segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lutero e o Ensino da Depravação Total


Quando Lutero, no século XVI, deu início ao que ficaria conhecido por Reforma Protestante, ele foi completamente impactado pelo seguinte verso, presente em Romanos 1:17: “O justo viverá pela fé”. Foi com esta palavra que o “papado” começou a morrer dentro daquele monge alemão, que também havia se tornado um excelente professor de exegese, em Wittenberg.

A justificação pela fé, para Lutero, era o resumo de toda a doutrina cristã. Os méritos humanos não são capazes de tornar nenhum ser humano justo diante de Deus. Lutero acreditava no que veio a ficar conhecido por Depravação Total (DT). Essa depravação havia tomado o homem na queda. Na sua antropologia, Lutero afirma que nós somos possuidores de corpo e alma vivente, sendo que o pecado afetou tanto um como o outro. Para o reformador alemão, portanto, já nascemos com os desejos maus enraizados em nossos corações. Essa foi uma das grandes controvérsias que Lutero teve com o humanista Erasmo de Roterdã.

Igualmente, a teologia luterana contemplava um homem que peca por já ser um pecador, e não que se tornava um à medida que cometia os seus delitos. Lutero explica, ainda, que o pecado original está encravado em cada pessoa, de forma que não podemos nos desatrelar dele. Por esta razão é que o pecado é pessoal e natural. O ser humano é um ser corrompido, envenenado e pecaminoso. Os efeitos contidos na queda e a herança que ela relegou a todos os humanos fizeram com que Lutero escrevesse a seguinte pérola:

Assim, Adão e Eva eram puros e saudáveis. Tinham uma visão tão aguçada que podiam enxergar através de uma parede e ouvidos tão bons que podiam ouvir qualquer coisa a 3 km de distância. Todos os animais eram-lhes obedientes: até mesmo o sol e a lua sorriam para eles. Mas depois o diabo veio e disse: “Vocês se tomarão como os deuses”, e assim por diante. Eles pensaram: “Deus é paciente. Que diferença faria uma maçã?”. E num estalar de dedos ela estava diante deles. E isso ainda nos está pendurando a todos pelo pescoço.[1]

Embora esta citação possua linguagem especulativa quanto às façanhas físicas do homem antes do lapsus, ela ilustra muito bem o entendimento luterano acerca da DT. A sua concepção de depravação está atrelada com o seu ensino acerca da justificação. Desta forma, para o reformador, Deus aceita a justiça de Cristo, por isso, mesmo os nossos pecados não sendo removidos, eles não são mais denunciados contra nós. Esta é a clássica diferença entre o “tornar justo”, defendido por Agostinho, e o seu “declarar justo”. A justificação ocorre pela fé, somente, e quem a recebe passa a ser, ao mesmo tempo, justo e pecador. Sobre este paradoxo, Lutero afirma:

Somos verdadeira e totalmente pecadores, com respeito a nós mesmos e ao nosso primeiro nascimento. Inversamente, já que Cristo nos foi dado, somos santos e justos, totalmente. Então, de diferentes aspectos, somos considerados justos e pecadores ao mesmo tempo. Assim, podemos concluir que Lutero aniquilou a teologia romanista da salvação meritória, ao doutrinar que a justificação se dá somente pela fé. Também podemos celebrar o seu legado na luta contra a falsa doutrina do livre-arbítrio.[2]

Entendida a capacidade vinda de Deus para tomar decisões ordinárias, resta evidente que, para cumprirmos as responsabilidades no mundo, o livre-arbítrio permanece. O que ele é incapaz de realizar é fazer com que o homem salve a si mesmo. Nesse sentido, o livre-arbítrio está totalmente corrompido, tornando-se, assim, escravo do pecado e do próprio Satanás. Essa vontade escravizada nos faz desejar o que é mau. Apenas com o auxilio da Graça somos libertos. A tragédia da existência humana se resume no fato de que o homem não regenerado se considera livre, e, deste modo, se entrega cada vez mais àquilo que o aprisiona. Esse trágico quadro que Lutero pintou resume o seu ensinamento a respeito da DT e leva-o ao entendimento da salvação mediante a graça: “Não somos libertos por qualquer poder que em nós mesmos exista, mas tão somente pela graça de Deus”.[3]

Neste ano em que a Reforma completará seus 500 anos, é preciso resgatar esta doutrina, que foi sendo solapada das igrejas brasileiras através de ensinamentos equivocados e heréticos. Precisamos falar mais da DT pois, como nos diz Berkhof: “O correlativo natural da doutrina da depravação total é o ensino da total dependência do homem da graça divina quanto à renovação. Lutero, Calvino e Zwínglio apresentaram frente unida quanto a isso”[4]. E para glória de Cristo, devemos resgatar o Evangelho da Graça preservando o legado do protestantismo.

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Notas:
[1] Citado por Thimoty George no excelente livro Teologia dos Reformadores, p. 69.
[2] Ibdem, p. 73.
[3] Nascido Escravo, p.39.
[4] A História das Doutrinas Cristãs, p.134.

