sábado, 15 de abril de 2017

Páscoa: a pessoa e a ressurreição de Cristo


Neste próximo Domingo iremos nos reunir como o povo do Rei ressurreto que se agrada em louvá-Lo e iremos celebrar a vitória triunfante do Rei Jesus, que morreu pelos nossos pecados, de acordo com as Escrituras, que foi sepultado e de lá saiu três dias depois, triunfante e vitorioso sobre o pecado e a morte.

Mas o volume da nossa adoração não supera a profundidade da nossa teologia. A grandeza do nosso louvor a Cristo será proporcional a quão profundamente o nosso entendimento de Sua pessoa e obra gloriosa está enraizado no rico solo da Palavra de Deus. Nossa adoração a Cristo pela ressurreição não irá além do nosso entendimento da ressurreição.

Assim, para incentivar nossa adoração pelo Senhor Jesus Cristo ressurreto enquanto esperamos pelo Domingo da Ressurreição, eu quero refletir no significado bíblico e teológico da ressurreição de Cristo, em particular nas implicações da ressurreição corporal do nosso Senhor.

O Último Adão

Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15.20-22)

Quando Paulo diz “a morte veio por um homem”, ele está se referindo a Adão no Jardim do Éden. Deus deu a Adão e Eva o fruto de todas as árvores do Jardim para comer, mas os proibiu de comer de uma árvore específica. Ele disse “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.17). E, é claro, a serpente enganou Eva, ela comeu do fruto e o deu a Adão e, assim como Deus prometeu, naquele momento a morte entrou na criação de Deus por conta do pecado humano.

E a Bíblia ensina que, de uma forma misteriosa, mas real, toda a humanidade foi unida a Adão em sua desobediência de tal forma que quando ele pecou, nós pecamos. E, a partir desse momento, todo membro da raça humana nasce espiritualmente morto, e iremos sucumbir à realidade física da morte. Romanos 5.12 diz “Portanto, assim como por um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Mas assim como “a morte veio por um homem”, da mesma maneira Paulo diz que “também por um homem veio a ressurreição dos mortos”. No meio da maldição da serpente, do homem, da mulher e de toda a criação, Deus faz uma graciosa promessa de que Ele mesmo irá enviar a semente da mulher para destruir a obra do diabo e desfazer o dano decorrido do pecado do homem. E quando Cristo deixou o túmulo naquela manhã de Domingo, Ele demonstrou que Ele é a semente prometida, pois derrotou o pecado e a morte. E, é claro, as Boas Novas do Evangelho são que todos aqueles que crerem n'Ele irão vencer a morte e partilhar de Sua ressurreição.

O pecado do primeiro Adão no jardim trouxe morte a todos os que estavam nele, isso é, a raça humana inteira. Mas a vida, morte e ressurreição do segundo Adão traz a ressurreição dos mortos a todos os que estão n'Ele, por meio de arrependimento e fé.

Assim, a ressurreição identifica Jesus como o último Adão, o grande progenitor de uma nova humanidade.

O Filho de Davi, Messias de Israel

Em segundo lugar, a ressurreição identifica Jesus como o Filho prometido de Davi, o Messias de Israel.

No sermão de Pedro no Dia de Pentecostes, ele cita três Salmos de Davi para mostrar que o Cristo ressurreto é o cumprimento das promessas de Deus a Davi. Em Atos 2.25, Pedro cita o Salmo 16.10, onde Davi declara confiantemente que Deus não irá abandonar sua alma no Hades, nem irá permitir que Seu Santo veja corrupção. No verso 29, Pedro diz “Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje”. Em outras palavras, Davi viu a corrupção, então como pode ser verdade o que ele escreveu no Salmo 16? Ele fala no verso 20, citando o Salmo 132.11, “Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isso, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção”. E no verso 34, “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara”, no Salmo 110.1, “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.

O argumento de Pedro é que Davi não estava falando de si mesmo quando falou do Senhor não deixar Seu Santo ver corrupção. Como ele sabia que Deus havia prometido colocar um de seus descendentes em seu trono, e como ele sabia que esse descendente seria o próprio Deus – é por isso que ele pode chamá-lo de “Senhor” no Salmo 110.1 – ele estava escrevendo essas coisas sobre a ressurreição do Messias! Assim, a conclusão de Pedro é “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (v. 36).

Assim, quando Jesus deixou o túmulo, Deus estava dando provas certas de que Jesus era o Filho de Davi prometido – de que Jesus era o Messias e Salvador esperado por Israel.

Cumprimento do Pacto

Ao identificar Jesus como o Filho de Davi prometido, a ressurreição também o identifica como aquele em quem todas as promessas pactuais de Deus encontrariam seu cumprimento.

Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais, como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus” (Atos 13.32-33).

Paulo prossegue e cita o Salmo 2.7, Isaías 55.3 e o Salmo 16.10, demonstrando, assim como Pedro tinha feito em Atos 2, que Jesus era o cumprimento da promessa a Davi.

Mas em Atos 13.22-33, Paulo diz que a ressurreição não é meramente o cumprimento do pacto com Davi, mas o cumprimento da promessa que Deus fez a nossos pais. Esses pais são os patriarcas de Israel – Abraão, Isaque, Jacó e José. Paulo está dizendo que a ressurreição é prova de que Jesus é o cumprimento da promessa feita a Abraão também – de que em sua semente todas as nações da terra seriam abençoadas (Gênesis 22.18). Em Gálatas 3.8, Paulo ensina que essas bênçãos universais tem seu cumprimento no Evangelho da justificação pela graça somente.

