"Jesus morreu para tirar o seu pecado e não a sua inteligência." — Augustus Nicodemus Lopes —
sábado, 11 de fevereiro de 2017
A igreja e as missões
Uma pergunta que fica no Arserá que toda igreja tem que se envolver com missões ou apenas as que tem um chamado especifico ? Na minha opinião toda igreja que se diz de Cristo tem que se envolver com missões!!!
O problema esta na visão que a igreja tem sobre missões,pois missão é uma ordem bem dada pela Bíblia,Mc 16-15 Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura,MT 28-19 Portanto ide e fazei discípulos em todas as nações.
O evangelho só chegou na Azia e na Europa Graças a visão de missões que Paulo tinha,o evangelho só chegou na America graças a visão de missões da igreja Inglesa ,O evangelho só chegou no Brasil graças a visão de missões da Igreja da Suécia,da holanda e da America e assim por diante.
O que toda a Igreja precisa saber que missões não é um chamado especifico é uma ordem e ponto,tem que fazer...O primeiro missionário foi o próprio PAI,que enviou o seu Filho único a uma terra totalmente devastada,isso já seria suficiente para entender o coração do Eterno.
Missões se dividem em duas categorias,mas não diferem em importância,são extremamente importantes.
Missões culturais.
Essas missões são aquelas que são feitas dentro da cultura em que a igreja esta atuando,na cidade,bairro,estado etc...Isso não quer dizer que seja fácil fazer essa estrategia,dentro de uma cidade pode haver bairros com culturas bem diferenciadas do que os outros bairros,e isso exige muita oração e uma estrategia muito bem definida.
Missões transculturais.
Essa é a missão mais complexa que existe pois ela exige mais dinheiro,mais estrutura,mais treinamento,mais capacidade cultural e etc...É quando a igreja tem que sair de seu reduto,tem que sair da sua cidade,e enviar seus missionários para um campo minado,toda igreja que deseja agradar o Pai se envolve com essa missão.
Em nossa igreja estamos projetando um futuro promissor nessa área,a Escola de Missões onde vamos treinar,a conscientização para poder enviar,alguns projetos pilotos em bairros locais para treinamento,parcerias estão sendo firmadas.
O Cei de Cabo frio será uma igreja totalmente envolvida com missões,aos poucos estamos transformando-a através da conscientização dos membros,teremos uma base na Bolívia,outra em Cruz das almas,interior da Bahia,investiremos pesado em missões e no envio de missionaria,hoje nós temos uma missionaria no Campo que será a mente desses projetos.
Até que ELE volte.
Fabricio Valladares.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
A FACE DE DEUS
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14).
A mente humana não consegue alcançar os abismos profundos da eternidade, antes da criação. Quando não havia galáxias e estrelas, quando terra e lua não orbitavam em seus cursos, quando os rios não corriam e os mares não agitavam suas ondas, quando as folhas das árvores não farfalhavam ao vento, quando as flores não exalavam seu perfume, quando os passáros não cruzavam os céus e o ser humano ainda não havia surgido, Deus existia desde toda a eternidade. Em toda a sua plenitude, Deus não precisava criar. Em si, possuía toda a perfeição da infinita felicidade.
Mas Deus quis criar. Pelo poder de sua palavra, por sua sabedoria infinita, por seu propósito eterno, Deus fez surgir o universo, em toda a sua complexidade e beleza. E, para coroar sua criação, Deus fez o ser humano. Alguém capaz de amá-lo, servi-lo e adorá-lo, encontrando no seu criador a felicidade eterna. O ser humano, contudo, rebelou-se contra Deus. Fez-se pecador, trouxe sobre si a ira de Deus, afastou-se da comunhão com que o havia concebido. Mas Deus, sendo rico em amor, já havia providenciado desde a eternidade, a redenção do homem. Ele não mandaria somente um anjo, nem um querubim. A salvação não viria por obras ou por cerimônias. Deus mandaria o seu próprio Filho para morrer no lugar do pecador.
E, no tempo determinado, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Deixando sua respledente glória, aceitou ser encontrado como um humilde bebê numa humilde manjedoura. Não nasceu em palácios ou servido por escravos. Sendo rei, se fez servo, sendo Deus, aceitou sobre si uma natureza humana, sendo justo, aceitou morrer como um pecador. Ninguém demonstrou maior amor do que Jesus. Nele, contemplamos a face de Deus. Nele, encontramos a harmonia entre a justiça e o amor, a verdade e a graça, o tempo e a eternidade, a divindade e a humanidade. Nele, encontramos o perdão pelo seu sangue, a paz por sua mediação, a esperança por sua promessa. Diante dele, toda glória terrena perde o seu brilho, toda a riqueza reduz-se à escória, toda a sabedoria à loucura, toda a força à fraqueza.
