terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

IR Á IGREJA ME FAZ UM CRISTÃO? - GEORGE LUCAS GEOLÊ


Querer sempre ter mais

Por Rute Heckert

"O que falta cega pro que já se tem"

Querer sempre mais – hábito entranhado no modo contemporâneo de viver no estilo "black friday". Autorizados pela cultura do consumismo e do individualismo a valorizar nosso querer, facilmente caímos na armadilha da insatisfação constante, restringindo nossos pensamentos a querer o que não temos. "O que falta cega pro que já se tem"*.

Querer ter mais se confunde com ser mais importante, e nos faz incapazes de identificar os motivos de sermos gratos. Imaginamos algo que não temos, ou não somos, como possibilidade futura, perdendo os pés do presente. Não aceitamos o presente tempo, não valorizamos o presente recebido. Amargor e rancor vão sendo semeados em nosso ser. Sermos gratos, porém, areja, ilumina, nos torna graciosos. É ter graça sem ser tolo ou ingênuo, mas sim dotado de sabedoria, dando foco e brilho ao que se vive e se recebe, acolhendo a graça com humildade, sem se dar mais importância do que ao outro. Gratidão anda de mãos dadas com a alegria; sem negar a falta ou a dificuldade, aceitar o que se tem faz a vida leve. Ser grato, contudo, não é estar cego, mas aprender a ver, isto é, a reconhecer o que há de valioso, os presentes presentes. É poder ver o céu espelhado no mar escuro quando este nos dá medo... coisa de quando a alma não é pequena...** O olho que vê poesia pode ver.

Olhar para a própria história e enxergar motivos de gratidão não é tarefa fácil - mágoas e feridas põem-se à frente. Impossível passar a borracha como numa "pseudoamnesia", porém podemos encontrar motivos pelos quais encontramos sentido no viver, o que nos fazem prosseguir. Do contrário, estagnamos. Com gratidão, cultivamos alegria, esperança, movimento... a vida tem graça.



• Rute Heckert Viriato é psicóloga e psicoterapeuta, com experiência na área de reabilitação para pessoas com deficiência. Estuda temas como: espiritualidade, luto e morte, dor, deficiências, envelhecimento, relacionamentos e escolha profissional. É editora do blog Contemplação do Ser.

http://www.ultimato.com.br/conteudo/querer-sempre-ter-mais

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

PORQUE APAIXONAMOS POR NÃO CRISTÃOS? - GEÍSA BOAVENTURA


PASSOS NECESSÁRIOS PARA O PERDÃO

“Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe” (Lc 17.3).
 

