aos pelourinhos medievais ou às estacas nas praças coloniais. Ações ou palavras maliciosas são respondidas com um dilúvio de tuítes furiosos, mensagens ofensivas no Facebook, postagens nervosas nos blogs e memes sarcásticos. Algumas ações e comentários são tão perigosos e escandalosos que merecem repreensões imediatas que os desqualifiquem. O problema é que a resposta que damos contra a pior maldade também pode ser a resposta que damos contra alguém que fala ou faz algo meramente idiota. Nós acabamos por dar a mesma resposta como punição a duas coisas muito diferentes.

Jesus sabia algo sobre estupidez, não é verdade? Durante toda sua vida ele teve de lidar com intermináveis afirmações e perguntas estúpidas. Pense em todas as besteiras que as pessoas falaram para ele: o infame jovem rico, que resumiu propriamente toda a lei e ousou falar “Mestre, eu tenho guardado todos esses mandamentos desde a minha juventude”. Ele basicamente disse: “eu nunca pequei contra ti nem contra o Pai ou contra alguém que tu criaste”. Ignorante. “E Jesus, fintando-o, o amou…”. Jesus respondeu com amor e compaixão (Marcos 10.21). A mãe de Tiago e João se aproximou de Jesus em favor de seus filhos e pediu que eles tivessem um lugar proeminente no reino. Tola. Mas Jesus, gentilmente, respondeu, perguntando: “Não sabeis o que pedis. Podes vós beber o cálice que eu estou para beber?” (Mateus 20.22). Marta resmungou uma acusação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?” Duplamente besta. “Marta, Marta”, suavemente ele respondeu (Lucas 10.40-41).

Jesus respondeu dessa maneira porque essas pessoas eram sinceras, mesmo sendo sinceramente ignorantes. Elas eram tolas, desinformadas, não sabiam de coisas que deveriam saber. Mas não estavam sendo malévolas. Ele tinha espaço para reprovações, claro, mas as suas reprovações estavam reservadas para religiosos hipócritas, para pessoas que ele era singularmente capaz de identificar e confrontar como sendo inimigos de sua obra. Mas, com os outros, ele era gentil e cuidadoso. Ele permitia que dissessem tolices. Para amigos e estrangeiros, Jesus tratou a idiotice com bondade.

Veja, eu acho que Jesus sabia algo: o caminho para a sabedoria está cheio de evidências de nossa inata insensatez. Antes de aprendermos a dizer coisas sábias, falamos coisas tolas. Antes de aprendermos o que é sábio e verdadeiro, inevitavelmente esbarramos no que é estúpido e falso. Nós temos pensamentos idiotas. Fazemos perguntas bobas. Afirmamos asneiras. É isso que fazemos quando estamos aprendendo.

As mídias sociais são o meio pelo qual nos comunicamos hoje. Também é por onde aprendemos. É o modo que encontramos novas ideias, a forma como as discutimos, a maneira como afirmamos nossas convicções. O que lemos nos jornais ou vemos na televisão nós levamos para o Facebook, blogs e Twitter. Lá, nós as ponderamos, avaliamos e decidimos se acreditamos ou não nelas. Mas imagino o tanto de coisas que não falamos e não perguntamos por medo da resposta. O quanto poderíamos saber e o quanto poderíamos discutir se o medo de sermos insultados não nos apartasse de explorar novas ideias ou de fazer novas perguntas? Sobre o que poderíamos falar, o que poderíamos aprender se tivéssemos a garantia da graça de poder fazer perguntas idiotas?

Nós devemos aprender com Jesus o valor de se estender graça às pessoa que falam coisas que soam ofensivas aos nossos ouvidos. Devemos ser pacientes, bondosos e perdoadores. Devemos ser realistas. Antes de esperarmos que as pessoas falem coisas sábias, primeiro devemos deixá-las falar coisas que são tolas.

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Autor: Tim Challies
Fonte: Challies 
http://bereianos.blogspot.com.br/2017/04/posso-fazer-uma-pergunta-idiota.html

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Bíblia Aberta: Herança da Reforma


Quando penso sobre a história do cristianismo, uma palavra sempre vem à mente: a palavra Zelo. O zelo pela Palavra de Deus que os cristãos tiveram para conservá-la cara e pura para que hoje pudéssemos conhecer o Caminho, a Verdade e a Vida Eterna. Mas percebe-se que o zelo varia no decorrer das épocas.

As Escrituras Sagradas são a pura e autêntica revelação da Palavra de Deus aos homens. Aos cristãos cabe o zelo de defendê-la, examiná-la, nela perseverar para que nos seja útil e nela nos seja revelado o caminho da Salvação.

O Zelo estava presente entre os apóstolos e a igreja apostólica quando perseveravam na doutrina. Mas os anos foram passando e o zelo dos cristãos diminuiu. Os homens, assim como Adão já fizera, ousaram ser iguais a Deus. Com as Escrituras fechadas passaram a promulgar "revelações", que se tornavam doutrinas. O zelo pela Palavra esvaziou e a ousadia em "revelar" chegou ao ápice quando as tornaram doutrina com a mesma autoridade da Bíblia, e, por vezes, até superior. Assim, aos poucos, a Bíblia fechada deu espaço às "revelações de doutrinas" promulgadas com fins humanos, pecaminosos e interesseiros atendendo aos anseios de poder e à astúcia política, chegando-se ao extremo de vender perdão dos pecados e o próprio céu como hoje se vende ingressos de cinema ou teatro.