Por isso, não nos deixemos seduzir pelo consumismo que marca estes dias, não permitamos que nossos corações habitem no passageiro, não façamos dos prazeres terrenos o sentido da nossa alegria, não nos deixemos comover por um sentimentalismo ocasional que se perde com tempo. Pelo contrário, descubramos em Cristo a verdadeira riqueza, façamos da eternidade nossa Terra Prometida, bebamos da presença de Cristo como fonte da verdadeira alegria, transformemos nosso amor por Cristo algo que perdure por todos os dias de nossas vidas.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Uma preciosa lição ensinada pelos vikings
Outro dia estava assistindo no NETFLIX uma série sobre os Vikings.
Pois bem, a história do filme se desenrola com a invasão de um grupo viking liderado por um rei semilendário chamado Ragnar Lodbrok a um mosteiro cristão na Inglaterra.
Nesse episódio, os soldados nórdicos mataram de forma bárbara quase todos os padres daquele lugar, contudo, um deles por falar o idioma viking foi mantido vivo. Todavia, uma coisa deixou os vikings curiosos: diante tanto ouro existente no mosteiro, porque um padre preferiu proteger um livro e não as riquezas? Ao ser questionado pelos seus algozes o motivo disso, o padre respondeu dizendo: "Porque sem a Palavra de Deus há trevas."
Pois é, que verdade inquestionável não é mesmo? A ausência da Palavra de Deus tem levado a igreja a experimentar trevas. Aliás, parte da Igreja brasileira encontra-se mergulhada num terrível sincretismo religioso por ter abandonado a centralidade das Escrituras.
Isso me faz lembrar de John Piper que diz:
"Nós somos um povo do Livro. Nós conhecemos Deus pelo Livro. Nós encontramo-nos com Cristo no Livro. Nós vemos a cruz no Livro. Nossa fé e amor são estimulados pelas gloriosas verdades do Livro. Nós provamos a divina majestade da Palavra e estamos convencidos de que o Livro é a inspirada e infalível revelação escrita de Deus. Portanto, o que o Livro ensina é importante...
Não há salvação do pecado, da culpa, da condenação e do inferno fora da fé em Jesus Cristo (Atos 4:12; Romanos 10:13-17; 1 João 5:12). E não há nenhuma outra autoridade além das Escrituras para lhe mostrar quem é Cristo e dar-lhe as Palavras dEle. Portanto não abandonem a Bíblia, crianças. Não abandonem a Bíblia, jovens. Não negligenciem a Bíblia, pais e mães. Não ignorem a Bíblia, solteiros. Abaixo de Deus, os "escritos sagrados", as Escrituras, são o maior tesouro no mundo. Só elas nos tornam sábios para a salvação através de Cristo. Oh, não negligenciem este Livro!"
Pois bem, a história do filme se desenrola com a invasão de um grupo viking liderado por um rei semilendário chamado Ragnar Lodbrok a um mosteiro cristão na Inglaterra.
Nesse episódio, os soldados nórdicos mataram de forma bárbara quase todos os padres daquele lugar, contudo, um deles por falar o idioma viking foi mantido vivo. Todavia, uma coisa deixou os vikings curiosos: diante tanto ouro existente no mosteiro, porque um padre preferiu proteger um livro e não as riquezas? Ao ser questionado pelos seus algozes o motivo disso, o padre respondeu dizendo: "Porque sem a Palavra de Deus há trevas."
Pois é, que verdade inquestionável não é mesmo? A ausência da Palavra de Deus tem levado a igreja a experimentar trevas. Aliás, parte da Igreja brasileira encontra-se mergulhada num terrível sincretismo religioso por ter abandonado a centralidade das Escrituras.
Isso me faz lembrar de John Piper que diz:
"Nós somos um povo do Livro. Nós conhecemos Deus pelo Livro. Nós encontramo-nos com Cristo no Livro. Nós vemos a cruz no Livro. Nossa fé e amor são estimulados pelas gloriosas verdades do Livro. Nós provamos a divina majestade da Palavra e estamos convencidos de que o Livro é a inspirada e infalível revelação escrita de Deus. Portanto, o que o Livro ensina é importante...
Não há salvação do pecado, da culpa, da condenação e do inferno fora da fé em Jesus Cristo (Atos 4:12; Romanos 10:13-17; 1 João 5:12). E não há nenhuma outra autoridade além das Escrituras para lhe mostrar quem é Cristo e dar-lhe as Palavras dEle. Portanto não abandonem a Bíblia, crianças. Não abandonem a Bíblia, jovens. Não negligenciem a Bíblia, pais e mães. Não ignorem a Bíblia, solteiros. Abaixo de Deus, os "escritos sagrados", as Escrituras, são o maior tesouro no mundo. Só elas nos tornam sábios para a salvação através de Cristo. Oh, não negligenciem este Livro!"