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos

http://bereianos.blogspot.com.br/2017/03/lutero-e-o-ensino-da-depravacao-total.html

QUAL É A COISA PRINCIPAL QUE AS ESCRITURAS NOS ENSINAM? - ALEXANDRE LUSTOSA


domingo, 9 de abril de 2017

A vontade de Deus pode ser resistida?


Nada pode ser resistido se não estiver nos planos de Deus. O homem não é uma deidade semelhante a Deus para que passe por cima de seus planos quando quiser, pois se fosse assim, o homem agiria independentemente de Deus e cuidaria de sua própria vida.

Escrevo isso pelo fato de eu ter lido um breve texto dizendo que nós, os calvinistas, "não entendemos que a Graça pode ser resistida", entretanto, ignorante são os próprios arminianos, os quais não entendem que todas as coisas foram criadas por Deus, que a história e o tempo estão todos submetidos ao Soberano Senhor, e cremos como dizem nas Escrituras Sagradas, que tudo Ele determinou; ninguém resiste a sua vontade, "pois querendo Ele quem impedirá?".

A cada dia que se passa, muitos homens falam e dizem mil palavras afirmando que amam a Deus, que servem e Ele e etc, mas o que está maquinado em seus corações é o ego. Estão endurecidos em suas vontades carnais, lutam por coisas humanas e a satisfação de suas vontades, sem saber que estas são as suas sentenças.

Lembrem-se, a graça só é resistida se estiver nos planos de Deus, e Ela só é aceita se também estiver em seus planos. Portanto, saibamos que tudo acontece por meio d'Ele, conforme Ele determinou.

Eu posso dizer dessa maneira porque um dia eu fui um arminiano e graças a Deus pude enxergar através do viés das Escrituras, e, iluminado pelo seu Santo Espírito, entendi que "Livre Arbítrio" é ilusão. Pois, segundo o entendimento, quem possuí esse atributo age e escolhe sem alguma influência de um agente determinante, que não tenha alguém dirigindo a sua vida (Leia Sl 139.16; Pv 19.21; Pv 21.1). Por este fato, compreendo que quem possuí esse atributo é somente Deus, sendo notório o por que Ele é a vida, é o poder, é a misericórdia, é o tempo (passado, presente e futuro; perfeitamente Eterno) e que Ele também é o próprio amor encarnado.

Não vejo algumas dessas qualidades no ser humano, e no amor e misericórdia, nestas, também somos imperfeitos. Por estes fatos não possuímos "livre arbítrio"; se possuíssemos este atributo valeria a pena Deus ter criado o inferno? Desde quando alguém que possuí esse atributo iria querer ir para lá? Já que é assim, Deus está sendo injusto em condenar os que estão lá, pois houve uma violação do "Livre arbítrio" de muitas pessoas.

Acredito que muitos arminianos não concordarão com isso, e outros serão iluminados e entenderão. Seja como for, posso ficar tranquilo sabendo que cada detalhe foi minunciosamente arquitetado pelo Senhor Jeová (Deus), a quem eu amo. Pois, se não fosse por meio de Cristo eu jamais conheceria a sua salvação e propiciação pelos meus pecados, n'Ele sou justificado.

Antes que eu encerre, duas coisas irei aqui escrever:

1- Deus é soberano, e, por meio d'Ele tudo foi predeterminado, entretanto, somos agentes responsáveis por nossos atos. Se você estudou sobre paradoxos, com certeza você me entenderá. Mais a frente passarei outros textos falando sobre isso detalhadamente;

2- A Graça salvadora não é preveniente, como disse antes, e falo isso sabendo do que se refere "preveniente". Pois, se fosse assim, ao analisarmos esta soteriologia, vários textos bíblicos como Jonas 2.9; João 6.37,44; João 10.27,28; Rm 9; Ef 1.3-14; João 1.12-13; Ef 2.8-10 estariam equivocados. Por isso fico com a Eleição Incondicional, a qual tange toda a Escritura, sem nela fazer alguma deturpação; os atributos imutáveis de Deus e a Expiação Limitada.

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Autor: Klarystone P. Leal
Divulgação: Bereianos
http://bereianos.blogspot.com.br/2015/12/a-vontade-de-deus-pode-ser-resistida_19.html

POR QUE DEUS NÃO ME RESPONDE? - AUGUSTUS NICODEMUS


sábado, 8 de abril de 2017

Fuja do alcance dos laços da morte

As Escrituras sempre devem ser a nossa regra de fé e prática, mas nos dias de hoje o ato de praticar o que a Bíblia ensina está sendo deixado cada vez mais de lado. Uma verdade bíblica que tem perdido sua força no círculo evangélico é resistir, fugir e não dar ouvidos a mulher adúltera. Os conceitos de tal ideia estão presentes em nossa mente, mas não tem sido levado a prática constante. O livro de provérbios nos revela no capítulo 5 e 7 qual é a consequência de não praticar os ensinos da Palavra de Deus quando nos deparamos com a mulher promiscua. 

Com palavras bem escolhidas, para um ouvido que não tem juízo (7.7) ela seduz e leva a armadilha mortal de sua cama os que caem em palavras que são doces, mas que tem veneno em seu conteúdo ( Pv 5.2-4). A mulher adúltera pode ter uma aparência piedosa (7.14), mas tem coração de demônio, louco para levar a sepultura os que por ela se apaixonam e ouvem sua bela, porém, danosa argumentação.