E em Atos 13.38, Paulo chega ao clímax de seu sermão quando diz “Tomai, pois”, isso é, com base do fato de que Deus ressuscitou Jesus dos mortos, “pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste; e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés”. Porque Jesus ressuscitou dos mortos, a remissão de pecados está disponível a todos os que creem em no Filho ressurreto de Davi. Assim, todas as famílias da terra são abençoadas na semente de Abraão.

Assim, a ressurreição identifica Jesus como o segundo e último Adão, semente da mulher (Gênesis 3.15, 1 Coríntios 15.22, 45), o Filho de Davi (2 Samuel 7.12-16, Mateus 1.1) e a semente de Abraão (Gênesis 22.18, Gálatas 3.16).

Confirmação do Testemunho de Jesus

Durante seu ministério terreno, Jesus fez uma série de afirmações estupendas e surpreendentes acerca de si mesmo. Considere algumas delas:

  • João 5.18 – Jesus “dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”. Em outra ocasião ele surpreende ao dizer coisas como “Eu e o Pai somos um” (João 10.30) e “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9).
  • João 5.21, 26 – “Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer”. E no verso 26 ele diz, de forma similar, “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”.
  • João 5.22, 27 – Ele declara ele mesmo ser o justo Juiz de todas as pessoas e todas as coisas: “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento”.
  • João 5.23 – Ele diz que todos devem honrar o Filho da mesma forma que honram o Pai! Ele está ordenando que todos o adorem, assim como você adoraria Deus! E diz que, se você não o adora como Deus, você desonra o Pai! Assim, você não pode adorar o Pai sem adorar o Filho! Em João 14.6, Ele diz: “ninguém vem ao Pai senão por mim”.
  • João 5.24 – Ele diz “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Crer ou não crer n'Ele determina seu destino eterno!

Essas eram afirmações ultrajantes para fazer a respeito de si mesmo! Pessoas que dizem esse tipo de coisa nunca poderiam ser chamadas de “bom mestre” ou “exemplo de moral”. Afirmar essas coisas sobre si mesmo é, no mínimo, loucura e, no máximo, blasfêmia.

Então ele eleva o nível. Ele afirma que iria ressuscitar dos mortos.

Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios; hão de escarnece-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará” (Marcos 10.33-34).

E não apenas isso! Ele também disse que Ele mesmo iria ressuscitá-lo do túmulo! Em João 10.18 ele diz “Ninguém a tira [Sua vida] de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”.

Essa afirmação ganha de todas. Todas as outras – afirmar ser igual a Deus, ser o justo Juiz de todos, ordenar ser adorado como o Pai é adorado, afirmar ser o único caminho ao Pai – poderiam apenas ser a retórica de um enganador ou um louco. Mas essa afirmação dele que Ele seria morto e iria ressuscitar a si mesmo dos mortos após três dias – isso era verificável. Ele poderia ter afirmado todas as outras coisas e ninguém poderia saber se eram verdade ou não. Mas as pessoas poderiam verificar se ele iria ou não ressuscitar dos mortos. E o ponto é: se ele podia cumprir essa afirmação, não haveria nenhuma boa razão para rejeitar as outras afirmações feitas. Se Jesus ressuscitou dos mortos, então Ele é quem Ele diz que é, e você lhe deve obediência. A ressurreição demanda obediência.

Se você está lendo isso e tem um compromisso exterior com o Cristianismo – você se diz um cristão, vai a igreja de vez em quando (no Natal, na Páscoa), cresceu na igreja e até lê a Bíblia vez ou outra – mas está evidente que você é o senhor da sua vida. Você estabelece a agenda da sua vida, e quando seguir a Cristo começa a requerer a forma com que você gasta seu tempo e dinheiro, como você trata seu cônjuge e sua família, com quais coisas você se entretém – bem, então todas aquelas coisas sobre “Jesus” são apenas um monte de bobagem para fanáticos religiosos. Mas o túmulo vazio simplesmente não permite seguidores casuais de Jesus. Ele ressuscitou dos mortos ou não?

De fato Ele ressuscitou. E porque ele vive, isso significa que Ele é o Senhor, Ele é Deus, Ele é o Juiz e Sua Palavra é a Verdade! A ressurreição abrange todos os aspectos da sua vida. E se você não está vivendo para Ele, se você ainda se apega ao seu pecado, eu o convido a, nesta Páscoa, confessar que, apesar do que você diz sobre si mesmo, você nunca realmente creu em Cristo como seu Salvador e Senhor e a olhar para o Salvador com os olhos da fé, se arrepender de seus pecados e experimentar a vida ressurreta que vem de estar unido a Ele.

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Autor: Mike Riccardi
http://bereianos.blogspot.com.br/2017/04/pascoa-pessoa-e-ressurreicao-de-cristo.html

O INFERNO É ESPIRITUAL OU FÍSICO? - AUGUSTUS NICODEMUS


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lutero e o Ensino da Depravação Total


Quando Lutero, no século XVI, deu início ao que ficaria conhecido por Reforma Protestante, ele foi completamente impactado pelo seguinte verso, presente em Romanos 1:17: “O justo viverá pela fé”. Foi com esta palavra que o “papado” começou a morrer dentro daquele monge alemão, que também havia se tornado um excelente professor de exegese, em Wittenberg.