Que Deus nos ajude e que a todo custo voltemos as Escrituras fazendo da Palavra de Deus nossa única e exclusiva regra de fé.
Pense nisso!
Renato Vargens
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
04 razões fundamentais para você não desistir do seu casamento
"Eu não amo mais meu marido, acho que vou me separar dele". "Eu não sou mais feliz ao lado dela estou pensando em me divorciar." O amor esfriou, penso que o melhor a ser feito é romper os vínculos matrimoniais.
Pois é, essa e outras frases tornaram-se comuns entre os casais, que em nome de uma pseudo-felicidade terminam seus casamentos por qualquer motivo.
Contrapondo-se a banalização do matrimônio gostaria de oferecer aos casais quatro razões fundamentais porque não deve desistir do casamento:
1-) O casamento é uma relação instituída por Deus e segundo as Escrituras não deve ser extinguido por qualquer motivo. (Mateus 5:31-32; 19:3-0; I Corintios 7:10-16; Hebreus 13:04)
2-) Não existem casamentos perfeitos pelo fato de que não existem pessoas perfeitas, portanto, a desculpa, que a sua relação com o seu cônjuge não é boa pelo fato de que o seu parceiro é complicado é absolutamente equivocada. A Imperfeição faz parte da nossa natureza caída e pecaminosa e todos nós, independente da cor da pele, raça, nacionalidade e sexo nos enquadramos nesse conceito. Isto posto, deixe essa "desculpa" de lado e siga em frente lutando pelo seu matrimônio.
3-) o Amor. Isso mesmo! O amor é muito mais que um sentimento, o amor é uma decisão. Isso me faz lembrar da história de uma esposo que foi visitar um sábio conselheiro dizendo-lhe que já não amava sua esposa e que pensava em separar-se. Na ocasião o sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhes apenas uma palavra:
- Ame-a. E calou-se.
Mas, já não sinto nada por ela !
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio.
E diante do desconcerto do homem, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte: Amar é uma decisão, não um sentimento, amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverão pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame quem está ao teu lado, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire e compreenda-o. Ame!
4-) Deus é poderoso para reverter o que do ponto de vista humano é irreversível; transformar o que "não" se pode transformar; mudar o imutável; transformando água em vinho.
Pense nisso!
Renato Vargens
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
A fé vem de Deus
Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”. (João 6.28-29)
A Bíblia toda concorda a respeito do que significa servir a Deus. As Escrituras estabelecem firmemente que, se desejamos servi-lo, devemos crer naquele a quem o Pai enviou. Se desejamos saber como receber a graça de Deus, como abordá-lo, como pagar pelos nossos pecados e receber perdão por eles e como escapar da morte, então devemos fazer o que Deus quer e crer em Cristo. Nessa passagem, Cristo nos diz abertamente o que devemos fazer – crer.
A fé é a obra que devemos realizar. Porém, a fé também é chamada de obra de Deus. Posteriormente, Cristo nos diz como podemos crer, pois ninguém pode crer por conta própria. “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo 6.44). Ele também diz: “Ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai” (Jo 6.65). Pois a fé é uma obra divina que Deus nos pede para fazer. Mas, ao mesmo tempo, Deus precisa dar-nos fé, pois não podemos crer por nós mesmos.
Que passagem maravilhosa! Como um raio, ela atinge toda sabedoria e justiça, toda lei e mandamento, até a lei de Moisés. Ela apresenta diante de nós uma obra diferente – uma obra que está acima e além de nós. Não somos capazes de compreender Cristo com nossos pensamentos ou com nossa razão. Portanto, a fé não pode ser a nossa própria obra. Nós somos atraídos a Cristo, mesmo não podendo senti-lo nem vê-lo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Lendo a Bíblia Hoje
Alguns aspectos da pós-modernidade - nome que se dá à época em que estamos vivendo - se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos reformados, mesmo aqueles que nunca ouviram o nome "pós-modernidade".
Os reformados têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos oriundos da Reforma protestante. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para eles, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.
Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.
1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais. Neste conceito de tolerância, as pessoas nunca externam seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.
É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.
A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.
2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.
Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como por exemplo, os homossexuais, pobres e minorias étnicas.
Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.
Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.
O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada teologia da libertação (meio defunta hoje) e as teologias feministas.
3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.
Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.
Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
COMO PODEMOS MOSTRAR SANTIDADE EM NOSSAS VIDAS? - AUGUSTUS NICODEMUS
Augustus Nicodemus é bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife, mestre em Novo Testamento pela Universidade Cristã de Potchefstroom, na África do Sul, e doutor em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia (EUA), com estudos adicionais na Universidade Reformada de Kampen, na Holanda. Atualmente, é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia.
