quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quando Deus não é Suficiente

Quando Deus não é Suficiente

Scotty Smith
13 de Fevereiro de 2014 - Vida Cristã


“Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto enquanto não encontra repouso em ti” (Agostinho, Confissões).
“Há um vazio no coração do homem do tamanho de Deus que não pode ser preenchido por qualquer coisa criada, mas somente por Deus, o Criador, conhecido através de Jesus” (Blaise Pascal, Pensées).
Então, vieram ter comigo alguns dos anciãos de Israel e se assentaram diante de mim. Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração, tropeço para a iniquidade que sempre têm eles diante de si; acaso, permitirei que eles me interroguem? Portanto, fala com eles e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Qualquer homem da casa de Israel que levantar os seus ídolos dentro do seu coração, e tem tal tropeço para a sua iniquidade, e vier ao profeta, eu, o SENHOR, vindo ele, lhe responderei segundo a multidão dos seus ídolos; para que eu possa apanhar a casa de Israel no seu próprio coração, porquanto todos se apartaram de mim para seguirem os seus ídolos (Ezequiel 14:1–5).
O coração novo que temos em Cristo está ainda em processo de aperfeiçoamento, e quando Deus, de forma funcional, “não é suficiente”, nossas ansiedades e medos tomam conta, e então, saímos em busca de deuses projetados e pseudosalvadores. O que isso significa?
No início de Ezequiel 14, podemos escutar a conversa fascinante que ocorreu entre o profeta e Deus. Eis o contexto: Ao invés de apresentar e contar a história de redenção de Deus às nações, Israel havia sido gradualmente atraída para a adoração dos deuses das nações vizinhas.
O impulso de Israel à idolatria não aconteceu porque o povo ficou entediado com a liturgia de seu templo, encantado com a música das bandas de adoração nos templos pagãos, ou impressionado com a oratória do novo profeta cananeu que tinha acabado de se mudar para o bairro. Ninguém em Israel saiu em busca de um novo culto de adoração, mas de novos deuses que os servissem. O centro de sua adoração mudou de Deus para si mesmos. Eles começaram a adorar a adoração mais do que adoravam a Deus—isto é, o seu relacionamento com Deus se tornou utilitário ao invés de doxológico.
Quando a glória do único Deus vivo deixa de ser a nossa principal paixão na vida, a adoração se torna um veículo pragmático para realização de duas missões na vida: provisão e proteção. Ao invés de viver para a glória de Deus e buscá-lo para suprir nossas necessidades, passamos a existir para a nossa glória e a buscar deuses que satisfarão nossas exigências.
E como Deus reage a isso? Três fases se destacam para mim nessa passagem crucial—cada uma delas enfatiza o quão obstinadamente Deus nos ama em Cristo e quão incansavelmente ele busca o afeto de nossos corações.
O lamento de Deus: “Estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração”.
Nós somos bem capazes de levantar ídolos físicos em qualquer lugar. Mas quer seja um bezerro de ouro no pátio ou um carro novo na garagem, a principal habitação da idolatria é o coração do homem. As obras de nossas mãos ou as palavras de nossas bocas fluem simplesmente do que está acontecendo nos santuários de nossos corações. O clamor de Deus, e  mandamento, para nós é sempre “Dá-me, filho meu, o teu coração” (Provérbios 23:26). Ele terá os nossos corações, porque somente Deus é merecedor disso.
A promessa de Deus: “eu, o SENHOR, vindo ele, lhe responderei segundo a multidão dos seus ídolos”.
Apesar de sua paciência ilimitada, o amor de Deus por seu povo o impele a agir com poder e, se necessário, de forma dolorosa. Como Deus nos responde segundo a nossa idolatria? Deus permite que nós experimentemos as consequências sempre destrutivas resultantes da confiança nos ídolos. Somente quando os nossos ídolos falham conosco, é que nós começamos a entender a futilidade e a insanidade da idolatria (Isaías 44). A idolatria carrega um poder de cegar e escravizar. Apenas um poder tão grande quanto a graça de Deus pode acabar com os enganos e destruir as armadilhas da idolatria.
A esperança de Deus: “Para que eu possa apanhar a casa de Israel no seu próprio coração, porquanto todos se apartaram de mim para seguirem os seus ídolos”.
Conforme eu tenho sido guiado, e às vezes arrastado, no processo de transformação realizado pelo evangelho, poucas palavras de esperança têm tido tanto significado para mim quanto essas. Por que, às vezes, Deus torna a vida dolorosa para nós? Por que Deus escreve histórias que nós nunca escreveríamos; segue uma linha do tempo que nós nunca escolheríamos; e responde as nossas orações de tal maneira que nós pensamos que ele está nos rejeitando? Ele nos dá a resposta: “Para que eu possa apanhar a casa de Israel no seu próprio coração, porquanto todos se apartaram de mim para seguirem os seus ídolos”. Ninguém nos ama como Deus em Jesus—mesmo que seja necessário nos levar ao cativeiro da Babilônia para nos convencer disso.
O ciúme de Deus por nosso amor é o maior elogio que ele poderia nos fazer, e também o presente mais caro que ele poderia nos dar. Custou caro para Deus porque exigiu a vida e a morte do seu filho; custa caro para nós também porque significa que o amor de Deus nunca nos abandonará. Isso pode se tornar bem perturbador e confuso. Às vezes nós proclamamos: “Nada vai me separar do amor de Deus”, sem perceber tudo o que está implícito em tal declaração. O Deus de amor não tolerará o nosso amor pelos ídolos. Aleluia, e prepare-se.
http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/642/Quando_Deus_nao_e_Suficiente