​Depois de alertar seus discípulos sobre a inevitabilidade dos escândalos e a tragédia que desabará sobre aqueles por meio de quem os escândalos vêm, Jesus trata da necessidade de perdoar aqueles que falham conosco. No texto em tela, Jesus ensina cinco passos necessários para o pleno perdão.
​Em primeiro lugar, a cautela (Lc 17.3). “Acautelai-vos…”. A cautela é imperativa porque onde o perdão é necessário, os relacionamentos já estão fragilizados, as emoções já estão esfalfadas e as feridas já estão abertas. Sem cautela pode existir arrogância no trato do assunto, deixando a relação ainda mais adoecida. Quem pede perdão precisa ter humildade para reconhecer o seu erro e quem concede perdão precisa ter graça para não pleitear justiça, mas exercer misericórdia.
​Em segundo lugar, a repreensão (Lc 17.3). “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o…”. Jesus está falando que o relacionamento, mesmo entre irmãos, pode ter falhas e precisar de reparos. O caminho para a restauração não é dar tempo ao tempo. O tempo não cura as feridas. Também, o caminho não é o silêncio, pois este não é sinônimo de perdão. O remédio para curar as feridas da mágoa é a repreensão. Longe da pessoa ofendida espalhar sua mágoa, contando a outras pessoas a desavença fraternal, denigrando a imagem de quem a feriu, deve procurar a pessoa para um confronto direto, pessoal e sincero, mas cheio de amor. Essa repreensão é, ao mesmo tempo, firme e terna, a ponto de não acobertar o erro nem negligenciar a compaixão. A verdade em amor é terapia divina para curar os males que afligem os relacionamentos. Verdade sem amor machuca; amor sem verdade adoece.
​Em terceiro lugar, o arrependimento (Lc 17.3). “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender…”. O amor é incondicional, mas o perdão não. O perdão precisa passar, necessariamente, pelo arrependimento. O ofensor precisa reconhecer seu pecado diante da pessoa a quem ofendeu. Esse reconhecimento implica em admitir o erro, sentir tristeza pelo erro e dispor-se a abandonar o erro. Com essas disposições, o ofensor deve procurar o ofendido para expor seu arrependimento. Em assim fazendo, o ofendido não tem outra opção senão perdoar imediatamente e completamente.
​Em quarto lugar, o perdão. (Lc 17.3). “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe”. O perdão é a disposição de tratar o ofensor como irmão, sem jogar em seu rosto o seu pecado. Perdoar é zerar a conta e não cobrar mais a dívida. Perdoar é tratar a pessoa arrependida como se ela nunca tivesse pecado. Perdoar é restaurar o relacionamento e recomeçar uma relação de confiança. O perdão quebra a parede da separação e abre os portais da graça para aceitar de volta o que falhou, dando-lhe a oportunidade de começar outra vez a bendita relação de amizade. O perdão traz cura para quem cometeu o erro e alegria para quem exercitou a misericórdia. Na parábola do Filho pródigo, quem demonstra alegria é o pai que perdoa e não o filho perdoado. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a cura das emoções. O perdão é terapêutico, pois dele emana a restauração da alma.
​Em quinto lugar, a fé (Lc 17.4,5). “Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé”. O perdão ilimitado não é uma capacidade inata que possuímos, é uma operação da graça de Deus em nós. Não temos essa disposição nem esse poder. Somente quando o Senhor aumenta nossa fé podemos perdoar, de forma ilimitada, como Deus em Cristo nos perdoou. O perdão não é uma opção, mas uma ordem divina e uma necessidade humana. Quem não perdoa destrói a própria ponte sobre a qual precisa passar.

Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 12 de fevereiro de 2017

EXISTE COBERTURA ESPIRITUAL? - AUGUSTUS NICODEMUS


Deus é Fiel

                                                                                                          Por Josivaldo de França Pereira 

É comum ver a expressão “Deus é fiel” em vidro de automóvel, parachoque de caminhão, porta de residência, etc. Contudo, no que as pessoas estão realmente pensando quando se deparam com essas palavras? A expressão “Deus é fiel” em si mesma está correta, porque Deus é fiel de verdade! O problema é o entendimento equivocado que se tem dela.
 Para a maioria das pessoas (muitas das quais influenciadas pela teologia da prosperidade), a fidelidade de Deus não passa de um conceito mal empregado para atender seus desejos materialistas imediatos. Ou seja, Deus é fiel sim, mas para nos dar carro, casa, dinheiro, etc.
Na Bíblia, a fidelidade de Deus é um dos atributos ou qualidades mais nobres do seu Ser. "Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel..." (Dt 7.9). Essa qualidade é essencial ao seu Ser; sem ela ele não seria Deus. Pois, ser Deus infiel seria agir contrariamente à sua natureza, o que é impossível. "Se formos infiéis, ele permanece fiel: não pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2.15). A fidelidade é uma das gloriosas perfeições do seu Ser, é como se ele estivesse vestido com esta perfeição. “Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é forte como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?!" (Sl 89.8).
Fidelidade pressupõe aliança e suas promessas; um pacto ou acordo entre as partes. Por conseguinte, toda aliança tem suas condições. No caso da aliança entre Deus e o ser humano há bênçãos para os que a cumprem e consequências terríveis para quem a deixam. Desse modo, a fidelidade de Deus tanto nos ajuda quanto nos afeta.
Se obedecemos a Palavra do Senhor somos abençoados pelo Deus fiel, porém, se a desobedecemos sofremos as consequências do mesmo Deus fiel. “Sua Palavra não contém somente numerosas ilustrações de sua fidelidade no cumprimento de suas promessas, mas também registra numerosos exemplos de sua fidelidade em fazer valer as suas ameaças” (A. W. Pink).
Deus é fiel não somente quando afasta as aflições, mas também é fiel quando as envia. “A mente dos servos de Deus se tranquilizaria bastante se eles se lembrassem de que a aliança de Deus o obriga a lhes aplicar correção oportuna” (Pink).
O Eterno não deve ser imaginado por ninguém como se fosse uma fada madrinha, ou como um produto à disposição na prateleira de um supermercado, a fim de satisfazer nossos mesquinhos interesses consumistas. Ele é Deus. Senhor soberano que deve ser servido, temido e reverenciado por nós.
Se todos soubessem o que significa de fato a expressão “Deus é fiel”, veriam quão longe estão da natureza e caráter do Deus fiel.  O nosso Deus é fiel a ele próprio, à sua Palavra e promessas. Bendito seja o Deus fiel!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O EVANGELISMO É UMA ATIVIDADE NECESSÁRIA PARA O CRISTÃO? - AUGUSTUS NICODEMUS