A DISCIPLINA DO PENSAMENTO
por Jorge Noda
“Seja isto o que ocupe o vosso pensamento” (Fl 4:8)
Todos nós reconhecemos a importância da disciplina. A verdadeira liberdade não corre fora dos trilhos do domínio próprio. Escolhas impensadas e impulsivas geram frustração e arrependimento. Quando somos cuidadosos no trânsito ou procuramos administrar nossas finanças de forma responsável, estamos reconhecendo os benefícios de uma vida disciplinada. Não falamos tudo o que sentimos vontade, não comemos tudo que está diante de nós, não aceitamos todas as propostas. As escolhas corretas são frutos de pensamentos corretos. O que fazemos é resultado do que pensamos. Por isso, nada é mais importante do que a disciplina dos nossos pensamentos.
Paulo, consciente dessa realidade, finaliza sua carta aos Filipenses exortando os cristãos a ocuparem sua mente com pensamentos edificantes, a alimentarem sua consciência com a comida saudável de convicções e valores moldados pela verdade de Deus. Devemos meditar naquilo que é verdadeiro. A mentira, o engano, a falsidade, a ilusão são instrumentos do inimigo de nossas almas. A verdade liberta, a verdade edifica, a verdade transforma. Deus é verdadeiro, Jesus é a verdade, a Palavra de Deus é a verdade. Nossa reflexão deve focalizar o que respeitável. Não devemos ocupar nossa mente com frivolidades ou atitudes irreverentes, mas no que é digno de respeito. A alegria do cristão não nasce no berço do que é chulo, mas na sua comunhão com o Espírito Santo. Devemos pensar em tudo o que é puro. Nossa imaginação não deve percorrer os lugares sujos da imoralidade, da impureza, da sensualidade. Deus não leva em conta somente nossas ações, mas também nossos pensamentos. Que o meditar do nosso coração repouse naquilo que é amável. Deus não permita que nutramos no coração pensamentos de julgamento precipitado e desejo de vingança. Deus nos chama a amar a todos. Que nossa criatividade seja usada para pensar em maneiras mais eficazes de expressar o amor de Deus aos outros. Somos exortamos a pensar no que produz boa fama. Que nossos pensamentos não nos levem a produzir ações que gerem condenação e desprezo. Se for necessário que falem mal de nós, que seja por causa de nossa lealdade a Deus. Mas não deixemos que a honra de Deus e do evangelho sejam comprometidas por pensamentos que se traduzem em má fama diante das pessoas. Na verdade, Deus, que sonda nossa mente e coração, deseja encontrar em nós somente aquilo que é digno de respeito e louvor.
Diante de um padrão tão elevado, quem pode dizer que consegue disciplinar sua mente para pensar somente o que é correto? Deus sabe quando deixamos nossa imaginação vagar pelos lugares sombrios do pecado e da impureza. Deus não está alheio ao que pensamos sobre as pessoas ao nosso redor nos recessos do nosso coração. Ao mesmo tempo, Deus nos convida a buscarmos sua presença. A dedicarmos esta capacidade maravilhosa do pensamento a Ele, cultivando a mente de Cristo.
Temos diante de nós um grande incentivo. Aqueles cristãos, como Paulo, que procuraram viver à altura de suas convicções e ofereceram um exemplo do que uma mente dedicada a Deus pode realizar. Os filipenses haviam sido instruídos na verdade e receberam-na de coração. Eles ouviram o evangelho e viram esse evangelho vivido na prática. Através da história da igreja, encontramos homens e mulheres de Deus que nos legaram o testemunho de que Deus é poderoso para nos transformar. Sendo assim, não nos conformemos com pensamentos indisciplinados. Consagremos nossa mente a Cristo, não permitindo que pensamentos outros ocupem o espaço que pertence de direito ao nosso soberano Senhor. Que a palavra de Deus habite ricamente em nós produzindo a prática de ações que glorifiquem a Deus. E, assim, experimentaremos a comunhão do Deus cuja paz enche nossos corações, alem de toda a imaginação.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Mas as CRUZADAS não provam que o cristianismo é tão violento como o islamismo?
Será que as CRUZADAS provam que o cristianismo é tão violento quanto o islamismo?
Definitivamente, NÃO! Quem utiliza esse argumento não se aprofundou no que foram as CRUZADAS, nem entende o que é o verdadeiro cristianismo. Vejamos!
As Cruzadas fazem parte de um período marcante da história universal, que perdurou nos anos 1096 a 1291. Eram campanhas expedicionárias, de cunho militar, neste período da idade média, construídas em cima do intenso misticismo e do pano de fundo religioso da era. Elas entrelaçaram a igreja católica medieval e os regentes civis daquela época. Inicialmente, eram excursões de resgate e apoio a cristãos perseguidos, mas rapidamente se transformaram em sucessivas tentativas de tomar o poder da “Terra Santa” – especialmente da cidade de Jerusalém, das mãos dos maometanos, ou muçulmanos.