Entretanto, a Palavra de Deus continuava viva e eficaz como espada de dois gumes. Ela não transformava corações e vidas porque estava fechada e inacessível às pessoas. Foi por causa dos interesses heréticos da cúpula da igreja que a Bíblia foi isolada do povo para que ninguém se "tornasse sábio para a Salvação" (1 Timóteo 3.15).

Mas a Igreja do Senhor Jesus tinha a promessa: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16.18). Deus sempre manteve homens fiéis às Sagradas Letras, e, ainda, em tempo oportuno, usou de forma especial seus homens de fé para colocar a Bíblia de volta ao Púlpito, tornando-a o centro da igreja cristã. Para tanto usou homens de diferentes épocas, culminando no Dr. Martinho Lutero, quando desencadeou-se o movimento que conhecemos como Reforma Protestante (31/10/1517).

Foi em Lutero que a Bíblia passou a ser um livro aberto para o povo, quando fez a tradução para a sua língua nacional (Novo Testamento, em 1521, e a Bíblia completa, em 1534). As Escrituras foram colocadas à venda através da recém descoberta imprensa, por um custo 280 vezes menor do que as Bíblias latinas manuscritas. Para Felipe Melachthon, "a tradução da Bíblia foi uma das maiores maravilhas que Deus realizou por intermédio de Lutero, antes do fim do mundo".

O crescimento e a força de retorno às Escrituras não foi mérito isolado da retórica, perspicácia e argumentação dos reformadores (Lutero, Melanchthon, Calvino, Zwinglio e outros) que deram o impulso da recristianização do povo. Foi a Bíblia aberta e compreensível que tornou o povo "sábio para a Salvação". É claro que existiu ambiente político, social e religioso favoráveis, mas a Bíblia aberta nas mãos do povo é que fez a diferença, pois a Bíblia é Deus falando aos corações das pessoas.

O que me preocupa é que hoje o filme começa a se repetir. Estão se proliferando instituições religiosas que, em nome da espiritualidade dos seus líderes, fecham as Escrituras para receberem revelações através da oração, da meditação ou diretamente do Espírito Santo. Em geral faltam critérios e não há quem "examine as Escrituras" para comprovar a veracidade. A Igreja Medieval também não teve a intenção de se afastar da verdade, mas quando a Bíblia foi fechada para serem ouvidas "palavras santas" ditas por "homens de fé", a igreja entrou em decadência. Hoje corremos este risco, pois, além de certas revelações tornarem-se ensino de igrejas, já surgem instituições que detêm ao seu líder o privilégio do contato com Deus e a revelação a ser seguida. Isto, sem contar que muitas doutrinas são ensinadas sem qualquer fundamento bíblico.

Amados pastores e leigos em geral, a nossa preocupação não questiona o poder do Espírito Santo e suas manifestações, pois isto é bíblico, mas chamamos a atenção ao que se faz e atribui ao Espírito Santo para alimentar poder e pensamento de homens. O Espírito, que continua o mesmo, não contradiz a revelação dada à cristandade – A Bíblia. Surgem doutrinas e preceitos sem fundamentação bíblica, ditados em nome de revelações sobrenaturais. Penso que se evidencia a advertência do apóstolo Paulo: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho" (Atos 20.29). A Bíblia fechada e homens loquazes são instrumentos importantes para Satanás perturbar a igreja cristã.

Zelemos pela revelação Bíblica, devolvida ao povo com a Reforma; ela é a Herança dos Céus para a Salvação da Humanidade (Jo 20.30,31). Nesta obra não estamos sozinhos nem isolados, mas esta é uma obra própria de Deus para que as portas do inferno jamais prevaleçam contra a Igreja. O discernimento é um Dom de Deus que ele nos dará para o bem da igreja.

Para nós dirige-se a Palavra: "Vigiai e Orai" (Mateus 26.41) e a promessa: "Estarei convosco" (Mateus 28.20).

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Autor: Rev. Airton S. Schroeder
Fonte: Presbiterianos Calvinistas
http://bereianos.blogspot.com.br/2017/04/a-biblia-aberta-heranca-da-reforma.html

FÉ - AUGUSTUS NICODEMUS


domingo, 23 de abril de 2017

Reformado ou deformado? Algumas reflexões sobre teoria e prática


Temos acompanhado atualmente um grande número de evangélicos, especialmente os jovens, aderindo às doutrinas reformadas como modelo doutrinário. Isto nos alegra, pois é sempre bom ver crentes querendo conhecer mais a Deus através do arcabouço de teses reformadas. Porém, o que de um lado nos traz alegria, por outro lado gera uma preocupação enorme ao constatarmos que muitas dessas adesões são feitas apenas por modismo (pra onde a galera tá indo, eu também vou). Poderiam perguntar: "Mas não é bom, pois no meio disso tudo tem gente comprometida?". Seria, se esta adesão fosse simplesmente fogo de palha, mas não é. E pior, é uma adesão sem compromisso com os princípios bíblico-reformados. E isto causa uma anomalia, uma deformação, um reformado longe do Sola Scriptura, um cristianismo sem Cristo, um ateísmo prático. Verdadeiras deformações. Estas manifestações não só passam longe dos princípios da reforma como fazem muitos se afastarem deles. Há também aqueles que já vivem em igrejas reformadas e até professaram a fé, acham bonito o modelo reformado, mas na prática, vivem do jeito que querem e não desejam prestar contas a ninguém.