A igreja e as missões


 


Uma pergunta que fica no Arserá que toda igreja tem que se envolver com missões ou apenas as que tem um chamado especifico ? Na minha opinião toda igreja que se diz de Cristo tem que se envolver com missões!!!
O problema esta na visão que a igreja tem sobre missões,pois missão é uma ordem bem dada pela Bíblia,Mc 16-15 Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura,MT 28-19 Portanto ide e fazei discípulos em todas as nações.
O evangelho só chegou na Azia e na Europa Graças a visão de missões que Paulo tinha,o evangelho só chegou na America graças a visão de missões da igreja Inglesa ,O evangelho só chegou no Brasil graças a visão de missões da Igreja da Suécia,da holanda e da America e assim por diante.
O que toda a Igreja precisa saber que missões não é um chamado especifico é uma ordem e ponto,tem que fazer...O primeiro missionário foi o próprio PAI,que enviou o seu Filho único a uma terra totalmente devastada,isso já seria suficiente para entender o coração do Eterno.

Missões se dividem em duas categorias,mas não diferem em importância,são extremamente importantes.

Missões culturais.

Essas missões são aquelas que são feitas dentro da cultura em que a igreja esta atuando,na cidade,bairro,estado etc...Isso não quer dizer que seja fácil fazer essa estrategia,dentro de uma cidade pode haver bairros com culturas bem diferenciadas do que os outros bairros,e isso exige muita oração e uma estrategia muito bem definida.

Missões transculturais.

Essa é a missão mais complexa que existe pois ela exige mais dinheiro,mais estrutura,mais treinamento,mais capacidade cultural e etc...É quando a igreja tem que sair de seu reduto,tem que sair da sua cidade,e enviar seus missionários para um campo minado,toda  igreja que deseja agradar o Pai se envolve com essa missão.

Em nossa igreja estamos projetando um futuro promissor nessa área,a Escola de Missões onde vamos treinar,a conscientização para poder enviar,alguns projetos pilotos em bairros locais para treinamento,parcerias estão sendo firmadas.
O Cei de Cabo frio será uma igreja totalmente envolvida com missões,aos poucos estamos transformando-a através da conscientização dos membros,teremos uma base na Bolívia,outra em Cruz das almas,interior da Bahia,investiremos pesado em missões e no envio de missionaria,hoje nós temos uma missionaria no Campo que será a mente desses projetos.

Até que ELE volte.

Fabricio Valladares.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O CRISTÃO PODE OUVIR QUALQUER ESTILO MUSICAL? - ALEXANDRE LUSTOSA


A FACE DE DEUS

por 
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). 