Por que esse período foi importantíssimo? Porque além de ter durado dois séculos, essas intensas campanhas e ações, chamadas de “Cruzadas” refletem o rumo equivocado que imperava na igreja conhecida como cristã. A essa altura a igreja, no sentido abrangente, já estava descaracterizada, pelo relacionamento incestuoso com o poder civil, pela assunção de uma hierarquia doentia e concentradora de poder e pela absorção de práticas e de uma cosmovisão pagã que a levaram à descabida idolatria. Todas essas situações levaram os líderes da igreja a desviarem ela da sua missão na terra, que é eminentemente espiritual e não temporal, passando a ações e arregimentações de caráter militar contra poderes temporais que ameaçavam e fustigavam os feudos do clero. Essa guerra “contra a carne e contra o sangue” em vez de contra “as potestades das hostes espirituais”, conquanto com fundo místico e linguajar religioso, reflete o mesmo mal-entendido dos discípulos retratado em Mt 20.20-28, quando confundem o reinado pregado por Cristo com os governos deste mundo.
Assim, a luta dos cavaleiros das Cruzadas era por reinados na terra, mesmo. Quatro séculos depois, com a permanência e aprofundamento dessas distorções religiosas, no seio do cristianismo – representadas, de um lado, por um monasticismo isolacionista e do outro pelo envolvimento com o poder político e militar deste mundo – os reformadores foram levantados e impelidos, pelo Espírito Santo, a soarem o brado de retorno à simplicidade e às verdades do Evangelho. A Reforma do Século 16 levou a prédica e prática extraída tão somente da Palavra de Deus, abandonando a superstição, misticismo cego, engano e obscurantismo que caracterizaram a idade média, especialmente essa era das Cruzadas.
Historicamente, o início do período das Cruzadas é marcado por um apelo de Alexius I (1081-1118), regente em Constantinopla, que se sentia ameaçado pelo avanço dos maometanos, recebido pelo Papa Urbano II (1042-1099), em 1095. Urbano II lançou uma chamada geral a toda a "cristandade", prometendo plena indulgência (perdão de pecados) aos que participassem da expedição - só esse fato já demonstra como estava distorcida a Igreja medieval - pecados perdoados por decreto! O moto da convocação era – “É a vontade de Deus”! A partir de certo ponto o empreendimento mudou a sua feição original de resgatar Alexius e seu império, para a de uma campanha abrangente que visava resgatar os “lugares santos” ocupados pelos mulçumanos.
As Cruzadas foram largamente apoiadas pela nobreza européia, que via nelas a oportunidade igualmente econômica de adquirir territórios, espólios e riquezas. Alguns poucos nomes desta época, que se destacaram na história, foram idealistas religiosamente mal orientados. A primeira Cruzada reuniu em Constantinopla, os diversos exércitos que a compunham. Reorganizados, a partir de uma grande confusão inicial, partiram para conquistas, cidade após cidade (Nicéa, Dorileo, Icônio, Antioquia, Mosul), chegando, finalmente a Jerusalém em 1099. Godofredo de Bulhão foi nomeado “Protetor do Santo Sepulcro”. A “Terra Santa” torna-se, praticamente, um protetorado europeu e várias divisões políticas são estabelecidas, repartindo o território deste “Reino Latino” entre os conquistadores. Uma segunda Cruzada foi estabelecida recebendo sucessivas ondas de ordens rivais de cavaleiros, brasões e lealdades feudais típicas da idade média (Cavaleiros Templares, Cavaleiros de São João, Cavaleiros Teutônicos, etc.). Esses “cavaleiros” eram grupos organizados com leves características de expedições missionárias, compostos por monges, guerreiros, mercenários e, muitas vezes, apenas romeiros (peregrinos), que tinham como um dos propósitos “cristianizar” o oriente, se necessário pela força.
O relativo sucesso militar das Cruzadas até meados do século 12 deveu-se às constantes batalhas dos muçulmanos entre si mesmos. A fragmentação facilitava as vitórias e a manutenção das conquistas. A partir de 1171, entretanto, o Kurdo Saladim, que havia se declarado Mestre do Egito, começou a amealhar vitória após vitória unindo os maometanos. Esse exército unido ocupou Damasco e em 1183 ele sitiou o “Reino Latino”. Jerusalém foi invadida e derrotada. Este período de Saladim, entre a segunda e terceira Cruzada, é exatamente o que foi coberto pelo filme (2005) de Ridley Scott, chamado "Cruzada" (ironicamente, no original, Kingdom of Heaven, quando retrata guerras por Reinos na Terra).