Onde quero chegar? No simples fato de que é moda se dizer reformado, mas viver de acordo com isto são outros quinhentos. Ou seja, por mais que se diga cristão reformado e até professe publicamente tal fé, é no viver que isto vai se manifestar. O grande estopim disso tudo é que, quando se trata de viver as Escrituras, começa-se a relativizar as Escrituras. "Eu sei que a Bíblia diz assim, mas não tem nada demais." E, assim, de nada demais em nada demais, vai se tentando fazer largo um caminho que é estreito, e forçar uma porta também estreita. 

Quando se pergunta a posição de um crente sobre determinado assunto, a resposta começa assim: "Na minha opinião...", quando deveria ser: "Conforme as Escrituras..". E, assim, poderíamos expressar melhor a unidade do pensamento cristão sobre família, governo, trabalho, descanso e muitos outros assuntos presentes em nossa vida e que fazem parte de nossa estada neste mundo. 

Quando trocamos a Escritura pelo que achamos, caímos no pecado da idolatria e passamos a viver como senhores de nossas vidas. Não, não é assim, pois o "sola scriptura" (2 Tm 3.14-17) deve ser uma constante em nossas vidas e viver longe disso só vai trazer juízo (Os 4.6). Ao colocarmos as Escrituras acima de nosso pensar, glorificamos a Deus, mortificamos nossa carne e vivemos, na prática, o lema igreja reformada sempre reformando. O oposto também causa prejuízos enormes: à igreja, pois um testemunho de vida longe das Escrituras afeta a todos os membros; ao crente que vive longe dos princípios das Escrituras; e também aos perdidos, que em vez de serem exortados a confessarem e se arrependerem de seus pecados, são estimulados a continuar atolados em sua miséria por cristãos deformados em suas práticas de vida. Será que pensamos nisto quando mantemos ou estimulamos crentes a namorarem descrentes? A Bíblia é clara quando diz não haver comunhão entre luz e trevas. Mas, mesmo assim, muitos jovens enveredam por esses caminhos, e quando são exortados, sejam por pais ou por outros crentes, se dizem julgados e não admitem estar fazendo nada de errado. Sexo antes do casamento? Como Deus pode reprovar o amor? Estes são apenas alguns exemplos. No seu livro Ouro de Tolo (p. 13), publicado pela Editora Fiel, John MacArthur afirma que 

"De fato, o discernimento está tão na moda quanto a verdade absoluta e a humildade. Fazer distinções e julgamentos claros contradiz os valores relativistas da cultura moderna. O pluralismo e a diversidade tem sido exaltados como virtudes mais elevadas do que a verdade. Não devemos estabelecer limites definitivos ou afirmar qualquer absoluto. Isto é considerado retrógrado e deselegante. E, embora esta atitude para com o discernimento bíblico seja esperada do mundo secular, ela tem sido cada vez mais abraçada por um número cada vez mais de cristãos evangélicos."

O livro é de 2005, mas mostra claramente o mal que assola o evangelicalismo brasileiro.

A vida de renúncia está cada vez mais longe dos cristãos modernos. Parece até que textos como Mt 16.25 e 1 Pe 3.8-17 sumiram das Bíblias do povo. Queremos viver uma vida nos regalando do bom e do melhor por aqui, como se isto fosse tudo que temos. A filosofia do "comamos e bebamos que amanhã morreremos" tem afetado os crentes, e estes tem corrido desenfreadamente atrás do tesouro corruptível e deixando o que tem realmente valor em segundo plano (Mt 6.20). É promoção no trabalho, melhores salários, aquisição de mais bens de consumo, nem que pra isso morramos de trabalhar relegando a família, o descanso e o Dia do Senhor. Como pais dizemos que queremos nosso filhos crescendo piedosamente, mas os entupimos de atividades, preparando-os para este mundo e não para glorificar a Deus neste mundo; dizemos querer nossas filhas sendo esposas submissas e piedosas, mas na prática, enfatizamos o curso superior que ela deve fazer do que qualquer outra coisa. Estas coisas citadas são legítimas, mas se colocadas em primeiro plano desonram a Deus, afastam o crente do culto, pois a atividade (ou trabalho para os adultos) é sempre mais importante. Queremos uma igreja fiel às Escrituras, mas relativizamos a aplicação dos princípios bíblicos por medo de perder membros e a disciplina, uma das marcas distintivas de uma igreja, vai se tornando peça de museu.