A justificação pela fé, para Lutero, era o resumo de toda a doutrina cristã. Os méritos humanos não são capazes de tornar nenhum ser humano justo diante de Deus. Lutero acreditava no que veio a ficar conhecido por Depravação Total (DT). Essa depravação havia tomado o homem na queda. Na sua antropologia, Lutero afirma que nós somos possuidores de corpo e alma vivente, sendo que o pecado afetou tanto um como o outro. Para o reformador alemão, portanto, já nascemos com os desejos maus enraizados em nossos corações. Essa foi uma das grandes controvérsias que Lutero teve com o humanista Erasmo de Roterdã.

Igualmente, a teologia luterana contemplava um homem que peca por já ser um pecador, e não que se tornava um à medida que cometia os seus delitos. Lutero explica, ainda, que o pecado original está encravado em cada pessoa, de forma que não podemos nos desatrelar dele. Por esta razão é que o pecado é pessoal e natural. O ser humano é um ser corrompido, envenenado e pecaminoso. Os efeitos contidos na queda e a herança que ela relegou a todos os humanos fizeram com que Lutero escrevesse a seguinte pérola:

Assim, Adão e Eva eram puros e saudáveis. Tinham uma visão tão aguçada que podiam enxergar através de uma parede e ouvidos tão bons que podiam ouvir qualquer coisa a 3 km de distância. Todos os animais eram-lhes obedientes: até mesmo o sol e a lua sorriam para eles. Mas depois o diabo veio e disse: “Vocês se tomarão como os deuses”, e assim por diante. Eles pensaram: “Deus é paciente. Que diferença faria uma maçã?”. E num estalar de dedos ela estava diante deles. E isso ainda nos está pendurando a todos pelo pescoço.[1]

Embora esta citação possua linguagem especulativa quanto às façanhas físicas do homem antes do lapsus, ela ilustra muito bem o entendimento luterano acerca da DT. A sua concepção de depravação está atrelada com o seu ensino acerca da justificação. Desta forma, para o reformador, Deus aceita a justiça de Cristo, por isso, mesmo os nossos pecados não sendo removidos, eles não são mais denunciados contra nós. Esta é a clássica diferença entre o “tornar justo”, defendido por Agostinho, e o seu “declarar justo”. A justificação ocorre pela fé, somente, e quem a recebe passa a ser, ao mesmo tempo, justo e pecador. Sobre este paradoxo, Lutero afirma:

Somos verdadeira e totalmente pecadores, com respeito a nós mesmos e ao nosso primeiro nascimento. Inversamente, já que Cristo nos foi dado, somos santos e justos, totalmente. Então, de diferentes aspectos, somos considerados justos e pecadores ao mesmo tempo. Assim, podemos concluir que Lutero aniquilou a teologia romanista da salvação meritória, ao doutrinar que a justificação se dá somente pela fé. Também podemos celebrar o seu legado na luta contra a falsa doutrina do livre-arbítrio.[2]

Entendida a capacidade vinda de Deus para tomar decisões ordinárias, resta evidente que, para cumprirmos as responsabilidades no mundo, o livre-arbítrio permanece. O que ele é incapaz de realizar é fazer com que o homem salve a si mesmo. Nesse sentido, o livre-arbítrio está totalmente corrompido, tornando-se, assim, escravo do pecado e do próprio Satanás. Essa vontade escravizada nos faz desejar o que é mau. Apenas com o auxilio da Graça somos libertos. A tragédia da existência humana se resume no fato de que o homem não regenerado se considera livre, e, deste modo, se entrega cada vez mais àquilo que o aprisiona. Esse trágico quadro que Lutero pintou resume o seu ensinamento a respeito da DT e leva-o ao entendimento da salvação mediante a graça: “Não somos libertos por qualquer poder que em nós mesmos exista, mas tão somente pela graça de Deus”.[3]

Neste ano em que a Reforma completará seus 500 anos, é preciso resgatar esta doutrina, que foi sendo solapada das igrejas brasileiras através de ensinamentos equivocados e heréticos. Precisamos falar mais da DT pois, como nos diz Berkhof: “O correlativo natural da doutrina da depravação total é o ensino da total dependência do homem da graça divina quanto à renovação. Lutero, Calvino e Zwínglio apresentaram frente unida quanto a isso”[4]. E para glória de Cristo, devemos resgatar o Evangelho da Graça preservando o legado do protestantismo.

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Notas:
[1] Citado por Thimoty George no excelente livro Teologia dos Reformadores, p. 69.
[2] Ibdem, p. 73.
[3] Nascido Escravo, p.39.
[4] A História das Doutrinas Cristãs, p.134.

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos

http://bereianos.blogspot.com.br/2017/03/lutero-e-o-ensino-da-depravacao-total.html

QUAL É A COISA PRINCIPAL QUE AS ESCRITURAS NOS ENSINAM? - ALEXANDRE LUSTOSA


domingo, 9 de abril de 2017

A vontade de Deus pode ser resistida?


Nada pode ser resistido se não estiver nos planos de Deus. O homem não é uma deidade semelhante a Deus para que passe por cima de seus planos quando quiser, pois se fosse assim, o homem agiria independentemente de Deus e cuidaria de sua própria vida.

Escrevo isso pelo fato de eu ter lido um breve texto dizendo que nós, os calvinistas, "não entendemos que a Graça pode ser resistida", entretanto, ignorante são os próprios arminianos, os quais não entendem que todas as coisas foram criadas por Deus, que a história e o tempo estão todos submetidos ao Soberano Senhor, e cremos como dizem nas Escrituras Sagradas, que tudo Ele determinou; ninguém resiste a sua vontade, "pois querendo Ele quem impedirá?".