Só para encerrar essa âncora histórica, quando a notícia da derrota infligida por Saladim chegou à Europa, outras Cruzadas foram organizadas, com líderes famosos como Ricardo Coração de Leão, mas nenhuma Cruzada seguinte conseguiu reconquistar Jerusalém.
Credita-se às Cruzadas, e aos resultados desastrosos delas, o abandono nos séculos subseqüentes dessas aventuras religiosas secularizadas, levando à concentração da religiosidade católica em estudos mais aprofundados de seus dogmas, dos livros apócrifos e das Escrituras. Isso resultou no Escolasticismo, que, em vez de gerar um enraizamento de doutrinas nas Escrituras, sistematizou, ao contrário, práticas pagãs e idólatras e um afastamento maior ainda do cristianismo verdadeiro. Mas foi nesse solo fértil e concreto, eivado de paganismo e carente de verdades que Deus providenciou o desabrochar da Reforma do século 16. Um outro efeito das Cruzadas, foi que a Europa foi despertada à rica cultura do oriente, após ter-se mantido fechada, no seu desenvolvimento intelectual, comercial e humano, durante a idade média. Essa situação levou a um incremento do comércio do leste com o oeste e ao surgimento do iluminismo intelectual.
O contexto das Cruzadas, então, foi o misticismo reinante na época – muito distanciado da religião verdadeira, já esmaecida pela introdução supersticiosa das relíquias e pela prática da idolatria. A ética e a praxis das Cruzadas não é retrato de cristianismo bíblico. Querer apresentá-las como um movimento espontâneo e genuinamente oriundo dos ensinamentos da Bíblia, é pura distorção histórica e fraude intelectual. No âmbito pessoal, lembremo-nos do chamado à participação nas Cruzadas – “É a vontade de Deus”. Até os dias de hoje, esse slogan tem sido utilizado para justificar as mais diversas ações, pessoais ou coletivas que não refletem preceitos divinos, mas ambição humana. Tenhamos cuidado e prendamo-nos à sua vontade revelada – A Bíblia – suficiente para nos guiar, nesta vida, em tudo que realmente agrada a Deus. E a violência, certamente desagrada a Deus, não faz parte da prática e da fé Cristã, é característica da falsa religiosidade.
Solano Portela
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
A ALMA FARTA PISA O FAVO DE MEL
O sábio escreveu: "A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27.7). Quem muito tem corre o risco de não valorizar o que tem. Quem muito recebe corre o risco de desprezar o que recebe. Muitos crentes estão tão acostumados a receber pão com fartura que se sentem insatisfeitos na casa do Pai e buscam as aventuras do país distante. Outros, porém, tendo pouco, com a alma faminta, consideram doces até mesmo as coisas amargas. Precisamos valorizar o que temos e sermos gratos por isso. Precisamos valorizar a família que Deus nos deu. Precisamos dar valor a igreja que frequentamos, se esta ensina com fidelidade e graça as Escrituras. Não é sensato pisar o favo de mel.
Hernandes Dias Lopes
É pecado dançar?
Algumas pessoas, quando perguntam se é pecado dançar, querem um trecho bíblico que explicitamente condena todo tipo de dança. Tais pessoas buscam em vão um versículo que não existe. Vamos ver o que a Bíblia diz sobre danças, e como julgar pela palavra de Deus as danças modernas.
Danças na Bíblia, como nos dias de hoje, não são todas iguais. Podemos ver, pelo menos, dois tipos de danças na Bíblia:
Œ Muitas danças foram uma expressão de alegria e de regozijo, até em louvor e celebração diante de Deus (2 Samuel 6:14-16; Salmo 150:4; Jeremias 31:4,13; Lamentações 5:15; Mateus 11:17; Lucas 15:25). Em algumas das citações do Antigo Testamento, parece que as mulheres dançavam separadas dos homens (Êxodo 15:20; Juízes 21:21-23; 1 Samuel 18:6).
Mas outras danças tinham um aspecto sensual, com intenção de agradar os homens. A filha de Herodias dançou de uma maneira que agradou aos homens na festa do rei, levando este líder a fazer uma promessa irrefletida (Marcos 6:21-28).
Nos dias de hoje, como pessoas governadas pela palavra de Cristo, devemos dançar?
Da mesma maneira que encontramos danças diferentes na Bíblia, podemos ver danças hoje com propósitos e estilos diferentes. Condenar toda e qualquer atividade chamada de “dança” seria uma postura indefensível em termos bíblicos. Não devemos fazer as nossas próprias leis em relação à vontade de Deus (Mateus 15:9).
Mas dentro da palavra de Deus, o que podemos observar?