O autor de Provérbios nos adverte a escutar seu conselho ( Pv 5.1; Pv 7.1-5) de nos apegarmos a sabedoria e fugir de qualquer encontro e diálogo com tal mulher. O que ele nos chama é a um compromisso radical de escutar somente a voz da Palavra e rejeitar qualquer outra que se coloque contra a verdade Divina. Devemos colocar esses ensinamentos na prática, visto que por onde quer que andemos sempre nos depararemos com mulheres adúlteras. 

Para ilustrar o que quero dizer, basta um boa leitura de Gênesis 39 e a história de José e a mulher de Potifar. Sei que Gênesis vem antes de Provérbios, mas a verdade de Deus guiou aquele jovem rapaz a dizer “não” à mulher adúltera. Ele preferiu arcar com a consequência de ser fiel a Deus, do que com minutos de prazer que o levaria a pecar contra Deus. Sendo assim, temos o relato de José para nos fortalecer, dizendo que sim, é possível não cair na armadilha de palavras sedutoras, mas somente na medida que tememos o Senhor e sua Palavra. Caso se depare com alguma mulher dessa estirpe, peço meu irmão, encrave em seu coração em Provérbios 5 e 7, e como José fuja de tal mulher. . Deus jamais lhe dará algo que não possa suportar ( 1 Co 10.13). Na luta contra esse pecado a Palavra de Deus deve ser nossa espada e escudo. Irmãos, que possamos colocar em prática aquilo que ela nos chama a realizar, que o Eterno nos ajude. 


Autor: Wellington Leite

COMO LIDAR COM O FRACASSO? - AUGUSTUS NICODEMUS


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Posso ser idólatra estudando a Bíblia?

Corremos o risco de tornar qualquer coisa um ídolo. Pode ser uma pessoa a quem amamos , um desejo licito e até mesmo uma atividade espiritual. Por isso, é necessário que constantemente venhamos separar um tempo para uma análise de como estão as nossas motivações e como elas tem sido demonstradas na forma em que estamos vivendo. Precisamos de um olhar mais profundo para o nosso ser com o propósito de podermos enxergar se de alguma forma colocamos algo no altar de nosso coração que não é o Senhor. 

Por ídolos queremos dizer tudo aquilo que tira o centro de Deus em nossas vidas. Aquilo que ocupe o nosso pensamento, desejos, sonhos e relacionamentos. Aquilo que devotamos boa parte de nosso tempo como sendo a realidade que nos mantém vivos e pelo qual não podemos viver sem. 

Todos sabemos a importância do estudo das Escrituras. Sabemos que é mediante seu estudo que crescemos em conhecimento a respeito de Deus e sua vontade para nós. É através de um devoção ao texto bíblico diariamente que amaremos cada vez mais o nosso Deus e por conseguinte viveremos sua boa, perfeita e agradável vontade. Mas uma pergunta me vem a mente, será possível estar estudando a Bíblia e mesmo assim não ser mudado por ela? É possível estudar teologia e mesmo assim me distanciar de Deus? A resposta para ambas perguntas é um sonoro e preocupante sim.

Na busca frenética pelo conhecimento muitos deixam de lado o próprio texto e se vem cada vez mais envolvidos por livros e mais livros. Não estou aqui dizendo que é errado ler livros, eu mesmo leio e aprecio essa prática. Mas meu argumento aqui é que muitos já não leem suas Bíblias diariamente. A rotina de leitura de livros é mais importante do que a devoção diária ao texto sagrado. Acredito que os livros podem nos fazer entender melhor a Bíblia, mas não posso concordar que eles sejam mais importantes do que a mesma. Para muitos gastar tempo com a Escritura é algo que os impedirá de ter um maior conhecimento sobre outros assuntos. Alguns gastam mais tempo com livros do com a infalível Palavra de Deus. 

Infelizmente muitos recorrem ao texto simplesmente para achar base para refutar alguém ou para chamar de herética a posição de quem não concorda com seu pensamento. Não estou falando que isso é errado, mas estou apontando que primariamente a Bíblia serve para conhecermos e amar-mos o Deus que se revela em suas páginas e não para ganharmos debates ou fama de sabe tudo.

Muitos possuem um grande conhecimento, mas deixaram que isso se transformasse em seu deus. Amam e querem debates, mas fogem de um tempo a sós com a Bíblia. Sabem de todos os atributos de Deus, mas não conseguem experimentar a doçura de tal conhecimento envolvendo o seu ser até o ponto de isso fazê-lo romper em adoração. Querem ser os intelectuais e por isso usam a Bíblia como seu poço de conhecimento. Usam e a deixam de lado. A leem quando querem e se esquecem de que necessitam dela para viver

Não estou pedindo que a leitura de livros cessem, mas peço que venhamos analisar as motivações de nossos corações. De nada vale saber o que ali está escrito se tal conhecimento for utilizado para auto promoção e não com o desejo de amar e glorificar a Deus.

Pergunte a si mesmo quais tem sido suas motivações quando está lendo algo, principalmente quando lê as Sagradas Letras. Pergunte se você quer conhecer a Deus ou vencer um debate. Pergunte se você ser quer ser a pessoa mais intelectual entre seus amigos ou quer ser aquele que a ama a Deus e sua Palavra. 