É pecado o casal cristão casado ir a um motel?!

É pecado o casal cristão casado ir a um motel?!

 Pastor Denis de Oliveira

Quando se trata destes assuntos os evangélicos ficam mesmo divididos em suas opiniões particulares. Uns afirmam que não é pecado, mas ficam com medo de debater o assunto, pois não tem respostas. Já outros respondem que é pecado. Dizem que não é lugar de cristão, e chegam a afirmar que freqüentar um lugar desses é como ir numa casa de prostituição. Vivemos em uma época em que parte da crença evangélica vive uma das piores fases em termos de conhecimento bíblico e geral. Vivemos a era dos "achismos" e outros "ísmos" criados por aqueles que "sentem" que algo "não é de Deus". Pouco se lê das Escrituras, e a emoção misturada as revelações e outras manifestações de carater duvidoso, tomam conta cada vez mais de uma boa parcela da sociedade cristã, colocando medo e ameaças a quem ao menos pensar em liberdade cristã.
Versículos isolados, línguas estranhas (algumas muito estranhas mesmo), já são conhecidos dos que vivem uma pseudo-santidade.
Mas a saga dos legalistas parece não ter mesmo limites. Citar proibições, leis que não estão na Bíblia, é de uma hipocrisia de dar nojo. O crente tem o direito de não querer ir a um motel, mas julgar quem vai já o cúmulo. O termo MOTEL surgiu nos EUA como hotéis de motoristas na beira das estradas (Motorist Hotel = Motel). Nada tem a ver com casa de prostituição. Um casal em lua-de-mel, por exemplo, pode optar por hotel, pousada, chácara, etc. Sabendo que em todos esses lugares pode haver casais em adultério, traições, orgias, pois na recepção, ao alugar o quarto, nenhum recepcionista pede certidão de casamento a ninguém.
"Sabemos que somos de Deus e que TODO O MUNDO está no maligno". (1 João 5:19) Todo este mundo está contaminado, e não somente um motel ou hotel. Muitos alegam que o cristão deve escolher um "lugar santo". E como seria um "lugar santo"?! Dentro da igreja??? Num restaurante muitos incrédulos já passaram pelas mesas, ou quem sabe até o cozinheiro pode ser um ateu ou feiticeiro?! E no que isso poderia me prejudicar?? Em nada!!! Porque "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra". (Salmo 34:7) Há igrejas que proíbem beijo na boca, carícias, afagos, até mesmo entre os casados. Cada um deles citando razões e versículos sorteados da Bíblia sobre "santidade do crente". É um legalismo que coloca o cristão num verdadeiro "talebã" evangélico.
Muitos cristãos acham "sujo" ir a um Motel pelo fato de ali ter passado outros casais e ter que usar a mesma cama para o ato sexual. Ora, não estamos aqui falando de qualquer motel barato. Um bom Motel oferece limpeza, troca constante de roupas de cama, conforto, serviço de primeira, e não uma espelunca qualquer! O mesmo pode ocorrer se o casal, ao viajar ou em lua-de-mel, escolher um Hotel ou Pousada. A cama destes lugares não diferencia em nada para o ato sexual. Nenhum casal irá dizer: "-Olha, aqui é um HOTEL e não um MOTEL...por isso não teremos relações sexuais aqui..." Em algumas cidades os Hotéis são mais usados para encontros de casais do que propriamente os Motéis!