A cada dia que se passa, muitos homens falam e dizem mil palavras afirmando que amam a Deus, que servem e Ele e etc, mas o que está maquinado em seus corações é o ego. Estão endurecidos em suas vontades carnais, lutam por coisas humanas e a satisfação de suas vontades, sem saber que estas são as suas sentenças.

Lembrem-se, a graça só é resistida se estiver nos planos de Deus, e Ela só é aceita se também estiver em seus planos. Portanto, saibamos que tudo acontece por meio d'Ele, conforme Ele determinou.

Eu posso dizer dessa maneira porque um dia eu fui um arminiano e graças a Deus pude enxergar através do viés das Escrituras, e, iluminado pelo seu Santo Espírito, entendi que "Livre Arbítrio" é ilusão. Pois, segundo o entendimento, quem possuí esse atributo age e escolhe sem alguma influência de um agente determinante, que não tenha alguém dirigindo a sua vida (Leia Sl 139.16; Pv 19.21; Pv 21.1). Por este fato, compreendo que quem possuí esse atributo é somente Deus, sendo notório o por que Ele é a vida, é o poder, é a misericórdia, é o tempo (passado, presente e futuro; perfeitamente Eterno) e que Ele também é o próprio amor encarnado.

Não vejo algumas dessas qualidades no ser humano, e no amor e misericórdia, nestas, também somos imperfeitos. Por estes fatos não possuímos "livre arbítrio"; se possuíssemos este atributo valeria a pena Deus ter criado o inferno? Desde quando alguém que possuí esse atributo iria querer ir para lá? Já que é assim, Deus está sendo injusto em condenar os que estão lá, pois houve uma violação do "Livre arbítrio" de muitas pessoas.

Acredito que muitos arminianos não concordarão com isso, e outros serão iluminados e entenderão. Seja como for, posso ficar tranquilo sabendo que cada detalhe foi minunciosamente arquitetado pelo Senhor Jeová (Deus), a quem eu amo. Pois, se não fosse por meio de Cristo eu jamais conheceria a sua salvação e propiciação pelos meus pecados, n'Ele sou justificado.

Antes que eu encerre, duas coisas irei aqui escrever:

1- Deus é soberano, e, por meio d'Ele tudo foi predeterminado, entretanto, somos agentes responsáveis por nossos atos. Se você estudou sobre paradoxos, com certeza você me entenderá. Mais a frente passarei outros textos falando sobre isso detalhadamente;

2- A Graça salvadora não é preveniente, como disse antes, e falo isso sabendo do que se refere "preveniente". Pois, se fosse assim, ao analisarmos esta soteriologia, vários textos bíblicos como Jonas 2.9; João 6.37,44; João 10.27,28; Rm 9; Ef 1.3-14; João 1.12-13; Ef 2.8-10 estariam equivocados. Por isso fico com a Eleição Incondicional, a qual tange toda a Escritura, sem nela fazer alguma deturpação; os atributos imutáveis de Deus e a Expiação Limitada.

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Autor: Klarystone P. Leal
Divulgação: Bereianos
http://bereianos.blogspot.com.br/2015/12/a-vontade-de-deus-pode-ser-resistida_19.html

POR QUE DEUS NÃO ME RESPONDE? - AUGUSTUS NICODEMUS


sábado, 8 de abril de 2017

Fuja do alcance dos laços da morte

As Escrituras sempre devem ser a nossa regra de fé e prática, mas nos dias de hoje o ato de praticar o que a Bíblia ensina está sendo deixado cada vez mais de lado. Uma verdade bíblica que tem perdido sua força no círculo evangélico é resistir, fugir e não dar ouvidos a mulher adúltera. Os conceitos de tal ideia estão presentes em nossa mente, mas não tem sido levado a prática constante. O livro de provérbios nos revela no capítulo 5 e 7 qual é a consequência de não praticar os ensinos da Palavra de Deus quando nos deparamos com a mulher promiscua. 

Com palavras bem escolhidas, para um ouvido que não tem juízo (7.7) ela seduz e leva a armadilha mortal de sua cama os que caem em palavras que são doces, mas que tem veneno em seu conteúdo ( Pv 5.2-4). A mulher adúltera pode ter uma aparência piedosa (7.14), mas tem coração de demônio, louco para levar a sepultura os que por ela se apaixonam e ouvem sua bela, porém, danosa argumentação.

O autor de Provérbios nos adverte a escutar seu conselho ( Pv 5.1; Pv 7.1-5) de nos apegarmos a sabedoria e fugir de qualquer encontro e diálogo com tal mulher. O que ele nos chama é a um compromisso radical de escutar somente a voz da Palavra e rejeitar qualquer outra que se coloque contra a verdade Divina. Devemos colocar esses ensinamentos na prática, visto que por onde quer que andemos sempre nos depararemos com mulheres adúlteras. 

Para ilustrar o que quero dizer, basta um boa leitura de Gênesis 39 e a história de José e a mulher de Potifar. Sei que Gênesis vem antes de Provérbios, mas a verdade de Deus guiou aquele jovem rapaz a dizer “não” à mulher adúltera. Ele preferiu arcar com a consequência de ser fiel a Deus, do que com minutos de prazer que o levaria a pecar contra Deus. Sendo assim, temos o relato de José para nos fortalecer, dizendo que sim, é possível não cair na armadilha de palavras sedutoras, mas somente na medida que tememos o Senhor e sua Palavra. Caso se depare com alguma mulher dessa estirpe, peço meu irmão, encrave em seu coração em Provérbios 5 e 7, e como José fuja de tal mulher. . Deus jamais lhe dará algo que não possa suportar ( 1 Co 10.13). Na luta contra esse pecado a Palavra de Deus deve ser nossa espada e escudo. Irmãos, que possamos colocar em prática aquilo que ela nos chama a realizar, que o Eterno nos ajude. 