Primeiro, devemos notar que danças não fazem parte da adoração ordenada por Deus no Novo Testamento. Como muitas outras expressões físicas de louvor (sacrifícios de animais, incenso, bater palmas, instrumentos musicais), danças de louvor pertencem à Antiga e não à Nova Aliança.
Segundo, devemos admitir que a grande maioria das danças praticadas hoje tem um elemento sensual. A não ser um homem dançando com a sua própria mulher num lugar privativo, a prática quase sempre envolve conduta, contato e pensamentos impróprios. Seja pelo toque íntimo do casal ou pelo movimento que destaca a sensualidade do corpo, o efeito da maioria das danças é incitar pensamentos impuros.
O servo de Deus faz morrer a impureza, a paixão lasciva e os desejos malignos (Colossenses 3:5). Seu compromisso com Deus o mantém longe de danças e outras atividades que provocam desejos e pensamentos errados.
por Dennis Allan
Aborto: Uma Perspectiva Bíblica
No Brasil, como em muitos outros países, a palavra “aborto” provoca fortes reações e gera discussão acalorada. Legisladores e juízes convocam testemunhas “peritas” (médicos, psicólogos, teólogos, etc.) para influenciar a política pública. Casos extremos, tais como a gravidez de jovens vítimas de estupro, são usados para injetar um alto nível de simpatia emocional nas discussões.
Mas esta não é uma mera questão emocional ou legal. Não podemos confiar nas autoridades do governo para decidir o que é certo e o que é errado em questões que envolvem a vontade de Deus. Governos humanos estão longe de serem perfeitos, e freqüentemente permitem coisas que Deus proíbe. Precisamos seguir o exemplo de Pedro e dos outros apóstolos: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).
Como deve ver o aborto uma pessoa que respeita a Deus e quer obedecê-lo? Será o aborto uma opção aceitável para resolver os problemas de gravidez indesejada? Será que os princípios bíblicos defendem o direito de uma mulher escolher o aborto?
Deus faz uma distinção
Desde a Criação, Deus fez uma distinção entre as diferentes formas de vida. Ele criou as plantas e os animais, e depois criou o homem. Este era claramente distinto das outras formas de vida pelo menos de duas maneiras: Œ o homem foi feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27), e o homem foi colocado acima de todas as outras formas de vida que Deus tinha criado na terra (Gênesis 1:28-30). Isso incluiu o direito do homem matar e comer plantas e animais (Gênesis 1:29-30; 9:2-3). Observe que o homem mata com permissão. Podemos matar uma bananeira, um frango ou uma vaca porque Deus nos deu permissão para matá-los.
Deus não nos deu permissão para matar seres humanos. Enquanto ele usa governos humanos para punir os malfeitores, especialmente os assassinos (Romanos 13:1-7; Gênesis 9:6), ele nunca deu para nós o direito de matar seres humanos inocentes.
Para defender biblicamente o ato de uma mulher e seu médico de tirar a vida de uma criança ainda não nascida, a pessoa teria que provar que ela é uma planta ou um animal, e não uma vida humana. Todas as espécies criadas se reproduzem segundo sua espécie (Gênesis 1:11-12,21,25,28). Sementes de maçã produzem macieiras. Cães produzem cães. Humanos produzem humanos. É impossível colocar um humano não nascido em alguma das categorias de vida que Deus nos permitiu matar. É nos permitido matar porcos inocentes, porém não humanos inocentes.
Debates sobre o aborto freqüentemente agitam esta questão, e as águas estão turvas pelos argumentos filosóficos e médicos. Alguns sugerem que a vida começa quando o feto é “viável” ou capaz de sobreviver fora do útero. Mas uma tal definição é artificial e está constantemente se alterando. Mesmo depois do nascimento, um recém-nascido é totalmente dependente da proteção e do cuidado de outros. Outras pessoas sugerem que a vida começa com a primeira respiração. É verdade que a vida de Adão começou deste modo (Gênesis 2:7) e que os corpos ressuscitados foram considerados vivos quando o espírito respirou sobre eles e eles se levantaram (Ezequiel 37:8-10; Apocalipse 11:11). Mas esses fatos não provam que uma criança ainda não nascida (Adão nunca foi um feto) não esteja viva, ou que Deus não reconhece o seu valor.1 Não podemos usar o caso excepcional da criação de Adão para justificar a matança de seus inocentes descendentes!
Aqueles que buscam indicações bíblicas para o começo da vida deverão considerar também o princípio em Gênesis 9:4 de que a vida está no sangue. Ao tempo em que a maioria das mulheres conseguem confirmar que estão grávidas, o sangue já está circulando no corpo do filho ainda não nascido. Deus não autoriza a mãe nem a ninguém a derramar o sangue dessa criança inocente.