Outra resposta de muitos cristãos até sinceros é que não vão a um motel porque a Bíblia diz: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores". (Salmo 1) Ora, quando a Bíblia descreve "caminho do ímpio", refere-se a não seguir os pensamentos deste mundo, e não de ir a um local que ímpios também frequentam, pois do contrário não poderíamos entrar em supermercados, farmácias, restaurantes, etc. Jesus comia com pecadores e foi criticado. (Mateus 9:10-12) Ou seja, ele estava no mesmo lugar, mas o seu ideal era outro. Tanto que a Bíblia diz que Jesus é o "caminho". Esse caminho não é um LUGAR propriamente dito, mas seguir os mandamentos do Senhor que estão na Bíblia Sagrada.
Como pastor pentecostal quero deixar bem claro a todos os amados irmãos, que não podemos jamais usar da liberdade cristã para estrapolar e enveredarmos pelo caminho do pecado. Sabemos que realmente devemos viver em santidade e em constante oração. O que quero esclarecer aos amados irmãos é que não vivam a sombra do medo, obedecendo a dogmas de homens, e sim obedecer as Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus. Esta sim, nunca mudou, não muda, nem nunca mudará!
Obs.: A uns quarenta anos atrás, algumas igrejas proibiam: beber refrigerantes; mascar chiclete; usar perfume; usar shampoo; mulher não podia andar de bicicleta; mulher não podia ser vista conversando com homem; o casal de namorado não podia andar de mãos dadas; calça jeans era sinal de fraqueza espiritual; e além do paletó e a gravata, tinha que usar um chapéu! E quem não obedecesse a essas doutrinas era suspenso e excluído da igreja.
Muitos se agarram a versículos isolados da Bíblia e transformam em suas "doutrinas", sem ler o contexto do assunto. Por exemplo, a Bíblia diz: "Orai sem cessar". (1º Tessalonicenses 5:17) E será que "orando sem cessar" o cristão não irá mais trabalhar? Não terá mais seus momentos de lazer?? Esse "sem cessar" Paulo se refere a oração constante, contínua, sempre orando, e não a ficar orando direto sem parar num mesmo lugar. Sempre exorto a todos os amados irmãos a andarem conforme a PALAVRA DE DEUS, e não segundo as proibições dos homens, que constantemente estão mudando suas "doutrinas", ora proibindo, ora liberando outra vez.
“Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, é soberbo, e nada sabe”. (1 Timóteo 6:3)
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne". (Colossenses 2: 20-23)
“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus”. (Romanos 14:4,5)
"Fugi dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas". (Marcos 12:38)
"E dizem: Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde o dia todo". (Isaías 65:5)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.
http://pastordenisdeoliveira.blogspot.com.br/2013/11/e-pecado-o-casal-cristao-casado-ir-um_11.html

terça-feira, 12 de julho de 2016

O casal cristão CASADO pode tudo entre 4 paredes?

O casal cristão CASADO pode tudo entre 4 paredes?

"Desfrute a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol". (Eclesiastes 9:9)


"Desfrute a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol". (Eclesiastes 9:9)
Quando o assunto é sexo, as censuras e tabus na maioria das igrejas evangélicas retratam a severidade com que a maioria dos religiosos tratam o assunto. Muitos casais vivem hoje distantes da igreja, pensando seriamente em retornar, depois de realizar algumas fantasias "pecaminosas" com o cônjuge. Isso porque aprenderam que, se a relação sexual não for do modo tradicional "papai e mamãe", na finalidade única de gerar filhos, estarão cometendo um pecado terrível contra Deus. Usar uma lingerie que agrade ao esposo, realizar uma fantasia, um fetiche, é apontado por uma maioria religiosa como algo sujo, pornográfico, do demônio.