No aspecto litúrgico, os cultos tem sido cada vez mais centralizados no homem, as celebrações tem sido cada vez mais transformadas em shows, pastores e cantores se fazem artistas se apresentando, enquanto o público sai satisfeito por ter visto o espetáculo da fé. Lamentável! O Soli Deo Gloria há muito tem dado lugar ao glória ao homem. O pecador, em vez de ser confrontado com seu pecado, tem seu ego massageado, o crente, em vez de prestar um culto a Deus, quer receber entretenimento de qualidade. Sobre este assunto, e falando especificamente sobre pregação, MacArthur diz:

"A pregação 'sensível aos interessados' nutre pessoas centralizadas em seu próprio bem estar. Quando você diz às pessoas que o principal ministério da igreja é consertar para elas o que estiver de errado nesta vida - suprir suas necessidades, ajudá-las a enfrentar seus desapontamentos neste mundo e coisas assim - a mensagem que você está enviando é que os problemas desta vida são mais importantes do que a glória de Deus e a majestade de Cristo. Novamente, isto corrompe a verdadeira adoração."

O cenário é caótico. Em vez de reformados, temos verdadeiros cristãos deformados. Mas Deus é fiel com a sua Palavra e sustenta seu povo. Mesmo em meio ao caos, o remanescente é sustentado (veja o exemplo do profeta Jeremias), Josué e Calebe, entre outros. Todos estes testemunharam momentos terríveis de desobediência na história do povo de Deus, mas foram sustentados por Deus e se mantiveram firmes na fé. Assim tem sido com pastores e igrejas que, mesmo em meio às dificuldades, pecado e apostasia, mantem-se fiéis a Deus, aos princípios bíblicos e confessionais, sendo sal e luz neste mundo mergulhado na podridão do pecado. Jovens buscando relacionamentos saudáveis, castos e santos. Mulheres submissas aos seus maridos e homens que amam suas esposas a ponto de dar a sua vida por elas, e assim, refletindo a graça do amor de Cristo por seu povo. Pais que orientam seus filhos nos princípios bíblicos, no caminho em que devem andar, vendo-os crescer em estatura, graça e sabedoria, da qual o princípio é o temor ao Senhor (Pv 1.7). Cristãos comprometidos com o mandato cultural, manifestando a glória de Deus nesta sociedade pervertida, sendo bons servos, patrões, alunos, professores, motoristas, e em tudo que Deus nos colocar, a fim de glorificar o seu santo nome. Deus nos conduza a estar neste rol. Através da santa reforma pela Palavra, abandonemos o conformar-se com o século (deformação), tomando a forma de Cristo (2 Co 3.18), para a glória d'Ele.

Deus nos abençoe!
***
Autor: Presb. Cicero Pereira
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/12/reformado-ou-deformado-algumas.html

O QUE FALAR AO QUE SOFRE? - AUGUSTUS NICODEMUS


sábado, 22 de abril de 2017

12 proposições sobre um entendimento cristão de economia


Infelizmente, muitos cristãos americanos sabem pouco sobre economia. Além disso, muitos cristãos assumem que a Bíblia não tem absolutamente nada a dizer sobre isso. Mas uma cosmovisão bíblica, na verdade, tem muito a nos ensinar sobre assuntos econômicos. O significado do trabalho, o valor da mão-de-obra e outras questões econômicas são todos parte da cosmovisão bíblica. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que a cosmovisão cristã não exige ou promove um sistema econômico específico.

Por causa disso, os cristãos devem permitir que os princípios econômicos encontrados na Escritura moldem nosso pensamento, embora reconhecendo, ao mesmo tempo, que podemos agir à luz desses princípios em qualquer cenário econômico, cultural ou geracional.

1. Um entendimento econômico cristão tem a glória de Deus como seu maior objetivo.

Para os cristãos, toda teoria econômica começa com um objetivo de glorificar a Deus (1 Coríntios 10.31). Temos uma autoridade econômica transcendente.

2. Um entendimento econômico cristão respeita a dignidade humana.

Não importa o sistema de crenças, aqueles que trabalham manifestam a glória de Deus, quer saibam ou não. As pessoas podem acreditar que estão trabalhando por seus próprios motivos, mas elas estão, na verdade, trabalhando a partir de um impulso pelo que foi colocado em seus corações pelo Criador para a Sua glória.

3. Um entendimento econômico cristão respeita a propriedade privada e a posse.

Alguns sistemas econômicos tratam a ideia de propriedade privada como um problema. Mas a Escritura nunca considera a propriedade privada como um problema a ser resolvido (ver, por exemplo, os Dez Mandamentos). A visão da Escritura de propriedade privada implica que este é o galardão pelo trabalho e domínio do indivíduo. O Oitavo e Nono Mandamentos nos ensinam que não temos o direito de violar as recompensas financeiras do diligente.

4. Um entendimento econômico cristão leva plenamente em conta o poder do pecado.

Levar o ensino bíblico sobre os efeitos penetrantes do pecado plenamente em conta significa que presumimos que coisas ruins acontecem em todos os sistemas econômicos. Um entendimento econômico cristão tenta atenuar os efeitos do pecado.