Autor: Wellington Leite

COMO LIDAR COM O FRACASSO? - AUGUSTUS NICODEMUS


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Posso ser idólatra estudando a Bíblia?

Corremos o risco de tornar qualquer coisa um ídolo. Pode ser uma pessoa a quem amamos , um desejo licito e até mesmo uma atividade espiritual. Por isso, é necessário que constantemente venhamos separar um tempo para uma análise de como estão as nossas motivações e como elas tem sido demonstradas na forma em que estamos vivendo. Precisamos de um olhar mais profundo para o nosso ser com o propósito de podermos enxergar se de alguma forma colocamos algo no altar de nosso coração que não é o Senhor. 

Por ídolos queremos dizer tudo aquilo que tira o centro de Deus em nossas vidas. Aquilo que ocupe o nosso pensamento, desejos, sonhos e relacionamentos. Aquilo que devotamos boa parte de nosso tempo como sendo a realidade que nos mantém vivos e pelo qual não podemos viver sem. 

Todos sabemos a importância do estudo das Escrituras. Sabemos que é mediante seu estudo que crescemos em conhecimento a respeito de Deus e sua vontade para nós. É através de um devoção ao texto bíblico diariamente que amaremos cada vez mais o nosso Deus e por conseguinte viveremos sua boa, perfeita e agradável vontade. Mas uma pergunta me vem a mente, será possível estar estudando a Bíblia e mesmo assim não ser mudado por ela? É possível estudar teologia e mesmo assim me distanciar de Deus? A resposta para ambas perguntas é um sonoro e preocupante sim.

Na busca frenética pelo conhecimento muitos deixam de lado o próprio texto e se vem cada vez mais envolvidos por livros e mais livros. Não estou aqui dizendo que é errado ler livros, eu mesmo leio e aprecio essa prática. Mas meu argumento aqui é que muitos já não leem suas Bíblias diariamente. A rotina de leitura de livros é mais importante do que a devoção diária ao texto sagrado. Acredito que os livros podem nos fazer entender melhor a Bíblia, mas não posso concordar que eles sejam mais importantes do que a mesma. Para muitos gastar tempo com a Escritura é algo que os impedirá de ter um maior conhecimento sobre outros assuntos. Alguns gastam mais tempo com livros do com a infalível Palavra de Deus. 

Infelizmente muitos recorrem ao texto simplesmente para achar base para refutar alguém ou para chamar de herética a posição de quem não concorda com seu pensamento. Não estou falando que isso é errado, mas estou apontando que primariamente a Bíblia serve para conhecermos e amar-mos o Deus que se revela em suas páginas e não para ganharmos debates ou fama de sabe tudo.

Muitos possuem um grande conhecimento, mas deixaram que isso se transformasse em seu deus. Amam e querem debates, mas fogem de um tempo a sós com a Bíblia. Sabem de todos os atributos de Deus, mas não conseguem experimentar a doçura de tal conhecimento envolvendo o seu ser até o ponto de isso fazê-lo romper em adoração. Querem ser os intelectuais e por isso usam a Bíblia como seu poço de conhecimento. Usam e a deixam de lado. A leem quando querem e se esquecem de que necessitam dela para viver

Não estou pedindo que a leitura de livros cessem, mas peço que venhamos analisar as motivações de nossos corações. De nada vale saber o que ali está escrito se tal conhecimento for utilizado para auto promoção e não com o desejo de amar e glorificar a Deus.

Pergunte a si mesmo quais tem sido suas motivações quando está lendo algo, principalmente quando lê as Sagradas Letras. Pergunte se você quer conhecer a Deus ou vencer um debate. Pergunte se você ser quer ser a pessoa mais intelectual entre seus amigos ou quer ser aquele que a ama a Deus e sua Palavra. 

Ame e invista diariamente um tempo a sós com a Bíblia. Desligue seu celular e medite na Palavra. Deus quer que amemos sua Palavra que revela quem Ele é e não o conhecimento para benefício próprio.

Autor: Wellington Leite

NÃO DEIS AOS CÃES O QUE É SANTO, NEM PÉROLAS AOS PORCOS - AUGUSTUS NICODEMUS


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Teologia é igual a kriptonita?

No círculo evangélico (não me refiro aqui às sérias Igrejas que vivem centradas na doutrina de Deus) algumas coisas são impensáveis. Se você não determina que algo aconteça, significa que não acredita no poder de Deus. Se não dá o dízimo crendo que Deus vai te dar mais do que você ofertou, significa que você não tem fé na providência e cuidado de Deus. Mas o que quero destacar nesse artigo é o seguinte ponto, se você é um estudante da teologia isso lhe faz um crente fraco se comparado àqueles que realizam tudo em nome da fé, sem base doutrinária é claro. Isso, de acordo com o consenso de muitos evangélicos, te mantém longe de Deus. Parece que a teologia é para o crente o que a kriptonita é para o super-homem.

Nos quadrinhos vemos que o homem de aço tem seus poderes devido a sua contínua exposição ao Sol e estada aqui na terra. Mas todas as vezes em que um fragmento de kriptonita é colocado ao seu lado, o grande e inabalável homem de aço é enfraquecido. De músculos duros e impenetráveis, ele se torna um homem comum, que pode sangrar e até mesmo morrer em combate. 