Conselheiros de igreja, alguns inclusive pregam fervorosamente em vigílias e consagrações, gritam no microfone sobre os "perigos" do casal e o sexo no casamento. Cria-se então uma espécie de medo e cobrança pessoal, e a opção encontrada por um casal de jovens é afastar-se da igreja, pois assim não estariam "brincando com as coisas de Deus", como advertiu o pregador.

É incrível como estes pseudo-conselheiros tem uma grande facilidade em amaldiçoar as pessoas, coagir, praguejar castigos, falar da "pesada mão de Deus", ao invés de abençoar, interceder, ou seja, salvar estas vidas, se elas realmente estiverem vivendo no pecado. Com um pouco de leitura, entendimento da bíblia, descobre-se que tudo isso não passa de um julgo pesado, alienador, que todos os dias afasta centenas de casais de inúmeras igrejas, que poderiam estar firmes. Ao invés de crescimento no Reino de Deus, criam um ambiente de insegurança, pois o sentimento de culpa rouba a fé.



Todos nós temos desejos sexuais. O sexo foi criado por Deus, e não pelo diabo. Óbvio que o casal cristão deve mesmo buscar a santificação, ter uma vida com Deus, jejuar, orar, ler a Palavra. Ninguém, mesmo o não-cristão, fica 24hs por dia pensando em sexo. Exceto aquele que tem algum problema, é doentio, mas isso já é outra coisa. A vida tem tantos problemas, no dia-a-dia, no trabalho, no próprio relacionamento com a pessoa que se casou, pois ter compatibilidade de gênios na convivência não é nada fácil. E diante de todas estas lutas da vida, quem fica o tempo inteiro pensando em sexo?! E aí, mesmo com os raros momentos que a pessoa tem para desfrutar no matrimônio, ainda tem que ouvir sermões condenando o sexo!

Me recordo que, em certa ocasião, um casal estava faltando muito a Santa Ceia, e já começavam a faltar as reuniões de domingo, e quando eles foram, eu e mais um casal do ministério chamamos para conversar no final do culto. O casal, um tanto sem graça, resolveu relatar que tinham "uma dúvida", se estavam ou não pecando. Resumindo: ela havia comprado uma lingerie, com espartilho, meia-calça, e resolveram se "afastar" um pouco da igreja devido a este "grave pecado". Sorrimos, mantemos sigilo, e quando falei que eles não tinham cometido pecado nenhum, voltaram a cear, e permaneceram firmes na igreja, como estão até hoje. 

Fui embora imaginando quantos casais, nas mais diversas denominações, principalmente as mais rigorosas, foram aos poucos se afastando, diminuindo a frequência, e depois se desviando totalmente da comunhão. Este casal ainda nos surpreendeu por detalhar algo de cunho íntimo. A maioria jamais fala. Como nas pregações sempre exorto a ninguém ir para casa com nenhuma dúvida, seja qual for, talvez isso os tenha motivado a resolver logo a questão.


A maioria das pessoas que condenam quase tudo no sexo (mesmo entre casados) são bons em apontar os outros, condenar, enumerar castigos divinos, mas nunca bons para responder. Se você fizer uma ou duas perguntas eles saem sem dar respostas, ou citam versículos isolados, que podem se relacionar a qualquer área da vida, tais como: "Sede santo, como santo é o nosso Deus"..."Tudo vos é lícito, mas nem tudo convém"...etc. 

E se você insistir em questões que os deixem confusos, chegam a dizer que o demônio está usando você para os interrogar. Afirmam que não gostam de polêmicas ou discussões, mesmo que tenham sido eles que começaram. É uma velha desculpa de quem não tem resposta.

A aplicação prática da "santidade no sexo", apregoada na igreja, não é obedecida em quase nada na maioria das denominações religiosas. Os "glórias" e "aleluias" no momento do sermão, servem para se passar uma aparente concordância a advertência. Depois do culto, tudo isso é esquecido. São pregações repetidas. Quem visita imagina estar ali um "povo santo", mesmo que não sejam todos, mas imagina-se ao menos a maioria.