5. Um entendimento econômico cristão defende e recompensa a retidão.

Todo sistema econômico e de governo vem com incentivos embutidos. Um exemplo disso é o código tributário americano, que estimula procedimentos econômicos desejados. Se ele funciona ou não é uma questão de interminável recalibragem política. Contudo, na cosmovisão cristã, essa recalibragem deve continuar defendendo e recompensando a retidão.

6. Um entendimento econômico cristão recompensa a iniciativa, o empreendimento e o investimento.

Iniciativa, empreendimento e investimento são três palavras cruciais para o vocabulário econômico e teológico do cristão. A iniciativa vai além da ação. É o tipo de ação que faz a diferença. O empreendimento é o trabalho humano feito corporativamente. O investimento é parte do respeito pela propriedade privada encontrado na Escritura.

O investimento, pelo que se constata, é tão antigo quanto o Jardim do Éden. Aquilo que agrega valor é respeitável, e o impulso para agregar esse valor também. Assim, uma teoria econômica cristã culpa qualquer um que não deseja trabalhar, não respeita a propriedade privada e não recompensa o investimento.

7. Um entendimento econômico cristão busca recompensar e incentivar a moderação.

Em um mundo caído, dinheiro e investimento podem rapidamente ser distorcidos para fins idólatras. Por esse motivo, a moderação é um item muito importante na cosmovisão cristã. Em um mundo caído, a fartura de um dia pode se transformar em escassez no próximo. A moderação pode ser aquilo que vai possibilitar a sobrevivência em tempos de pobreza.

8. Um entendimento econômico cristão defende a família como a unidade econômica mais básica.

Quando pensamos sobre a teoria econômica embutida no início da Bíblia, o mandato de domínio é central, mas assim é a instituição divina do casamento. O padrão de deixar edividir descrito em Gênesis 2 é fundamental para o nosso entendimento econômico.

Adão e Eva foram a primeira unidade econômica. Disto, conclui-se que a família (biblicamente definida) é a mais básica e essencial unidade da economia.

9. Um entendimento econômico cristão deve respeitar a comunidade.

A maioria dos pensadores seculares e economistas começam com a comunidade e, então, passam para a família. No entanto, pensar a partir das unidades econômicas maiores para as menores não somente não funciona na teoria, mas também não funciona na prática. Começar com a unidade da família e então evoluir para a comunidade é uma opção muito mais inteligente. A doutrina da subsidiariedade – que surgiu a partir da teoria da lei natural – ensina que o significado, verdade e autoridade residem na menor unidade significativa possível.

Se a unidade da família é deficiente, governo algum consegue fazer frente às necessidades de seus cidadãos. Quando a família é forte, o governo pode ser pequeno. Quando a família é fraca, contudo, o governo precisa compensar o prejuízo. Ao focar na família, respeitamos e aperfeiçoamos a comunidade.

10. Um entendimento econômico cristão recompensa a generosidade e a mordomia apropriada.

Os cristãos que estão comprometidos com a economia do Reino e com o bem da geração seguinte devem viver com uma perspectiva financeira orientada pelo futuro. Cada um de nós tem a responsabilidade, quer tenhamos muito ou pouco, de entender que nossa generosidade perdura muito além de nossa expectativa de vida.

Uma generosidade viva, a qual é tão evidente na Escritura, é essencial para uma cosmovisão econômica cristã.

11. Um entendimento econômico cristão respeita a prioridade da igreja e sua missão.

Os cristãos devem abraçar prioridades econômicas que o restante do mundo simplesmente não vai entender. Eles devem investir em igrejas, seminários e missões internacionais. Esses são compromissos financeiros cristãos distintivos. Nosso compromisso financeiro último não é para conosco mesmos ou nossos investimentos particulares, mas para o Reino de Cristo. Assim, os cristãos deviam sempre estar prontos a experimentar reviravoltas em suas prioridades e esquemas econômicos, pois as questões urgentes do reino podem intervir a qualquer momento.

12. Um entendimento econômico cristão foca no juízo e promessa escatológicos.

A vida e suas riquezas não podem proporcionar a alegria última. A cosmovisão cristã nos lembra que devemos viver com a ideia de que prestaremos contas ao Senhor pela administração de nossos recursos. Ao mesmo tempo, os cristãos devem olhar para a promessa escatológica dos Novos Céus e Nova Terra como nossa esperança econômica derradeira. Devemos juntar tesouros no céu, não na terra.

***
Autor: Albert Mohler
Fonte: Site do autor 
Tradução: Leonardo Bruno Galdino

COMO IDENTIFICAR UM VERDADEIRO CRISTÃO? - AUGUSTUS NICODEMUS


sexta-feira, 21 de abril de 2017

TIRADENTES


Como o cristão (não) deve lidar com o estudo teológico


A teologia é sem dúvida uma bênção do Senhor na vida do crente. É através do labor teológico que nós podemos conhecer melhor o Deus a quem servimos e adoramos. É por isso que soa muito estranho quando alguém afirma: “eu só quero Jesus, não doutrina.” Mas não é esse o ponto que pretendo tratar aqui. Que há cristãos que negligenciam o estudo teológico é fato, mas há também aqueles que gostam de teologia, porém não a fazem da maneira correta e pelos motivos corretos. É sobre estes que eu quero falar.