A mente humana não consegue alcançar os abismos profundos da eternidade, antes da criação. Quando não havia galáxias e estrelas, quando terra e lua não orbitavam em seus cursos, quando os rios não corriam e os mares não agitavam suas ondas, quando as folhas das árvores não farfalhavam ao vento, quando as flores não exalavam seu perfume, quando os passáros não cruzavam os céus e o ser humano ainda não havia surgido, Deus existia desde toda a eternidade. Em toda a sua plenitude, Deus não precisava criar. Em si, possuía toda a perfeição da infinita felicidade.
Mas Deus quis criar. Pelo poder de sua palavra, por sua sabedoria infinita, por seu propósito eterno, Deus fez surgir o universo, em toda a sua complexidade e beleza. E, para coroar sua criação, Deus fez o ser humano. Alguém capaz de amá-lo, servi-lo e adorá-lo, encontrando no seu criador a felicidade eterna. O ser humano, contudo, rebelou-se contra Deus. Fez-se pecador, trouxe sobre si a ira de Deus, afastou-se da comunhão com que o havia concebido. Mas Deus, sendo rico em amor, já havia providenciado desde a eternidade, a redenção do homem. Ele não mandaria somente um anjo, nem um querubim. A salvação não viria por obras ou por cerimônias. Deus mandaria o seu próprio Filho para morrer no lugar do pecador.
E, no tempo determinado, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Deixando sua respledente glória, aceitou ser encontrado como um humilde bebê numa humilde manjedoura. Não nasceu em palácios ou servido por escravos. Sendo rei, se fez servo, sendo Deus, aceitou sobre si uma natureza humana, sendo justo, aceitou morrer como um pecador. Ninguém demonstrou maior amor do que Jesus. Nele, contemplamos a face de Deus. Nele, encontramos a harmonia entre a justiça e o amor, a verdade e a graça, o tempo e a eternidade, a divindade e a humanidade. Nele, encontramos o perdão pelo seu sangue, a paz por sua mediação, a esperança por sua promessa. Diante dele, toda glória terrena perde o seu brilho, toda a riqueza reduz-se à escória, toda a sabedoria à loucura, toda a força à fraqueza.
Por isso, não nos deixemos seduzir pelo consumismo que marca estes dias, não permitamos que nossos corações habitem no passageiro, não façamos dos prazeres terrenos o sentido da nossa alegria, não nos deixemos comover por um sentimentalismo ocasional que se perde com tempo. Pelo contrário, descubramos em Cristo a verdadeira riqueza, façamos da eternidade nossa Terra Prometida, bebamos da presença de Cristo como fonte da verdadeira alegria, transformemos nosso amor por Cristo algo que perdure por todos os dias de nossas vidas.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

COMO REAGIR A UMA PIADA COM A MINHA FÉ? - AUGUSTUS NICODEMUS


Uma preciosa lição ensinada pelos vikings


Outro dia estava assistindo no NETFLIX uma série sobre os Vikings.

Pois bem, a história do filme se desenrola com a invasão de um grupo viking liderado por um rei semilendário chamado Ragnar Lodbrok a um mosteiro cristão na Inglaterra.

Nesse episódio, os soldados nórdicos mataram de forma bárbara quase todos os padres daquele lugar, contudo, um deles por falar o idioma viking foi mantido vivo. Todavia, uma coisa deixou os vikings curiosos: diante tanto ouro existente no mosteiro, porque um padre preferiu proteger um livro e não as riquezas? Ao ser questionado pelos seus algozes o motivo disso, o padre respondeu dizendo: "Porque sem a Palavra de Deus há trevas."

Pois é, que verdade inquestionável não é mesmo?  A ausência da Palavra de Deus tem levado a igreja a experimentar trevas. Aliás, parte da Igreja brasileira encontra-se mergulhada num terrível sincretismo religioso por ter abandonado a centralidade das Escrituras.

Isso me faz lembrar de John Piper que diz:

"Nós somos um povo do Livro. Nós conhecemos Deus pelo Livro. Nós encontramo-nos com Cristo no Livro. Nós vemos a cruz no Livro. Nossa fé e amor são estimulados pelas gloriosas verdades do Livro. Nós provamos a divina majestade da Palavra e estamos convencidos de que o Livro é a inspirada e infalível revelação escrita de Deus. Portanto, o que o Livro ensina é importante...

Não há salvação do pecado, da culpa, da condenação e do inferno fora da fé em Jesus Cristo (Atos 4:12; Romanos 10:13-17; 1 João 5:12). E não há nenhuma outra autoridade além das Escrituras para lhe mostrar quem é Cristo e dar-lhe as Palavras dEle. Portanto não abandonem a Bíblia, crianças. Não abandonem a Bíblia, jovens. Não negligenciem a Bíblia, pais e mães. Não ignorem a Bíblia, solteiros. Abaixo de Deus, os "escritos sagrados", as Escrituras, são o maior tesouro no mundo. Só elas nos tornam sábios para a salvação através de Cristo. Oh, não negligenciem este Livro!"