Sermões proibitivos funcionam mais em cidades do interior. Quanto menor for a cultura do povo, maior é o medo, e consequentemente, a submissão. Em alguns casos chegam as raias do fanatismo. Há inúmeros casos nas igrejas em lugares mais pobres, de casais que só tem suas relações íntimas de luz apagada, embaixo de cobertores, fazem buracos nos lençóis, dormem em camas separadas, etc. Para alguns até o fato de citar o assunto "sexo" já é um pecado. As filhas não tem nenhuma instrução, ou diálogo. Geralmente os pais acham que a "oração de poder" resolve tudo. Muitas meninas, ainda adolescentes, engravidam do namorado que conheceram na escola ou na igreja. Lamentável.

No ano de 2002, quando escrevi o artigo afirmando que sexo oral não é pecado, o site que eu tinha (não era este blog) explodiu em visitas. Ninguém tivera, na época, a ousadia em escrever algo que torceria o nariz de muitos legalistas. Alguns criticaram, mas a grande maioria agradeceu o esclarecimento. Fiz, no artigo, uma pergunta: Se a boca é para louvar, orar, adorar, e as MÃOS? Não são usadas para imposição na oração, ungir com óleo?! E agora?? O casal cristão não pode também acariciar, e tem que colocar as mãos para trás?! 

Até hoje ninguém respondeu a esta pergunta. Os que discordam apenas vociferam frases carregadas de ódio, o que reforça a minha fé, que a religiosidade conduz a uma espécie de fanatismo involuntário. No artigo sobre o casal cristão poder ir a um motel, foi a mesma coisa. Mais um milhão de pessoas acessando, lendo, e agradecendo pelo artigo. E os críticos com o mesmo palavreado de sempre.


As proibições de muitas igrejas vão se tornando obsoletas com o passar dos anos. O que muitos condenam hoje estará liberado daqui a 10 ou 15 anos. As vezes menos. Depende do pastor, ou da convenção a que ele está ligado. Se você pesquisar a história de muitas denominações evangélicas, envolvendo os dogmas, as "doutrinas", os usos e costumes denominacionais, ficará estarrecido com o número de proibições que muitas igrejas tinham em seus estatutos internos, para não detalhar as coisas ridículas que eram proibidas, desde mascar chiclete, beber refrigerante, a ter televisão em casa, etc. 

SEXO ANAL

Dúvidas, dúvidas, e mais dúvidas. Esta parece ser uma marca registrada na cabeça de muitos evangélicos. Quase nunca há uma certeza nos assuntos íntimos, e muitos dos que se dizem contra o fazem apenas no receio de não terem a imagem prejudicada em um assunto que a maioria critica. Existe um porque de muitos condenarem o sexo anal. Vejamos:

Quando abordamos o assunto "sexo anal", o primeiro texto bíblico que vem a debate é Romanos 1:26-27:

"Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão". 

Se estudarmos o contexto destes versículos, vamos descobrir que Paulo se referia aos bacanais públicos e oficiais de Roma. A orgia era parte oficial da instituição. É só ler com um pouco mais de atenção que você vai perceber. César tinha relações com todas as mulheres que queria e também fazia-se mulher para muitos homens. Tudo era permitido! Ele definitivamente não estava falando de sexo anal entre marido e mulher com consentimento e prazer mútuo.

A versão da Nova Bíblia Viva não nos deixa dúvidas:

"Esta é a razão pela qual Deus os entregou a paixões pecaminosas, a tal ponto que até suas mulheres se voltaram contra o plano natural que Deus tinha para elas e cederam aos pecados sexuais entre elas mesmas". 

Sugiro então que não use mais este texto para condenar o sexo anal.

Outro versículo que também gera debate é 1º Coríntios 6:9-10:

"Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarento, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus".


Sodomita. Essa palavra tem origem na descrição Bíblica de Sodoma e Gomorra. A interpretação mais difundida desse texto é de que o pecado de Sodoma seria o sexo entre homens, no entanto, estudos bíblicos mais recente entendem que o pecado de Sodoma é a injustiça e a anti-hospitalidade. Outra teoria diz que o motivo da ira Divina sobre Sodoma e Gomorra, era o abuso sexual e a intenção de fazer o mal ao próximo. 