Se por um lado a igreja do Senhor sofre porque há muitos que deixam de lado o estudo doutrinário, há também, cada vez mais, cristãos que, apesar de se dedicarem a teologia, agem de uma maneira inadequada a respeito. Gostaria de citar alguns dos problemas a respeito destes últimos.

O primeiro problema é sobre aqueles que ao começarem a estudar um pouco de teologia, acham que podem opinar sobre todos os assuntos com propriedade. Eu vejo isso com muita frequência nas redes sociais, especialmente no Facebook. Alguém posta algo sobre pentecostalismo e o ex-pentecostal, que se tornou reformado depois de ler dois ou três artigos em sites e blogs, critica ferrenhamente o post sobre este movimento como se fosse conhecedor o suficiente dele (quando na verdade não é). Isso se aplica a outros tópicos teológicos também. Mas a questão é que essas pessoas têm sede por criticar ou opinar sobre qualquer coisa que diz respeito à teologia, quando elas mesmas não tem propriedade o bastante para falar. 

As consequências disso são inúmeras. Um exemplo disso é uma divisão radical no corpo de Cristo por questões secundárias, ao ponto de muitos se comportarem de forma semelhante aos coríntios: “Eu sou de Paulo”, e outro “Eu sou de Apolo” (1 Coríntios 3.4). Tal divisão acarreta ainda outras consequências como até mesmo xingamentos! 

Não é assim que as coisas devem funcionar. O cristão que tem começado a se dedicar a teologia deve sempre ter em mente que muitas coisas não são tão simples como ele pensa que é. E quando isso não ocorre, é uma clara evidência de imaturidade.

Outro problema associado a este é o motivo pelo qual eles estudam teologia. Há muitos cristãos que “teologam” simplesmente por amor a debates. Eles são ávidos por confrontar posições opostas às suas, a fim de derrubar os argumentos contrários e sair como vencedor. Eu não estou aqui dizendo que debates são de tudo ruins. Eu mesmo aprecio isso em alguns casos. Porém, o ponto é: eles não estão preocupados em se aquele debate vai render algum fruto de piedade ou amadurecimento ao seu irmão, ou até mesmo (por que não?) se o debate vai proporcionar troca de conhecimentos e uma interação saudável. Isso pode levar uma das partes a repensar aquilo que ele tem defendido e a amadurecer. 

Além disso, e talvez mais importante ainda, é o fato destes cristãos não usarem a doutrina para o benefício da igreja. Eu mesmo já fui muito tentado a isso e tenho errado bastante. A teologia virou algo que não tem mais nenhuma relação com a igreja local. Estuda-se apenas para benefício próprio, não para instruir seus irmãos. Isso é egoísmo!

É aqui que o trabalho do pastor como teólogo-orientador entra. Ele precisa aconselhar as suas jovens ovelhas que, embora amem a teologia, precisam saber se comportar de forma adequada em relação a ela. Elas precisam entender que teologia não é algo banal, mas algo sério, pois lida com as coisas do Senhor. Além disso, precisam estar cientes do motivo pelo qual elas querem aprender mais da palavra de Deus. Eu penso que isso terá impacto significativo tanto na igreja local quando na igreja do Senhor como um todo.

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Autor: Alison Aquino
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/08/como-o-cristao-nao-deve-lidar-com-o.html

O FIM DE TODAS AS COISAS! - AUGUSTUS NICODEMUS


quinta-feira, 20 de abril de 2017

O mundo contra a Igreja


Texto base: Ap 11.1-13

Introdução

No dia 1º de Julho de 1523, dois jovens agostinianos, Henrique e João, foram queimados em fogueira na praça do mercado em Bruxelas por haverem professado crer nos ensinamentos de Lutero. No mesmo ano, Lutero compõe o hino “Castelo Forte”, mostrando que, quando estamos do lado do Senhor defendendo a Sua causa o inimigo se levanta querendo nos atacar para nos destruir, mas, como diz o Hino: “mui forte é o Deus fiel”. Claro que o hino não diz respeito a esses jovens somente - que foram mortos em praça pública, pois desde abril de 1521 Lutero já se opunha publicamente diante de tribunais por não concordar com tudo aquilo que a Igreja Católica vinha ensinando. Todas as vezes que eu vejo a Igreja sendo perseguida em alguns países, eu me lembro desse hino, o qual mostra com toda certeza que mesmo que o mal nos derrote isso não será o nosso fim, porque “com Ele reinaremos”, pois o inimigo “já condenado está”. 

E é isso que João quer transmitir à Igreja daquela época, e para a nossa também. Durante o período da ascensão de Cristo até a sua volta a Igreja será perseguida, mas não será derrotada. Mas, quando estiver próximo do fim, aparentemente o mal derrotará a Igreja, no entanto, quem realmente será derrotado é a Besta e seus seguidores. 