Esses grupos de evangélicos estão firmados naquilo que para eles é a verdadeira condição de poder, vitória e mover sobrenatural, uma visão deturpada em relação a centralidade das Escrituras na vida do povo de Deus. Estão alicerçados em interpretações falaciosas; em uma doutrina que tem tudo, menos a verdadeira e santa Palavra de Deus. Para eles o que os mantém firmes é a fé. Fé essa que está dissociada da Bíblia. Afinal, dizem eles, Deus fala comigo de outras formas, formas essas que vão contra o ensino sagrado. Assim, quando alguém lhes propõem um estudo da Bíblia em seu contexto, e com as regras de uma hermenêutica saudável eles logo se revoltam, pois, são fortes sem isso, e como diz a Bíblia “ a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Assim, eles infelizmente se apoiam em algo contrário à própria Palavra. Querem seguir a Deus de acordo com a vontade deles e não da maneira que Deus lhes ordenou. Querem acima de tudo viverem livres dessa kriptonita chamado “letra”. 

Oro para que ao contrário desses grupos, possamos olhar cada dia mais e mais para as Escrituras como sendo ela, e somente ela, a fonte de nossa fé. Que a Palavra revelada de Deus possa ser o nosso Sol. Aquilo que nos dá força e nos mantém firmes nesse mundo. 

A Bíblia é e sempre será a fonte de nossa vida espiritual, e um estudo diário e apaixonado nos levará a conhecer a Deus e sua vontade se revelará a nós. Nela poderemos ver o amor do Senhor e as verdadeiras bençãos que decorrem da obra salvadora.

Então, para você á Bíblia é uma kriptonita que enfraquece sua vida com Deus, ou o Sol que lhe fortalece e permite caminhar?

Autor: Wellington Leite

O MILÊNIO É UM PERÍODO LITERAL DE MIL ANOS? - AUGUSTUS NICODEMUS


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ame seus irmãos, não desista deles

Ao olhar para a vida de Paulo fico maravilhado com o esforço e amor do apóstolo pela Igreja de Corínto. Aqueles irmãos estavam falhando em inúmeras áreas da vida, mas Paulo em nenhum momento desiste deles, pelo contrário escreve cartas a eles devido seu amor. Embora aquela Igreja continue a falhar, Paulo se mantém de joelhos e de coração amoroso para com aquele povo.

Sua primeira carta aquele Igreja começa assim ‘Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, e o irmão Sóstenes, 2 ​à igreja de Deus que está em Corínto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: 3 ​graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4 ​Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; 5 ​porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6 ​assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, 7 ​de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 ​o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9 ​Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

O texto por si só nos dá animo em relação aos nossos irmãos. Aquela Igreja que era problemática, continha imoralidade em seu meio, falta de amor e estava ceando de maneira indigna Paulo os chama de santificados,amados e igreja de Deus. Paulo olha para aqueles irmãos e sabe que por mais que eles possuem falhas que devem ser superadas estes são seus irmãos em Jesus Cristo e por isso nunca devem ser deixados de lado. Paulo não os abandona, pelo contrário ele insiste em amar aqueles irmãos.

O apóstolo faz ações de graças a Deus por essa Igreja. Ele agradece e louva o Senhor por que embora naquele momento eles estavam lutando e falhando, um dia se apresentarão irrepreensíveis e perfeitos graças ao amor eterno de Jesus. Seu desejo era visitar pessoalmente aqueles irmãos por mais uma vez para leva-los a entender como se deveria vier o cristianismo. Mesmo com tal sentimento pelos coríntios o apóstolo nunca deixa de adverti-los. Ele claramente condena o pecado. Não deixa que o amor faça com que aqueles pecados sejam tolerados. O confronto, exortação e repreensão são feitas de acordo com a Bíblia, com firmeza e amor genuíno.

Sim, pessoas precisam ser confrontas, exortadas e corrigidas. Mas nunca devemos fazer isso sem amor. Devemos lembrar de que nosso irmão que está falhando na fé um dia se apresentará diante de Deus de uma forma santa e gloriosa devido a habitação do Espírito em sua vida e isso deve nos motivar e ter fé de que sua vida pode mudar. Devemos ir até eles com o coração cheio do amor cristão. Ao corrigirmos devemos fazer isso com amor por Jesus e por desejo de que aquele pecado possa ser vencido e abandonado. Devemos nos colocar do lado e lutar contra o pecado juntos dos nossos irmãos. Exemplo: se uma pessoa está falhando em ira em nosso meio devemos nos achegar a ela com amor e dizer a verdade “Irmão, tenho notado que constantemente você tem se demonstrado iracundo. Está acontecendo algo com você? Posso lhe ajudar a vencer esse pecado? Vamos batalhar juntos”. Infelizmente muitas vezes devido aos padrões do mundo trazidos para a Igreja chegamos ao nossos irmãos simplesmente para repreender com o coração duro, com objetivo de humilhar e coloca-lo para baixo. Falamos uma única vez e não queremos acompanha-lo na trajetória rumo a santidade. Não nos importamos com o crescimento espiritual da pessoa. Queremos unicamente dizer o que está entalado em nossa garganta, virar as costas e ir embora com o sentimento de superioridade. Não queremos chorar, batalhar e sofrer com a luta de nossos irmãos. Paulo não é assim, e serve para nós como exemplo. Ele persevera em amor, mesmo que no momento os salvos não demonstrem plenamente uma maturidade cristã. Ai vai alguma dicas práticas para amar nossos irmãos quando é necessário a repreensão e como ajuda-lo a enxergar isso:

1 lembre a pessoa que você está conversando sobre o amor de Cristo. Ela deve lembrar de que seus pecados foram pagos e agora devido a habitação do Espírito ela pode vencer aqueles pecados.