É interessante observar o modo como são descritas na Bíblia as crianças em gestação. Dois fatos notáveis se tornam evidentes: Œ A linguagem usada para descrever a criança não nascida é a mesma usada para descrever a criança humana já nascida (veja Gênesis 25:21-22; Jó 3:3; Lucas 1:36 ,41,44,57; 2:7,12; Atos 7:29; etc.). Tentativas modernas de desumanizar as crianças em gestação referindo-se a elas como meras massas de tecidos ou fetos impessoais não são baseadas em princípios bíblicos. Deus reconheceu a importância das crianças desde antes de nascer. Ele freqüentemente falou sobre pessoas que foram escolhidas, mesmo antes do nascimento, para papéis especiais no serviços dele (Salmo 139:13-16; Isaías 49:1, 5; Jeremias 1:5; Gálatas 1:15).
Não há apoio bíblico para a idéia de que a vida de uma criança no útero possa ser destruída como se fosse nada mais do que um animal ou planta.
A vasta maioria dos abortos é feita por motivos inegavelmente egoístas. O grito de guerra dos que são favoráveis ao aborto reflete claramente uma devoção idólatra ao suposto direito da mulher de “livre escolha”. É o corpo dela, eles insistem, assim ela teria direito de decidir abortar ou não. Este não é o lema de preocupação amorosa e desprendida pelos outros (a criança não tem escolha!). É a divisa das pessoas egoístas que colocam sua liberdade sexual, progresso na carreira, segurança financeira ou sua própria saúde acima do bem-estar da criança que está no útero. Uma vez que ela concebeu, seus interesses egoístas devem dar lugar ao amor materno. Ela deve buscar o que é melhor para seu filho, e não para si. A mulher que mata seu filho demonstra egoísmo e uma falta de afeição natural, sinais claros de inimizade com Deus (2 Timóteo 3:2-5). A mulher que ama a Deus também amará seus filhos (Tito 2:4).
Durante décadas, os defensores do aborto têm usado casos emocionais para abrir as comportas e permitir o aborto ilimitado. O caso jurídico mais famoso até hoje2 foi baseado no testemunho de uma mulher que mais tarde admitiu que tinha mentido sob juramento, dizendo que tinha concebido como resultado de estupro. O fato foi que ela havia cometido fornicação e então queria matar o filho que tinha concebido.
Mas, ocasionalmente, há um caso real de uma vítima de estupro ou incesto que procura abortar. A pesquisa tem documentado que todos esses casos extremos (estupro, incesto, risco à vida da mãe, defeitos natos sérios) respondem por uma pequena porcentagem (provavelmente menos de 2%) de todos os abortos.3 Estupro e incesto são errados e os criminosos deverão ser punidos. Mas antes de nos atirarmos a uma conclusão emocional que justifique a matança de crianças antes do nascimento, considere como tais justificações são ilógicas e contra a ética. Suponhamos que alguém que você nem conhece invada sua casa e roube seu aparelho de televisão. Você teria, então, o direito de invadir a propriedade de seu vizinho e roubar o carro dele? Claro que não! A pessoa que roubou seu televisor cometeu crime contra você. Isto não lhe dá o direito de prejudicar seu vizinho inocente. Estupradores cometem um crime terrível contra mulheres e meninas inocentes. Isto, contudo, não justifica a matança de crianças inocentes.
Crianças mortas não são as únicas vítimas de aborto. Aqueles que tomam e executam a decisão de tirar vida inocente (mães, amigos e membros da família, namorados, médicos, etc.) sofrem muito tempo depois que o ato é praticado. Primeiro, têm que enfrentar o sofrimento espiritual de saber, apesar de todas as racionalizações e justificações, que o que fizeram era errado. Somente o arrependimento genuíno e submissão a Deus pode curar o dano espiritual feito em um aborto. Segundo, o aborto quase sempre causa problemas emocionais duradouros na vida daqueles que se envolveram, especialmente a mãe que nunca esquece da criança que ela resolveu matar. A pesquisa tem mostrado que os abortos freqüentemente causam problemas psicológicos severos, tanto imediatos como duradouros.4
O perdão é possível?
O trauma após o aborto é freqüentemente tão severo que a mulher ou seus cúmplices sentem-se imperdoáveis. É óbvio que não podemos desfazer os erros do passado. Mas o remorso que sentimos pelos pecados passados não precisa destruir o futuro. Não podemos ignorar o que fizemos ou simplesmente esquecê-lo. Precisamos voltar-nos para Deus e resolver o problema com seu auxílio: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2 Coríntios 7:10). Deus quer perdoar. Precisamos querer voltar humildemente para ele para receber perdão de acordo com os termos que ele determinou. Nosso alívio pode ser encontrado no mesmo lugar em que Paulo encontrou perdão depois de levar inocentes cristãos à morte: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 7:24-25).
– por Dennis Allan
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