Contexto

Nós entendemos que a melhor visão para interpretar Apocalipse – além de fazer conexões com o Antigo Testamento - não é vê-lo em ordem cronológica, pois isso seria meio difícil visto que no final de cada seção ou cena a humanidade morre. E se a humanidade morre em cada encerramento da cena, quem é que surge nos capítulos posteriores? Portanto, Apocalipse 11 faz parte da terceira cena a qual retrata as Sete Trombetas. A primeira cena, que são as sete igrejas, pode ser entendida como A Igreja no mundo; a segunda cena, que são os Sete Selos, pode ser entendida como O sofrimento da Igreja; e aqui a terceira cena, que são as Sete Trombetas, pode ser entendida como uma advertência para o mundo. 

Em cada cena a História do mundo e da Igreja é contada de forma diferente, mas sempre visando a volta de Cristo. Por exemplo, os Selos e as Trombetas possuem aspectos diferentes e ao mesmo tempo similares. A diferença pode ser vista no 5º Selo e na 5ª Trombeta. Em cada uma é retratada o sofrimento, só que, em uma o sofrimento é para a igreja e em outra é para os ímpios. E a similaridade é vista em ambas por retratarem o sofrimento. Em resumo, tanto os Selos como as Trombetas mostram o que acontecerá na História até o retorno de Cristo. 

O ministério das testemunhas – 11.1-6

A) Resumo 11.1,2

Após João ter um olhar daquilo que ocorre no céu, agora ele se volta para a terra para ver o acontece aqui. Como se fosse um resumo, os versos 1 e 2 mostram o que acontecerá com a Igreja. E por que eu acredito que é a respeito da Igreja o que os versos 1 e 2 nos mostram? Porque são simbólicos. Se entendermos que esse “santuário” se refere ao Templo, podemos cair em algum erro de cronologia. Pois, como sabemos pela grande maioria, Apocalipse foi escrito perto do fim do primeiro século e o Templo foi destruído na década de 70 d.C. Quando João escreve isso o Templo já não existia. Portanto, esse Templo ou santuário que é medido somos nós, a Igreja. O termo “medir”, se olharmos para Ez 40-43 e Zc 2.15, refere-se ao conhecimento de Deus e sua preservação. Ou seja, a parte que é medida é onde Deus é adorado. A verdadeira Igreja que adora ao Deus santo é conhecida e preservada.

Mas, existe uma parte que não é para ser medida, que é o átrio exterior “porque ele foi dado aos gentios” para calcarem os pés a cidade santa por 42 meses, o qual também é descrito adiante como 1260 dias. Como vimos anteriormente, devemos olhar para o Apocalipse com olhos no AT. E aqui parece que João se vale do AT para simbolizar a perseguição do anticristo na Igreja. Dn 8.13 e Is 63.18 nos mostram que os adversários de Deus pisariam o santuário d'Ele, o qual seria zombado. E esses 42 meses não são literais, mas simbolizam o período de tribulação que a Igreja passará até a volta de Jesus, assim como Daniel 9 nos mostra nas famosas 70 semanas. Portanto, João quer nos mostrar que “haverá momentos terríveis” (2Tm 3.1) e que a Igreja deve estar preparada para enfrentar grandes problemas nessa última semana que se consuma com a volta do nosso Senhor. 

B) Quem é e o que fazem as duas testemunhas 11.3,4 

Como afirmei anteriormente, essas duas testemunhas representam a Igreja. E digo isso porque a palavra “oliveiras” e “candelabros” se referem à Igreja. O termo “oliveiras” e “candelabros” provém de Zacarias 4. Na visão de Zacarias, o candelabro representa o segundo Templo onde as duas oliveiras forneciam azeite para acender as lâmpadas. No contexto de Zacarias as duas oliveiras são retratadas como “dois ungidos que servem o Senhor de toda a terra” (v.14), que são Josué, o sumo sacerdote, e Zorobabel, o rei. No entanto, por que eu afirmo que são as igrejas? Porque desde o primeiro capítulo do livro, Jesus está no meio dos sete castiçais ou sete candeeiros que são a Igreja de Deus (1.13,20). Mas, por que dois candeeiros e não sete? O tema aqui é outro. A Lei no AT exigia no mínimo duas testemunhas para que houvesse um julgamento justo (Nm 35.30), assim, as duas testemunhas não são profetas literais, mas a Igreja de Deus simbolizando o seu testemunho profético por onde quer que esteja.

Esse testemunho é tanto de lamento como de arrependimento. A frase “vestida de pano de saco” servia tanto para lamento como resultado de uma situação lastimosa, mas também envolvia arrependimento.

O fato de Apocalipse, assim como Jesus, chamar a Igreja de luz do mundo não é à toa. Mas, é para afirmar que a função da Igreja é mostrar o pecado e o caminho, e que o livrinho pode ser doce para aqueles que aceitam o Evangelho, porém amargo para os que recusam o chamado de Deus ao arrependimento. Fazer com que outras pessoas sejam acrescentadas no santuário e vivam o evangelho. 

No entanto, a mensagem de juízo (vv. 5,6) não falta à boca das testemunhas. Vemos no AT o juízo de Deus sendo retratado como um “fogo devorador” que sai da sua boca (2Sm 22.9). Por exemplo, Elias fez descer fogo do céu sobre os soldados de Acazias e levou à morte do rei (2Rs 1.10-17), pois houvera consultado deuses pagãos ao invés de consultar o Deus verdadeiro. Portanto, a palavra das duas testemunhas torna-se juízo contra aqueles que rejeitam o Evangelho da salvação. 