Que Deus nos ajude e que a todo custo voltemos as Escrituras fazendo da Palavra de Deus nossa única e exclusiva regra de fé.

Pense nisso!

Renato Vargens


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO? - PEDRO DULCI


04 razões fundamentais para você não desistir do seu casamento


"Eu não amo mais meu marido, acho que vou me separar dele". "Eu não sou mais feliz ao lado dela estou pensando em me divorciar." O amor esfriou, penso que o melhor a ser feito é romper os vínculos matrimoniais. 

Pois é, essa e outras frases tornaram-se comuns entre os casais, que em nome de uma pseudo-felicidade terminam seus casamentos por qualquer motivo.

Contrapondo-se a banalização do matrimônio gostaria de oferecer aos casais quatro razões fundamentais porque não deve desistir do casamento:

1-) O casamento é uma relação instituída por Deus e segundo as Escrituras não deve ser extinguido por qualquer motivo. (Mateus 5:31-32; 19:3-0;  I Corintios 7:10-16; Hebreus 13:04)

2-) Não existem casamentos perfeitos pelo fato de que não existem pessoas perfeitas, portanto, a desculpa, que a sua relação com o seu cônjuge não é boa pelo fato de que o seu parceiro é complicado é absolutamente equivocada. A Imperfeição faz parte da nossa natureza caída e pecaminosa e todos nós, independente da cor da pele, raça, nacionalidade e sexo nos enquadramos nesse conceito. Isto posto, deixe essa "desculpa" de lado e siga em frente lutando pelo seu matrimônio.

3-) o Amor. Isso mesmo! O amor é muito mais que um sentimento, o amor é uma decisão. Isso me faz lembrar da história de uma esposo que foi visitar um sábio conselheiro dizendo-lhe que já não amava sua esposa e que pensava em separar-se. Na ocasião o sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhes apenas uma palavra: 

- Ame-a. E calou-se.
 Mas, já não sinto nada por ela ! 
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio. 

E diante do desconcerto do homem, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte: Amar é uma decisão, não um sentimento, amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverão pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame quem está ao teu lado, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire e compreenda-o. Ame!

4-) Deus é poderoso para reverter o que do ponto de vista humano é irreversível; transformar o que "não" se pode transformar; mudar o imutável; transformando água em vinho.

Pense nisso!

Renato Vargens


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A fé vem de Deus

Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”. (João 6.28-29)
A Bíblia toda concorda a respeito do que significa servir a Deus. As Escrituras estabelecem firmemente que, se desejamos servi-lo, devemos crer naquele a quem o Pai enviou. Se desejamos saber como receber a graça de Deus, como abordá-lo, como pagar pelos nossos pecados e receber perdão por eles e como escapar da morte, então devemos fazer o que Deus quer e crer em Cristo. Nessa passagem, Cristo nos diz abertamente o que devemos fazer – crer.
A fé é a obra que devemos realizar. Porém, a fé também é chamada de obra de Deus. Posteriormente, Cristo nos diz como podemos crer, pois ninguém pode crer por conta própria. “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo 6.44). Ele também diz: “Ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai” (Jo 6.65). Pois a fé é uma obra divina que Deus nos pede para fazer. Mas, ao mesmo tempo, Deus precisa dar-nos fé, pois não podemos crer por nós mesmos.
Que passagem maravilhosa! Como um raio, ela atinge toda sabedoria e justiça, toda lei e mandamento, até a lei de Moisés. Ela apresenta diante de nós uma obra diferente – uma obra que está acima e além de nós. Não somos capazes de compreender Cristo com nossos pensamentos ou com nossa razão. Portanto, a fé não pode ser a nossa própria obra. Nós somos atraídos a Cristo, mesmo não podendo senti-lo nem vê-lo.

CRIMINALIZAR OU LIBERAR ATOS CONSIDERADOS PECADO?- GEÍSA BOAVENTURA


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Lendo a Bíblia Hoje

  
Alguns aspectos da pós-modernidade - nome que se dá à época em que estamos vivendo - se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos reformados, mesmo aqueles que nunca ouviram o nome "pós-modernidade". 

Os reformados têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos oriundos da Reforma protestante. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para eles, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.

Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.

1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais. Neste conceito de tolerância, as pessoas nunca externam seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.