2 Ore por ela, por sua família e por áreas de sua vida. 

3 Nunca chegue para repreender com o coração cheio de raiva. Chegue diante de Deus e peça perdão por seu pecado e em consequência peça ao Senhor amor por aquele irmão. Nunca repreenda com o coração duro e sem amor, isso é pecado.

4 Procure sempre estar em contato. Se encontrem semanalmente para ver se está havendo progresso. Orem juntos e leiam as Escrituras.

5 Indique livros, artigos e pregações.

6 Convide a pessoa a frequentar regularmente os cultos. A pregação bíblica quando é realizada confronta o coração pecaminoso e auxilia na luta contra o pecado.

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COMO O CRISTÃO DEVE AGIR EM RELAÇÃO AO CONSUMISMO? - SOLANO PORTELA


terça-feira, 4 de abril de 2017

Lendo a Bíblia cercados pela pós-modernidade

Meu alvo nessa breve postagem é mostrar como alguns aspectos da pós-modernidade se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos evangélicos, e em especial, pelos reformados. Mencionarei apenas três aspectos. Há muito mais coisas na pós-modernidade que influenciam nossa leitura da realidade e dos textos, mas isso fica para outra vez.

Os reformados — uso o termo para me referir aos cristãos evangélicos que aderem aos credos históricos da Igreja e às confissões reformadas — têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para os cristãos reformados, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.

Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.

1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais, ao ponto das pessoas nunca externarem seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: “A tolerância é a virtude do homem sem convicções” (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.

É aqui que entra o conceito de “politicamente correto”. Significa aquilo que é aceitável como correto na sociedade onde se vive. É o que se faz em um grupo sem que ninguém seja ofendido. Por exemplo, não é “politicamente correto” tomar atitudes ou afirmar coisas que venham a desagradar pessoas, como emitir valores morais sobre o comportamento sexual das pessoas. É “politicamente correto” ouvir o que os outros dizem sem qualquer crítica, reparo ou discordância explícita. Aqui devemos também notar em especial a preocupação em não ofender as minorias ou grupos oprimidos: afro-descendentes, mulheres, pobres, pessoas do 3º mundo. É claro que o Cristianismo nos ensina a não ofender absolutamente ninguém, mas não por que são minorias ou maioria, e sim por que são feitas à imagem de Deus.

É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.

A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de “politicamente correto.” Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.

2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.

Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como afro-descendentes, “gays”, mulheres, pobres e raças minoritárias.

Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.

Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.

O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada “teologia negra,” a teologia da libertação, teologias feministas. Outra coisa é a tendência cada vez mais forte de se publicarem traduções da Bíblia sem linguagem genérica ofensiva, isto é, tirando todas as referências a Deus como sendo homem, etc.

3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.

Dessa perspectiva, ninguém pode tentar mudar a opinião de outrem em questões morais e religiosas. Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.

Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são “politicamente corretos” como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.

Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
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Por Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Bola de Fogo

COMO AJUDAR DEPENDENTES QUÍMICOS A JULGAREM SUAS ATITUDES? - WAGNER ZANELATTO


segunda-feira, 3 de abril de 2017

“E por isso também gememos...”

“Um 'suspiro' é uma declaração inarticulada, e um clamor indistinto para o resgate. Às vezes, os santos são atacados e perturbados, e não podem falar numa linguagem comum às suas emoções: onde as palavras lhes faltam, os pensamentos e sentimentos de seus corações se expressam nos suspiros e clamores. 
Os trabalhos do coração de um cristão debaixo da pressão do pecado que habita nele, as tentações de Satanás, a oposição dos ímpios, a carga de uma sociedade desagradável, a impiedade do mundo, a vida de submissão à causa de Cristo na Terra, são descritos de forma variada nas Escrituras. Às vezes, fala-se de estar 'contristado' (1 Pedro 1.6), de clamar 'das profundezas' (Salmo 130.1), de 'rugir' (Salmo 38.8), de 'desmaiar' (Salmo 61.2), de estar 'perturbado' (Salmo 88.15). As inquietações e angústia de sua alma são descritas como 'gemidos' (Romanos 8.23).
Os gemidos do crente não somente são expressões de tristeza, como também de esperança, da intensidade de seus desejos espirituais, de sua busca por Deus, e seu desejo ardente pela bem-aventurança que eles esperam do alto – 'E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu… Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida' (2 Coríntios 5.2,4). 
Provações da alma deste tipo são peculiares para os regenerados, e através delas o cristão pode identificar-se a si mesmo. Se o leitor agora é tomado por tristeza e suspiros, como um estrangeiro em sua própria terra, então pode-se assegurar que você já não está morto em pecado. Se você se encontra gemendo devido à infecção de seu coração e àquelas obras da corrupção interior que atrapalham o amor perfeito, e de servir sem interrupção a Deus como você deseja fazê-lo, isto é prova de que um princípio de santidade já foi comunicado à sua alma. Se você geme devido às concupiscência de sua carne contra este começo de santidade, então você deve estar vivo para Deus.”
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Por A. W. Pink (1886-1952) | Studies in the Scriptures