Ame e invista diariamente um tempo a sós com a Bíblia. Desligue seu celular e medite na Palavra. Deus quer que amemos sua Palavra que revela quem Ele é e não o conhecimento para benefício próprio.

Autor: Wellington Leite

NÃO DEIS AOS CÃES O QUE É SANTO, NEM PÉROLAS AOS PORCOS - AUGUSTUS NICODEMUS


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Teologia é igual a kriptonita?

No círculo evangélico (não me refiro aqui às sérias Igrejas que vivem centradas na doutrina de Deus) algumas coisas são impensáveis. Se você não determina que algo aconteça, significa que não acredita no poder de Deus. Se não dá o dízimo crendo que Deus vai te dar mais do que você ofertou, significa que você não tem fé na providência e cuidado de Deus. Mas o que quero destacar nesse artigo é o seguinte ponto, se você é um estudante da teologia isso lhe faz um crente fraco se comparado àqueles que realizam tudo em nome da fé, sem base doutrinária é claro. Isso, de acordo com o consenso de muitos evangélicos, te mantém longe de Deus. Parece que a teologia é para o crente o que a kriptonita é para o super-homem.

Nos quadrinhos vemos que o homem de aço tem seus poderes devido a sua contínua exposição ao Sol e estada aqui na terra. Mas todas as vezes em que um fragmento de kriptonita é colocado ao seu lado, o grande e inabalável homem de aço é enfraquecido. De músculos duros e impenetráveis, ele se torna um homem comum, que pode sangrar e até mesmo morrer em combate. 

Esses grupos de evangélicos estão firmados naquilo que para eles é a verdadeira condição de poder, vitória e mover sobrenatural, uma visão deturpada em relação a centralidade das Escrituras na vida do povo de Deus. Estão alicerçados em interpretações falaciosas; em uma doutrina que tem tudo, menos a verdadeira e santa Palavra de Deus. Para eles o que os mantém firmes é a fé. Fé essa que está dissociada da Bíblia. Afinal, dizem eles, Deus fala comigo de outras formas, formas essas que vão contra o ensino sagrado. Assim, quando alguém lhes propõem um estudo da Bíblia em seu contexto, e com as regras de uma hermenêutica saudável eles logo se revoltam, pois, são fortes sem isso, e como diz a Bíblia “ a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Assim, eles infelizmente se apoiam em algo contrário à própria Palavra. Querem seguir a Deus de acordo com a vontade deles e não da maneira que Deus lhes ordenou. Querem acima de tudo viverem livres dessa kriptonita chamado “letra”. 

Oro para que ao contrário desses grupos, possamos olhar cada dia mais e mais para as Escrituras como sendo ela, e somente ela, a fonte de nossa fé. Que a Palavra revelada de Deus possa ser o nosso Sol. Aquilo que nos dá força e nos mantém firmes nesse mundo. 

A Bíblia é e sempre será a fonte de nossa vida espiritual, e um estudo diário e apaixonado nos levará a conhecer a Deus e sua vontade se revelará a nós. Nela poderemos ver o amor do Senhor e as verdadeiras bençãos que decorrem da obra salvadora.

Então, para você á Bíblia é uma kriptonita que enfraquece sua vida com Deus, ou o Sol que lhe fortalece e permite caminhar?

Autor: Wellington Leite

O MILÊNIO É UM PERÍODO LITERAL DE MIL ANOS? - AUGUSTUS NICODEMUS


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ame seus irmãos, não desista deles

Ao olhar para a vida de Paulo fico maravilhado com o esforço e amor do apóstolo pela Igreja de Corínto. Aqueles irmãos estavam falhando em inúmeras áreas da vida, mas Paulo em nenhum momento desiste deles, pelo contrário escreve cartas a eles devido seu amor. Embora aquela Igreja continue a falhar, Paulo se mantém de joelhos e de coração amoroso para com aquele povo.

Sua primeira carta aquele Igreja começa assim ‘Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, e o irmão Sóstenes, 2 ​à igreja de Deus que está em Corínto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: 3 ​graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4 ​Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; 5 ​porque, em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6 ​assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, 7 ​de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 ​o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9 ​Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

O texto por si só nos dá animo em relação aos nossos irmãos. Aquela Igreja que era problemática, continha imoralidade em seu meio, falta de amor e estava ceando de maneira indigna Paulo os chama de santificados,amados e igreja de Deus. Paulo olha para aqueles irmãos e sabe que por mais que eles possuem falhas que devem ser superadas estes são seus irmãos em Jesus Cristo e por isso nunca devem ser deixados de lado. Paulo não os abandona, pelo contrário ele insiste em amar aqueles irmãos.

O apóstolo faz ações de graças a Deus por essa Igreja. Ele agradece e louva o Senhor por que embora naquele momento eles estavam lutando e falhando, um dia se apresentarão irrepreensíveis e perfeitos graças ao amor eterno de Jesus. Seu desejo era visitar pessoalmente aqueles irmãos por mais uma vez para leva-los a entender como se deveria vier o cristianismo. Mesmo com tal sentimento pelos coríntios o apóstolo nunca deixa de adverti-los. Ele claramente condena o pecado. Não deixa que o amor faça com que aqueles pecados sejam tolerados. O confronto, exortação e repreensão são feitas de acordo com a Bíblia, com firmeza e amor genuíno.