O texto prossegue (v.6) mostrando outro exemplo. Enquanto João diz que as testemunhas têm poder para que desça fogo do céu, agora essas duas testemunhas têm poder para que pare de chover e que haja pragas sobre a terra. Uma clara alusão à Elias e Moisés. E como Moisés e Elias são mencionados nos dois testamentos? Homens de oração, intercessores. Como foi que Elias fechou o céu? Orando (1Rs 17.1; cf. Tg 5.17). 

Qual a função da Igreja enquanto Cristo não volta? Pregar e orar. Não há outro meio para que a Igreja possa suportar as investidas de Satanás, se não pregarmos e orarmos. Temos que anunciar a necessidade de arrependimento e o juízo de Deus sobre aqueles que rejeitam o Evangelho. Ao mesmo tempo, temos que orar rogando a Deus sua graça sobre a Igreja, para que acrescente os eleitos e que Ele faça a sua vontade.

A morte das duas testemunhas – 11.7-10

Enquanto os versos anteriores nos mostram o ministério da Igreja desde a ascensão de Cristo aos céus, do verso 7 ao 10, João nos leva para o futuro mostrando o que acontecerá com ela. 

O verso 7 abre essa parte mostrando que, quando a Igreja tiver cumprido com seu ofício, de pregar o Evangelho do Reino a toda criatura, então virá o fim (Mt 24.14). Contudo, quando a Igreja cumprir com aquilo que está determinado, a besta se levantará contra ela e a matará fazendo uma clara alusão ao que disse Daniel: Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles (Dn 7.21). A Igreja será tratada com desprezo (v.8), isso é descrito pelo não sepultamento (v.9) na grande cidade retratada como Sodoma, por causa de sua imoralidade, e Egito, pelo fato de perseguir o povo de Deus. No entanto, essa morte não é literal tampouco significa morte espiritual da Igreja. Não é literal, pois Paulo diz que nem todos morrerão (1Co 15.51), nos diz que na volta de Cristo haverá crentes vivos. E não é uma morte espiritual, pois a Bíblia é clara em mostrar que não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo. Essa morte significa que a Igreja estará inativa. 

E o que o mundo vai fazer quando a Igreja se calar, antes da volta de Cristo? Regozijar, celebrar e trocar presentes. Eles regozijam por uma satisfação perversa. Eles celebram crendo ser uma grande vitória. E trocam presentes por tamanha alegria, pois aqueles que estavam “atormentando os que moram sobre a terra” estavam mortos.

Mas como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco. Aqui, alegria da besta e de seus seguidores dura pouco. 

A ressurreição das duas testemunhas – 11.11-13

A Igreja será ressuscitada do seu estado de morte, mostrando que o próprio Deus fará isso, provando que essas testemunhas eram o verdadeiro povo de Deus. E agora a Igreja vai se encontrar com o Senhor nas nuvens, após ouvir a voz do bom pastor dizendo: Subi para aqui. 

No mesmo instante, Deus descerá juízo sobre os moradores da terra que deram ouvidos à voz da besta, fazendo com que a décima parte do mundo seja destruída junto com sete mil homens. Enquanto outros glorificarão a Deus, mas já será tarde. 

Conclusão

Deus sempre guiou a História do mundo para a Sua própria glória, e todas as investidas que a Igreja recebe no presente momento não nos calarão até que se cumpra o que Deus determinou. 

Assim como Cristo teve seu ministério terreno, morte e ressurreição, a Igreja passará por isso também, fazendo aquilo que Deus determinou. Quando se cumprir esse tempo, Deus permitirá que a Besta vença a Igreja. Mas Deus, com o Seu poder, ressuscitará o seu povo.

Aplicação

Para a Igreja: Não devemos temer o inimigo, pois a promessa que Cristo fez é que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Enquanto Cristo protege a Sua noiva, devemos cumprir com o mandamento de pregar o Evangelho e orar. E o método de pregação que esse capítulo de Apocalipse nos mostra é diferente daquilo que vemos por aí. O texto diz que o ministério das testemunhas fazia com que o mundo fosse atormentado. Esse tormento não era de uma conduta má que resultava em uma vida de corrupção. Mas, de falar as verdades de Deus anunciando o juízo que se aproxima. Como nós temos atormentado o mundo? Com nosso mau procedimento ou pelo testemunho que damos de Cristo, expondo os erros e mostrando o caminho a ser tomado?

Para os descrentes: Se arrependam, o juízo de Deus se aproxima. E saibam de uma coisa, não haverá chance de arrependimento quando a Igreja for tirada da terra, pois após o arrebatamento Deus trará juízo e condenação. O apóstolo Paulo diz: Com efeito, o ministério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhe manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.” (2Ts 2.7-12). Quem crê em Cristo, tem a vida eterna. Aquele que não crê já está condenado. 

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Autor: Denis Monteiro
Revisão: Malvina Oliveira
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/o-mundo-contra-igreja.html