Esses estudos, pregam que os sodomitas eram tão perversos que desejavam humilhar os forasteiros, abusando-os pela simples razão de serem estrangeiros. E dizem ainda que a intenção dos habitantes pode ser entendida apenas como vontade de fazer o mal. Mais uma vez não podemos afirmar que esta palavra se refere ao sexo anal feito entre marido e mulher com consentimento mútuo e prazer. [Pastor Oliveira de Jesus].

Guarde um bom conselho que serve para todas as áreas de sua vida: Tudo o que é exagerado, vicioso, é prejudicial. Há cristão que quando descobre que ir à praia não é pecado, começa a ir todos os dias que pode. Até o dia que quase se afoga, e volta a dizer que a praia é "do demônio". Tudo o que você e seu esposo ou esposa fizerem, façam de comum acordo. Se achar que algo é pecado, então que não façam, mas não transforme isso em uma regra moral coletiva. 

É impressionante como uma pessoa cristã pode basear o seu conceito sobre pecado em pesquisas mundanas. Falam tanto de serem "diferentes do mundo", que "o mundo nada tem de bom", etc, e quando querem ter respaldo para criticarem o sexo oral ou anal, baseiam-se em "pesquisas científicas realizadas", afirmando que isso ou aquilo traz doenças, etc. Há pessoas que tem em sua natureza a herança genética para desenvolverem doenças até quando só praticam o sexo tradicional. E como já afirmei e repito, tudo o que é feito de forma exagerada, viciante, doentia, com certeza causa problemas.


Coloque sempre a sua vida no altar. Ore bastante, pois a oração é a respiração do cristão. Leia a Palavra de Deus e estude, procure compreender, leia bons artigos, e não fique alienado a pregações aleatórias. Muitas pessoas pregam mais o que acham do que o diz a Bíblia. Muitos já tem uma força de hábito em afirmar no microfone que "Deus está mandando dizer" as coisas que ele pregou, e isso raramente condiz com a realidade.

Consagre sua vida, você e seu cônjuge. Seja fiel a Deus. Não existe coisa melhor do que ter uma vida consagrada. E isso não significa ser um crente ranzinza que condena tudo e todo mundo. Muito pelo contrário, é ser liberto das garras do religiosismo, que aniquila a fé, e causa a apostasia.

"Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão". (Gálatas 5:1)

"Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, é soberbo, e nada sabe". (1º Timóteo 6:3)

Denis de Oliveira é Pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.


http://pastordenisdeoliveira.blogspot.com.br/2014/11/o-casal-cristao-casado-pode-tudo-entre.html

sábado, 9 de julho de 2016

Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram…

Mas, como está escrito:As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam.  1 Coríntios 2:9
Pensamento: Pra mim esta é a palavra mais perfeita e mais maravilhosa !!! É incrível pensar que já vimos tanto da bondade de Deus, como a criação do mundo, a natureza com tantas coisas lindas, o amor de Deus revelado por nós através de Cristo Jesus, os milagres, e tantas outras coisas. Mas mesmo assim, esta palavra nos diz, que nem sequer tudo isso que já testemunhamos, se compara com o que Deus ainda têm para mostrar aos que o amam. Que coisa tremenda é imaginar que vamos poder provar de tudo isso que Deus tem preparado pra nós.
Oração: Obrigado Senhor, sabes minha paixão para com essa palavra, sei que o céu e a vida eterna, estão muito além da minha capacidade de pensamento, e que será muito melhor do que tudo que sou capaz de imaginar. Esta esperança de viver no céu com o Senhor é o meu maior motivo de alegria nesta vida, a alegria da salvação não tem explicação. Obrigado Deus. Eu oro em nome de Jesus. Amém.
https://seminaristas.wordpress.com/2015/06/11/nem-olhos-viram-nem-ouvidos-ouviram/

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão…

“Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.” Isaías 55:2
Pensamento: 
Não perca tempo com o mundo, não gaste tempo com o mundo, você é peregrino nessa terra. Temos necessidades sim, que devem ser supridas, para isso não deixamos de trabalhar e proporcionar sustento e até mesmo conforto, para nós e nossa familia. Mas façamos tudo para glória de Deus, façamos tudo com excelência, pois estamos fazendo para o Senhor. Coma do que Deus tem para sua vida, edifique-se na palavra de Deus, e certamente você se deleitará com os mais finos manjares de Deus.
Oração: 
Pai querido, retira de mim todo apego exagerado as coisas deste mundo, ensina-me a acumular tesouros no céu, e a confiar que o Senhor é a fonte do meu sustento e nada me faltará. Obrigado porque o Senhor me convida a experimentar dos Seus finos manjares.
Extraída do Blog dos Seminaristas:   https://seminaristas.wordpress.com/2015/03/19/por-que-gastais-o-dinheiro-naquilo-que-nao-e-pao/