Sim, pessoas precisam ser confrontas, exortadas e corrigidas. Mas nunca devemos fazer isso sem amor. Devemos lembrar de que nosso irmão que está falhando na fé um dia se apresentará diante de Deus de uma forma santa e gloriosa devido a habitação do Espírito em sua vida e isso deve nos motivar e ter fé de que sua vida pode mudar. Devemos ir até eles com o coração cheio do amor cristão. Ao corrigirmos devemos fazer isso com amor por Jesus e por desejo de que aquele pecado possa ser vencido e abandonado. Devemos nos colocar do lado e lutar contra o pecado juntos dos nossos irmãos. Exemplo: se uma pessoa está falhando em ira em nosso meio devemos nos achegar a ela com amor e dizer a verdade “Irmão, tenho notado que constantemente você tem se demonstrado iracundo. Está acontecendo algo com você? Posso lhe ajudar a vencer esse pecado? Vamos batalhar juntos”. Infelizmente muitas vezes devido aos padrões do mundo trazidos para a Igreja chegamos ao nossos irmãos simplesmente para repreender com o coração duro, com objetivo de humilhar e coloca-lo para baixo. Falamos uma única vez e não queremos acompanha-lo na trajetória rumo a santidade. Não nos importamos com o crescimento espiritual da pessoa. Queremos unicamente dizer o que está entalado em nossa garganta, virar as costas e ir embora com o sentimento de superioridade. Não queremos chorar, batalhar e sofrer com a luta de nossos irmãos. Paulo não é assim, e serve para nós como exemplo. Ele persevera em amor, mesmo que no momento os salvos não demonstrem plenamente uma maturidade cristã. Ai vai alguma dicas práticas para amar nossos irmãos quando é necessário a repreensão e como ajuda-lo a enxergar isso:

1 lembre a pessoa que você está conversando sobre o amor de Cristo. Ela deve lembrar de que seus pecados foram pagos e agora devido a habitação do Espírito ela pode vencer aqueles pecados.

2 Ore por ela, por sua família e por áreas de sua vida. 

3 Nunca chegue para repreender com o coração cheio de raiva. Chegue diante de Deus e peça perdão por seu pecado e em consequência peça ao Senhor amor por aquele irmão. Nunca repreenda com o coração duro e sem amor, isso é pecado.

4 Procure sempre estar em contato. Se encontrem semanalmente para ver se está havendo progresso. Orem juntos e leiam as Escrituras.

5 Indique livros, artigos e pregações.

6 Convide a pessoa a frequentar regularmente os cultos. A pregação bíblica quando é realizada confronta o coração pecaminoso e auxilia na luta contra o pecado.

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COMO O CRISTÃO DEVE AGIR EM RELAÇÃO AO CONSUMISMO? - SOLANO PORTELA


terça-feira, 4 de abril de 2017

Lendo a Bíblia cercados pela pós-modernidade

Meu alvo nessa breve postagem é mostrar como alguns aspectos da pós-modernidade se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos evangélicos, e em especial, pelos reformados. Mencionarei apenas três aspectos. Há muito mais coisas na pós-modernidade que influenciam nossa leitura da realidade e dos textos, mas isso fica para outra vez.

Os reformados — uso o termo para me referir aos cristãos evangélicos que aderem aos credos históricos da Igreja e às confissões reformadas — têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para os cristãos reformados, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.

Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.

1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais, ao ponto das pessoas nunca externarem seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: “A tolerância é a virtude do homem sem convicções” (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.

É aqui que entra o conceito de “politicamente correto”. Significa aquilo que é aceitável como correto na sociedade onde se vive. É o que se faz em um grupo sem que ninguém seja ofendido. Por exemplo, não é “politicamente correto” tomar atitudes ou afirmar coisas que venham a desagradar pessoas, como emitir valores morais sobre o comportamento sexual das pessoas. É “politicamente correto” ouvir o que os outros dizem sem qualquer crítica, reparo ou discordância explícita. Aqui devemos também notar em especial a preocupação em não ofender as minorias ou grupos oprimidos: afro-descendentes, mulheres, pobres, pessoas do 3º mundo. É claro que o Cristianismo nos ensina a não ofender absolutamente ninguém, mas não por que são minorias ou maioria, e sim por que são feitas à imagem de Deus.

É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.

A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de “politicamente correto.” Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.

2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.

Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como afro-descendentes, “gays”, mulheres, pobres e raças minoritárias.

Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.

Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.

O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada “teologia negra,” a teologia da libertação, teologias feministas. Outra coisa é a tendência cada vez mais forte de se publicarem traduções da Bíblia sem linguagem genérica ofensiva, isto é, tirando todas as referências a Deus como sendo homem, etc.

3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.

Dessa perspectiva, ninguém pode tentar mudar a opinião de outrem em questões morais e religiosas. Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.

Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são “politicamente corretos” como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.

Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
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Por Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Bola de Fogo

COMO AJUDAR DEPENDENTES QUÍMICOS A JULGAREM SUAS ATITUDES? - WAGNER ZANELATTO


segunda-feira, 3 de abril de 2017

“E por isso também gememos...”

“Um 'suspiro' é uma declaração inarticulada, e um clamor indistinto para o resgate. Às vezes, os santos são atacados e perturbados, e não podem falar numa linguagem comum às suas emoções: onde as palavras lhes faltam, os pensamentos e sentimentos de seus corações se expressam nos suspiros e clamores. 
Os trabalhos do coração de um cristão debaixo da pressão do pecado que habita nele, as tentações de Satanás, a oposição dos ímpios, a carga de uma sociedade desagradável, a impiedade do mundo, a vida de submissão à causa de Cristo na Terra, são descritos de forma variada nas Escrituras. Às vezes, fala-se de estar 'contristado' (1 Pedro 1.6), de clamar 'das profundezas' (Salmo 130.1), de 'rugir' (Salmo 38.8), de 'desmaiar' (Salmo 61.2), de estar 'perturbado' (Salmo 88.15). As inquietações e angústia de sua alma são descritas como 'gemidos' (Romanos 8.23).
Os gemidos do crente não somente são expressões de tristeza, como também de esperança, da intensidade de seus desejos espirituais, de sua busca por Deus, e seu desejo ardente pela bem-aventurança que eles esperam do alto – 'E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu… Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida' (2 Coríntios 5.2,4). 
Provações da alma deste tipo são peculiares para os regenerados, e através delas o cristão pode identificar-se a si mesmo. Se o leitor agora é tomado por tristeza e suspiros, como um estrangeiro em sua própria terra, então pode-se assegurar que você já não está morto em pecado. Se você se encontra gemendo devido à infecção de seu coração e àquelas obras da corrupção interior que atrapalham o amor perfeito, e de servir sem interrupção a Deus como você deseja fazê-lo, isto é prova de que um princípio de santidade já foi comunicado à sua alma. Se você geme devido às concupiscência de sua carne contra este começo de santidade, então você deve estar vivo para Deus.”
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Por A. W. Pink (1886-1952) | Studies in the Scriptures


http://www.revistamonergista.com/2016/04/e-por-isso-tambem-gememos.html

O PECADO ATINGIU A TODOS, MAS A GRAÇA SALVÍFICA SÓ ALGUNS? - AUGUSTUS NICODEMUS


domingo, 2 de abril de 2017

O "deus" de Kéfera não é o Deus da Bíblia

Nos últimos dias inúmeras opiniões tem sido postuladas a partir das palavras de Kéfera. Em seu canal no YouTube postou um vídeo que em determinado trecho dizia que Deus se masturbava. Esse texto visa desmistificar suas palavras e sua crença em Deus, e ao mesmo tempo dizer o que devemos fazer quando episódios desse tipo acontecem.
Vivemos dias em que as pessoas simplesmente dão suas opiniões sobre o que pensam sem levar em consideração se tais afirmações são verdades ou mentiras. A opinião pessoal se tornou verdadeira, mesmo que com um pouco de questionamento e aprofundamento do assunto em pauta seja revelado que tal pensamento subjetivo está terrivelmente equivocado. No caso de Kéfera ela tem uma visão de Deus em que tal ser divino é “seu brother”, como se isso fosse motivo suficiente de se dirigir a Ele sem nenhum respeito, assim como fica subentendido que ela faz com seus amigos. Falar palavrões, ou até mesmo pensar em Deus fazendo coisas pecaminosas como seus amigos fazem é algo normal, pois Deus não deve se importar, visto que seus amigos também não devem se importar, pois isso é normal nos dias de hoje. Como ela disse posteriormente, Ele está preocupado com o que sou e não com o conteúdo de minhas palavras e a forma que as profiro. 
Nesse ponto ela é um retrato de nossa sociedade de modo geral. Uma sociedade que trata o divino como profano, não se importando com suas ações e palavras, como se o Deus de amor nunca fosse julgá-los como pecadores, pelo contrário, vêem que Ele apoia essa manifestação pecaminosa, pois ela é uma expressão honesta, e se é honesta, é somente isso que importa. Acreditam no Deus de amor, mas se esquecem do Deus que também é justiça e julga de tal forma (Sl 9.8; Sl 7.11-13).
Ao contrário do mundo em que vivemos, nós cristãos defendemos as Escrituras e tudo o que ela fala, visto que é a infalível Palavra de Deus ( 2 Tm 3.16). A verdade de Deus é imutável sendo o pilar sobre quem é Deus e a maneira que devemos buscá-lo. Tanto à Kéfera como a nossa sociedade, o que as Sagradas Letras afirmam é que Deus é um ser completamente diferente de tudo e de todos, pois Ele é o criador e não a criatura. Aquele que habita em um alto e sublime trono, e seus anjos cantam de dia e de noite “Santo é o Senhor dos Exércitos toda terra está cheia de sua glória”(Is 6.3). Deus em sua Palavra define os limites que deve ser adorado, ou seja, não adoramos a Deus da forma que queremos, mas sim da forma que Ele requer ( Hb 12.14, 1 Pe 1.15; Lv 19.12; Lv 11.44; Ex 15.11 Ez 36.26). Sendo assim, de acordo com a Bíblia e não minha opinião pessoal, as palavras de Kéfera estão erradas e desse modo não devem ser levadas em consideração. Com certeza são heresias.
A falta de leitura da Bíblia bem como um estudo do contexto de cada livro leva as pessoas na maioria das vezes a pensar que a Bíblia foi escrita para ser interpretada de acordo com a visão de cada pessoa. Infelizmente isso é um equívoco. Sendo assim o que se conclui é que todos aqueles que deixam o texto Sagrado de lado e se apoiam em sua própria visão estão milhas e milhas distantes da verdade sobre quem é Deus. Todas as pessoas devem se apoiar no que a Bíblia diz e não no que pensam.
Mas vamos ao segundo ponto desse texto. Temos que fazer uma distinção entre suas palavras e pensamentos e quem ela é como pessoa criada a imagem e semelhança de Deus. As palavras de Kéfera devem em um certo sentido ser tratadas por nós como um reflexo de um coração que está longe do Deus da Bíblia. Sendo bem sincero não podemos esperar outra coisa, senão pessoas que não conhecem a Deus falarem coisas que não tem nada a ver com a fé cristã. Muito me surpreenderia se ela falasse de Cristologia, Escatologia, mas tais declarações me deixam triste, mas não surpreso. Devemos orar e pedir que assim como nós um dia fomos alcançados pela graça do Eterno ela também possa conhecer o Deus da Bíblia. Ao invés de inflamar nosso coração contra ela em ódio, pedindo que ela venha ser punida por Deus (vi pessoas postando isso nas redes sociais), devemos lembrar que nossa luta não é contra carne e sangue, mas sim contra as hostes infernais. Portanto, que nossa oração seja para que ela se converta e não para que seja lançada no lago de fogo. Que como seguidores de Jesus possamos aprender com Ele, alguém que nunca apoiou o pecado, mas nunca deixou de estender sua misericórdia para com os que estão longe Dele. Devemos sim nos posicionar todas as vezes em que pessoas ofenderem a Deus, mas jamais fazer isso de uma forma pecaminosa e com desejos pecaminosos, pois seremos iguais aqueles que estão blasfemando. Que venhamos rebater os erros teológicos, mas orar e buscar amar a vida que está por trás de tais palavras. Que assim como Deus mudou a minha vida, Ele possa mudar a sua também Kéfera.