É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.

A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.

2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.

Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como por exemplo, os homossexuais, pobres e minorias étnicas.

Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.

Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.

O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada teologia da libertação (meio defunta hoje) e as teologias feministas. 

3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.

Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.

Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.

"A Doutrina da Providência" - Augustus Nicodemus



http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/05/a-doutrina-da-providencia.html

domingo, 5 de fevereiro de 2017

COMO PODEMOS MOSTRAR SANTIDADE EM NOSSAS VIDAS? - AUGUSTUS NICODEMUS


Augustus Nicodemus
Augustus Nicodemus é bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife, mestre em Novo Testamento pela Universidade Cristã de Potchefstroom, na África do Sul, e doutor em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia (EUA), com estudos adicionais na Universidade Reformada de Kampen, na Holanda. Atualmente, é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia.

A DISCIPLINA DO PENSAMENTO


“Seja isto o que ocupe o vosso pensamento” (Fl 4:8)

Todos nós reconhecemos a importância da disciplina. A verdadeira liberdade não corre fora dos trilhos do domínio próprio. Escolhas impensadas e impulsivas geram frustração e arrependimento. Quando somos cuidadosos no trânsito ou procuramos administrar nossas finanças de forma responsável, estamos reconhecendo os benefícios de uma vida disciplinada. Não falamos tudo o que sentimos vontade, não comemos tudo que está diante de nós, não aceitamos todas as propostas. As escolhas corretas são frutos de pensamentos corretos. O que fazemos é resultado do que pensamos. Por isso, nada é mais importante do que a disciplina dos nossos pensamentos.
Paulo, consciente dessa realidade, finaliza sua carta aos Filipenses exortando os cristãos a ocuparem sua mente com pensamentos edificantes, a alimentarem sua consciência com a comida saudável de convicções e valores moldados pela verdade de Deus. Devemos meditar naquilo que é verdadeiro. A mentira, o engano, a falsidade, a ilusão são instrumentos do inimigo de nossas almas. A verdade liberta, a verdade edifica, a verdade transforma. Deus é verdadeiro, Jesus é a verdade, a Palavra de Deus é a verdade. Nossa reflexão deve focalizar o que respeitável. Não devemos ocupar nossa mente com frivolidades ou atitudes irreverentes, mas no que é digno de respeito. A alegria do cristão não nasce no berço do que é chulo, mas na sua comunhão com o Espírito Santo. Devemos pensar em tudo o que é puro. Nossa imaginação não deve percorrer os lugares sujos da imoralidade, da impureza, da sensualidade. Deus não leva em conta somente nossas ações, mas também nossos pensamentos. Que o meditar do nosso coração repouse naquilo que é amável. Deus não permita que nutramos no coração pensamentos de julgamento precipitado e desejo de vingança. Deus nos chama a amar a todos. Que nossa criatividade seja usada para pensar em maneiras mais eficazes de expressar o amor de Deus aos outros. Somos exortamos a pensar no que produz boa fama. Que nossos pensamentos não nos levem a produzir ações que gerem condenação e desprezo. Se for necessário que falem mal de nós, que seja por causa de nossa lealdade a Deus. Mas não deixemos que a honra de Deus e do evangelho sejam comprometidas por pensamentos que se traduzem em má fama diante das pessoas. Na verdade, Deus, que sonda nossa mente e coração, deseja encontrar em nós somente aquilo que é digno de respeito e louvor.
Diante de um padrão tão elevado, quem pode dizer que consegue disciplinar sua mente para pensar somente o que é correto? Deus sabe quando deixamos nossa imaginação vagar pelos lugares sombrios do pecado e da impureza. Deus não está alheio ao que pensamos sobre as pessoas ao nosso redor nos recessos do nosso coração. Ao mesmo tempo, Deus nos convida a buscarmos sua presença. A dedicarmos esta capacidade maravilhosa do pensamento a Ele, cultivando a mente de Cristo.
Temos diante de nós um grande incentivo. Aqueles cristãos, como Paulo, que procuraram viver à altura de suas convicções e ofereceram um exemplo do que uma mente dedicada a Deus pode realizar. Os filipenses haviam sido instruídos na verdade e receberam-na de coração. Eles ouviram o evangelho e viram esse evangelho vivido na prática. Através da história da igreja, encontramos homens e mulheres de Deus que nos legaram o testemunho de que Deus é poderoso para nos transformar. Sendo assim, não nos conformemos com pensamentos indisciplinados. Consagremos nossa mente a Cristo, não permitindo que pensamentos outros ocupem o espaço que pertence de direito ao nosso soberano Senhor. Que a palavra de Deus habite ricamente em nós produzindo a prática de ações que glorifiquem a Deus. E, assim, experimentaremos a comunhão do Deus cuja paz enche nossos corações, alem de toda a imaginação.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