http://www.revistamonergista.com/2016/04/e-por-isso-tambem-gememos.html

O PECADO ATINGIU A TODOS, MAS A GRAÇA SALVÍFICA SÓ ALGUNS? - AUGUSTUS NICODEMUS


domingo, 2 de abril de 2017

O "deus" de Kéfera não é o Deus da Bíblia

Nos últimos dias inúmeras opiniões tem sido postuladas a partir das palavras de Kéfera. Em seu canal no YouTube postou um vídeo que em determinado trecho dizia que Deus se masturbava. Esse texto visa desmistificar suas palavras e sua crença em Deus, e ao mesmo tempo dizer o que devemos fazer quando episódios desse tipo acontecem.
Vivemos dias em que as pessoas simplesmente dão suas opiniões sobre o que pensam sem levar em consideração se tais afirmações são verdades ou mentiras. A opinião pessoal se tornou verdadeira, mesmo que com um pouco de questionamento e aprofundamento do assunto em pauta seja revelado que tal pensamento subjetivo está terrivelmente equivocado. No caso de Kéfera ela tem uma visão de Deus em que tal ser divino é “seu brother”, como se isso fosse motivo suficiente de se dirigir a Ele sem nenhum respeito, assim como fica subentendido que ela faz com seus amigos. Falar palavrões, ou até mesmo pensar em Deus fazendo coisas pecaminosas como seus amigos fazem é algo normal, pois Deus não deve se importar, visto que seus amigos também não devem se importar, pois isso é normal nos dias de hoje. Como ela disse posteriormente, Ele está preocupado com o que sou e não com o conteúdo de minhas palavras e a forma que as profiro. 
Nesse ponto ela é um retrato de nossa sociedade de modo geral. Uma sociedade que trata o divino como profano, não se importando com suas ações e palavras, como se o Deus de amor nunca fosse julgá-los como pecadores, pelo contrário, vêem que Ele apoia essa manifestação pecaminosa, pois ela é uma expressão honesta, e se é honesta, é somente isso que importa. Acreditam no Deus de amor, mas se esquecem do Deus que também é justiça e julga de tal forma (Sl 9.8; Sl 7.11-13).
Ao contrário do mundo em que vivemos, nós cristãos defendemos as Escrituras e tudo o que ela fala, visto que é a infalível Palavra de Deus ( 2 Tm 3.16). A verdade de Deus é imutável sendo o pilar sobre quem é Deus e a maneira que devemos buscá-lo. Tanto à Kéfera como a nossa sociedade, o que as Sagradas Letras afirmam é que Deus é um ser completamente diferente de tudo e de todos, pois Ele é o criador e não a criatura. Aquele que habita em um alto e sublime trono, e seus anjos cantam de dia e de noite “Santo é o Senhor dos Exércitos toda terra está cheia de sua glória”(Is 6.3). Deus em sua Palavra define os limites que deve ser adorado, ou seja, não adoramos a Deus da forma que queremos, mas sim da forma que Ele requer ( Hb 12.14, 1 Pe 1.15; Lv 19.12; Lv 11.44; Ex 15.11 Ez 36.26). Sendo assim, de acordo com a Bíblia e não minha opinião pessoal, as palavras de Kéfera estão erradas e desse modo não devem ser levadas em consideração. Com certeza são heresias.
A falta de leitura da Bíblia bem como um estudo do contexto de cada livro leva as pessoas na maioria das vezes a pensar que a Bíblia foi escrita para ser interpretada de acordo com a visão de cada pessoa. Infelizmente isso é um equívoco. Sendo assim o que se conclui é que todos aqueles que deixam o texto Sagrado de lado e se apoiam em sua própria visão estão milhas e milhas distantes da verdade sobre quem é Deus. Todas as pessoas devem se apoiar no que a Bíblia diz e não no que pensam.
Mas vamos ao segundo ponto desse texto. Temos que fazer uma distinção entre suas palavras e pensamentos e quem ela é como pessoa criada a imagem e semelhança de Deus. As palavras de Kéfera devem em um certo sentido ser tratadas por nós como um reflexo de um coração que está longe do Deus da Bíblia. Sendo bem sincero não podemos esperar outra coisa, senão pessoas que não conhecem a Deus falarem coisas que não tem nada a ver com a fé cristã. Muito me surpreenderia se ela falasse de Cristologia, Escatologia, mas tais declarações me deixam triste, mas não surpreso. Devemos orar e pedir que assim como nós um dia fomos alcançados pela graça do Eterno ela também possa conhecer o Deus da Bíblia. Ao invés de inflamar nosso coração contra ela em ódio, pedindo que ela venha ser punida por Deus (vi pessoas postando isso nas redes sociais), devemos lembrar que nossa luta não é contra carne e sangue, mas sim contra as hostes infernais. Portanto, que nossa oração seja para que ela se converta e não para que seja lançada no lago de fogo. Que como seguidores de Jesus possamos aprender com Ele, alguém que nunca apoiou o pecado, mas nunca deixou de estender sua misericórdia para com os que estão longe Dele. Devemos sim nos posicionar todas as vezes em que pessoas ofenderem a Deus, mas jamais fazer isso de uma forma pecaminosa e com desejos pecaminosos, pois seremos iguais aqueles que estão blasfemando. Que venhamos rebater os erros teológicos, mas orar e buscar amar a vida que está por trás de tais palavras. Que assim como Deus mudou a minha vida, Ele possa mudar a sua também Kéfera.

Autor: Wellington Leite