Autor: Wellington Leite

O QUE FAZER QUANDO DEUS PARECE DIZER NÃO PARA MEU PEDIDO? - FLORENCE FRANCO


sexta-feira, 31 de março de 2017

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE? - HEBER CAMPOS JR.


A Bíblia ou nossa geração goma de mascar?


Uma grande tragédia lentamente foi se apoderando de toda a nossa geração. Vivemos numa era de amigos instantâneos, relações superficiais, namoros superficiais, casamentos que se desfazem com a mesma rapidez que começaram... tudo vira humor descompromissado, tudo leve, tudo sem peso ou importância real, tudo passageiro, pulando de um entretenimento a outro, sucessos musicais instantâneos que rapidamente passam... Você está imune?

No meio disso tudo os cristãos estão perdendo completamente o senso da santidade de Deus. Oramos contra o ruído de fundo da televisão, meditamos na Palavra enquanto conversamos no Facebook, nosso senso de santidade divina é tão fraco que estamos num lugar de culto enquanto nos alongamos e mascamos nosso chiclete. Eu sei, você dirá que isso é normal, mas quando diz isso você expressa a Bíblia ou nossa geração goma de mascar? Até a defesa da verdade é mero humorismo e descontração em nossos dias - tudo por uma boa gargalhada!

Quando Jacó fugiu da casa de seu pai depois de enganá-lo, pegar o que não era seu, ele vai dormir de tão cansado. Eu diria que aquela, para ele, é uma noite profana... comum, como os dias se arrastam em nossa sociedade profana e superficial que tem sido um espelho da relação de nossa geração (na igreja) com Deus. Temor? Senso de santidade divina? Percepção da presença de Deus? Não! Ali está apenas um homem cansado e focado na vida a sua frente. Mas então ele tem um sonho – um sonho que nossa geração não tem sonhado – e por isso age e vive (mesmo os cristãos) sem a percepção de Jacó naquele instante.

Então Jacó acordou do sonho – Acordamos nós também? “E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão...” - Gênesis 28:12-13. Quem dera estivéssemos acordados! Jacó disse: “Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.” - Gênesis 28:16-17. Era terrível, não era mais comum. Ele se encheu de temor.

Que percepção, senão esta, devia ser o sentimento constante no coração regenerado? “Quem é como tu, glorificado em santidade? -  Êxodo 15:11. Que denúncia mais terrível poderia ser feita aos “adoradores” de nossos dias do que sua superficialidade que faz comum e não terrível a presença de um Deus santo?