TODOS OS PECADOS SÃO IGUAIS? - ALEXANDRE LUSTOSA


Mas as CRUZADAS não provam que o cristianismo é tão violento como o islamismo?

Será que as CRUZADAS provam que o cristianismo é tão violento quanto o islamismo?
Definitivamente, NÃO! Quem utiliza esse argumento não se aprofundou no que foram as CRUZADAS, nem entende o que é o verdadeiro cristianismo. Vejamos! 

As Cruzadas fazem parte de um período marcante da história universal, que perdurou nos anos 1096 a 1291. Eram campanhas expedicionárias, de cunho militar, neste período da idade média, construídas em cima do intenso misticismo e do pano de fundo religioso da era. Elas entrelaçaram a igreja católica medieval e os regentes civis daquela época. Inicialmente, eram excursões de resgate e apoio a cristãos perseguidos, mas rapidamente se transformaram em sucessivas tentativas de tomar o poder da “Terra Santa” – especialmente da cidade de Jerusalém, das mãos dos maometanos, ou muçulmanos.

Por que esse período foi importantíssimo? Porque além de ter durado dois séculos, essas intensas campanhas e ações, chamadas de “Cruzadas” refletem o rumo equivocado que imperava na igreja conhecida como cristã. A essa altura a igreja, no sentido abrangente, já estava descaracterizada, pelo relacionamento incestuoso com o poder civil, pela assunção de uma hierarquia doentia e concentradora de poder e pela absorção de práticas e de uma cosmovisão pagã que a levaram à descabida idolatria. Todas essas situações levaram os líderes da igreja a desviarem ela da sua missão na terra, que é eminentemente espiritual e não temporal, passando a ações e arregimentações de caráter militar contra poderes temporais que ameaçavam e fustigavam os feudos do clero. Essa guerra “contra a carne e contra o sangue” em vez de contra “as potestades das hostes espirituais”, conquanto com fundo místico e linguajar religioso, reflete o mesmo mal-entendido dos discípulos retratado em Mt 20.20-28, quando confundem o reinado pregado por Cristo com os governos deste mundo.

Assim, a luta dos cavaleiros das Cruzadas era por reinados na terra, mesmo. Quatro séculos depois, com a permanência e aprofundamento dessas distorções religiosas, no seio do cristianismo – representadas, de um lado, por um monasticismo isolacionista e do outro pelo envolvimento com o poder político e militar deste mundo – os reformadores foram levantados e impelidos, pelo Espírito Santo, a soarem o brado de retorno à simplicidade e às verdades do Evangelho.  A Reforma do Século 16 levou a prédica e prática extraída tão somente da Palavra de Deus, abandonando a superstição, misticismo cego, engano e obscurantismo que caracterizaram a idade média, especialmente essa era das Cruzadas.

Historicamente, o início do período das Cruzadas é marcado por um apelo de Alexius I (1081-1118), regente em Constantinopla, que se sentia ameaçado pelo avanço dos maometanos, recebido pelo Papa Urbano II (1042-1099), em 1095. Urbano II lançou uma chamada geral a toda a "cristandade", prometendo plena indulgência (perdão de pecados) aos que participassem da expedição - só esse fato já demonstra como estava distorcida a Igreja medieval - pecados perdoados por decreto! O moto da convocação era – “É a vontade de Deus”! A partir de certo ponto o empreendimento mudou a sua feição original de resgatar Alexius e seu império, para a de uma campanha abrangente que visava resgatar os “lugares santos” ocupados pelos mulçumanos.