Como pecadores que viram a realidade do pecado podem chegar diante de Deus a não ser com a percepção que Jacó teve? Eu sei, falaremos da Graça, mas a graça não diminui o espanto, o senso da perfeição da santidade de Deus e de nossa indignidade, pelo contrário. Mesmo a alegria dos santos é cheia de tremor: “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor.” Salmos 2:11. Na graça a nossa salvação é operada nestes termos: “...assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” - Filipenses 2:12

Isto deve ser assim, pois Deus é infinitamente santo, transcendentalmente santo, superlativamente santo, imutavelmente santo, gloriosamente santo. Em Cristo somos totalmente santos – como imputação – mas olhamos para as nossas vidas – Ah! O que vemos? Orgulho misturado em nossa humildade, incredulidade misturada em nossa fé, impertinência misturada na doçura, carnalidade misturada a espiritualidade, dureza misturada com ternura.

Se os querubins, serafins, em sua santidade se tapam e clamam: “Santo, santo, santo...” – de onde tiramos “intimidade afetada?”. A santidade de Deus é pura e sem qualquer mistura – “Só Ele é santo!” – Toda santidade, mesmo do céu, é derivada. “Deus é luz e nele não há treva alguma” – 1 João 1.5. Nele está toda luz sem nenhuma escuridão, toda santidade sem qualquer vestígio de mal, toda sabedoria sem nenhuma loucura. Ele é santo em todos os seus caminhos, em todas as suas obras, em todos os seus preceitos e leis, em todas as suas promessas... santo em todas as suas ameaças, santo em toda a sua ira, todo o seu ódio contra o pecado expressam a perfeita santidade. Sua natureza é santa, seus atributos são santos, suas ações são todas santas.

Ele é santo ao exercer misericórdia (não faz isso sem propiciação) – portanto, Ele é santo ao poupar e também santo ao punir eternamente. Ele é santo ao justificar alguns e santo na condenação dos outros, pois “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus!” – Ele é santo ao levar um povo ao céu e santo ao atirar multidões no inferno.

Jacó, ao perceber a verdade sobre o ser de Deus, disse: “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!”. Não percebemos mais isso? Deus já estava lá, Jacó é que não tinha a percepção disso – será essa a história de nossa “geração de adoradores?”

Deus é santo em todas as suas palavras, em todos os seus atos, em tudo que Ele põe a mão, em tudo que Ele decide em seu coração. Sua face de desaprovação e ira é santa, seu sorriso é santo.

Quando Ele dá, suas dádivas são santas. Quando Ele tira é sua santidade que está operando. “Eu não sabia!” – disse Jacó. Podemos dizer o mesmo depois da perfeita revelação de Deus em Cristo? Depois da clareza dessa revelação no Novo Testamento? Depois da cruz mostrando que mesmo ao ver o pecado colocado sobre Seu Filho amado e santo, ele teve que derramar sua ira sobre Ele?

Santo, santo, santo é o Senhor Todo-Poderoso! – Isaías 6:3. Sua santidade está além de toda possibilidade de ser sondada por homens como nós, não há medição possível, não há compreensão exaustiva, pois infinito é o mar da santidade que Deus é e que está em Deus. Não podemos concebê-la em sua totalidade. Seria mais fácil apagar o sol, ressuscitar os mortos, fazer um mundo, contar as galáxias, esvaziar o mar com um balde, do que expressar a santidade perfeita e transcendente de Deus.

Sua santidade é simplesmente infinita – sendo assim não pode ser limitada, nem diminuída ou aumentada. Só Ele é fonte de toda santidade e pureza. Toda santidade do céu, dos anjos, dos redimidos é apenas reflexo da Sua santidade infinita. Podemos orar por uma igreja santa, por filhos santos, mas não podemos comunicar santidade. Só Deus é o doador de santidade. Só Ele pode causá-la e só d'Ele ela pode fluir. Só Ele pode infundir santidade no homem.

Não devíamos nós, que somos descritos por Isaías assim: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam”  Isaías 64:6. Falar como Jacó? “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!”

Deus é santo! E apenas um Deus totalmente e perfeitamente santo pode iluminar nossa mente, mudar nossa vontade, derreter e quebrantar nossos corações, criar novas afeições, purificar nossas consciências e reformar completamente nossas vidas.

Como eu disse no início, oramos contra o ruído de fundo da televisão, meditamos na Palavra enquanto conversamos no Facebook, nosso senso de santidade divina é tão fraco que estamos num lugar de culto enquanto nos alongamos e mascamos nosso chiclete. Toda essa verdade sobre a santidade de Deus não é a ênfase do que chamamos culto, ela foi esquecida ou não tem qualquer peso sobre nós. Temos sido um espelho de nossa cultura que esqueceu Deus e não um espelho da glória da santidade de Deus.

Está na hora de acordarmos e, como Jacó, dizer: “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!

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Autor: Josemar Bessa

http://bereianos.blogspot.com.br/2016/09/a-biblia-ou-nossa-geracao-goma-de-mascar.html

quinta-feira, 30 de março de 2017

É proibido sofrer!


"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente.

A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito.

Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que seja vencedor segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando o jogo com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado.

Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós.

Perder ou ganhar, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida.

Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados.

Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo para ganhar a Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiro vencedor é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus.

O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente.

Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jó 1.21).

O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória.

O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente! 

Ave Crux, Unica Spes!

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Autor: Pablo Massolar

http://bereianos.blogspot.com.br/2016/09/e-proibido-sofrer.html