As Cruzadas foram largamente apoiadas pela nobreza européia, que via nelas a oportunidade igualmente econômica de adquirir territórios, espólios e riquezas. Alguns poucos nomes desta época, que se destacaram na história, foram idealistas religiosamente mal orientados. A primeira Cruzada reuniu em Constantinopla, os diversos exércitos que a compunham. Reorganizados, a partir de uma grande confusão inicial, partiram para conquistas, cidade após cidade (Nicéa, Dorileo, Icônio, Antioquia, Mosul), chegando, finalmente a Jerusalém em 1099. Godofredo de Bulhão foi nomeado “Protetor do Santo Sepulcro”. A “Terra Santa” torna-se, praticamente, um protetorado europeu e várias divisões políticas são estabelecidas, repartindo o território deste “Reino Latino” entre os conquistadores. Uma segunda Cruzada foi estabelecida recebendo sucessivas ondas de ordens rivais de cavaleiros, brasões e lealdades feudais típicas da idade média (Cavaleiros Templares, Cavaleiros de São João, Cavaleiros Teutônicos, etc.). Esses “cavaleiros” eram grupos organizados com leves características de expedições missionárias, compostos por monges, guerreiros, mercenários e, muitas vezes, apenas romeiros (peregrinos), que tinham como um dos propósitos “cristianizar” o oriente, se necessário pela força.

O relativo sucesso militar das Cruzadas até meados do século 12 deveu-se às constantes batalhas dos muçulmanos entre si mesmos. A fragmentação facilitava as vitórias e a manutenção das conquistas. A partir de 1171, entretanto, o Kurdo Saladim, que havia se declarado Mestre do Egito, começou a amealhar vitória após vitória unindo os maometanos. Esse exército unido ocupou Damasco e em 1183 ele sitiou o “Reino Latino”. Jerusalém foi invadida e derrotada. Este período de Saladim, entre a segunda e terceira Cruzada, é exatamente o que foi coberto pelo filme (2005) de Ridley Scott, chamado "Cruzada" (ironicamente, no original, Kingdom of Heaven, quando retrata guerras por Reinos na Terra).

Só para encerrar essa âncora histórica, quando a notícia da derrota infligida por Saladim chegou à Europa, outras Cruzadas foram organizadas, com líderes famosos como Ricardo Coração de Leão, mas nenhuma Cruzada seguinte conseguiu reconquistar Jerusalém.

Credita-se às Cruzadas, e aos resultados desastrosos delas, o abandono nos séculos subseqüentes dessas aventuras religiosas secularizadas, levando à concentração da religiosidade católica em estudos mais aprofundados de seus dogmas, dos livros apócrifos e das Escrituras. Isso resultou no Escolasticismo, que, em vez de gerar um enraizamento de doutrinas nas Escrituras, sistematizou, ao contrário, práticas pagãs e idólatras e um afastamento maior ainda do cristianismo verdadeiro. Mas foi nesse solo fértil e concreto, eivado de paganismo e carente de verdades que Deus providenciou o desabrochar da Reforma do século 16. Um outro efeito das Cruzadas, foi que a Europa foi despertada à rica cultura do oriente, após ter-se mantido fechada, no seu desenvolvimento intelectual, comercial e humano, durante a idade média. Essa situação levou a um incremento do comércio do leste com o oeste e ao surgimento do iluminismo intelectual.

O contexto das Cruzadas, então, foi o misticismo reinante na época – muito distanciado da religião verdadeira, já esmaecida pela introdução supersticiosa das relíquias e pela prática da idolatria. A ética e a praxis das Cruzadas não é retrato de cristianismo bíblico. Querer apresentá-las como um movimento espontâneo e genuinamente oriundo dos ensinamentos da Bíblia, é pura distorção histórica e fraude intelectual.  No âmbito pessoal, lembremo-nos do chamado à participação nas Cruzadas – “É a vontade de Deus”. Até os dias de hoje, esse slogan tem sido utilizado para justificar as mais diversas ações, pessoais ou coletivas que não refletem preceitos divinos, mas ambição humana. Tenhamos cuidado e prendamo-nos à sua vontade revelada – A Bíblia – suficiente para nos guiar, nesta vida, em tudo que realmente agrada a Deus. E a violência, certamente desagrada a Deus, não faz parte da prática e da fé Cristã, é característica da falsa religiosidade.

Solano Portela