Reflexão - Isaías 40:31

Reflexão - Isaías 40:31
Essa passagem nos diz: que não importa o quão forte ou independentes sejamos, não podemos realizar nada sozinhos. Deus nos dá o livre arbítrio para irmos e tentarmos, porem há momentos em que temos que parar de tentar e voltar para Ele e dizer:
 “Deus, eu não posso fazer isso sozinho eu vou esperar pelo Senhor. ”
Deus está esperando por essas palavras, mas muitas das vezes elas não são ditas até que esgotemos todas nossas próprias ideias (sem resultados). Precisamos aprender a não ser impaciente, mas para esperar no Senhor, porque é só esperando que encontramos as promessas de Deus.
Quanto mais tempo vive um verdadeiro cristão, mais ele percebe que tudo está nas mãos de Deus.
Esperar no Senhor requer a verdadeira fé, e aqueles que confiam Nele, renovarão as suas forças.
Esperar no Senhor muitas das vezes exige passar pelo fogo, e assim mesmo continuar confiando em Deus que Ele vai nos sustentar, mesmo através das dificuldades e então, subiremos com asas como águias.
Esperar no Senhor exige ter confiança, naquilo que sabemos que Ele cuidara de nós. E então correremos e não nos cansaremos, andaremos e não nos fatigaremos.
Assim como o filhote de águia, em seu ninho não podem fazer nada, a não ser esperar até que a águia mãe retorna ao ninho para trazer o alimento. Da mesma forma precisamos ficar no “ninho” e confiar que Deus vai nos trazer o sustento e em seguida, aceitar o que poderá vir, porque sabemos que é para o nosso próprio bem.
Que Deus possa lhe dar paciência e maturidade cristã, para esperar o tempo certo nas decisões de sua vida.

Extraída do Blog dos Seminaristas: https://seminaristas.wordpress.com/2016/07/03/isaias-4031/

terça-feira, 5 de julho de 2016

'Viver sem igreja está errado', afirma Augustus Nicodemus sobre os 'desigrejados'

'Viver sem igreja está errado', afirma Augustus Nicodemus sobre os 'desigrejados'

Nicodemos ressalta que este grupo prefere fazer suas atividades religiosas em casa: “Está desiludida da igreja"

O Reverendo Augustus Nicodemus explica o que são os “desigrejados” e sua opinião sobre esse grupo. “Vamos começar definindo os desigrejados, né? Porque esse termo é muito amplo e há diversos tipos de desigrejados. Você pode chamar de desigrejado aquela pessoa que frequentou alguma igreja e teve uma decepção ou receou-se ou se frustrou com alguma coisa, algum problema pessoal e se afastou da igreja”, inicia.

Nicodemos ainda ressalta que este grupo prefere fazer suas atividades religiosas em casa. “Está desiludida da igreja. Prefere ficar em casa, em casa lê a bíblia e ora. Tenta levar a vida cristã sozinha. Ela se alimenta do que ela ouve na internet, sermões, vídeos, pregações, mas ela não quer saber de frequentar uma igreja por causa dessa decepção que ela teve”, comenta.

“O termo desigrejado também é usado hoje por um movimento que conscientemente ataca a igreja como instituição, que diz que a igreja é uma instituição humana, que ela tem origem em Constantino, o imperador que legalizou o cristianismo como religião oficial no Império Romano. Que a igreja acabou virando quase que uma empresa, porque ela está presa a um templo, está presa a um CNPJ, ela tem regulamento, ela tem pessoal pago, ela pede o dízimo, ela vive de ofertas dos fieis”, continua o Reverendo.

“E ai há muitas críticas que são feitas a igreja como instituição. E esses desigrejados se reúnem em casas, se reúnem em grupos em qualquer lugar, em qualquer situação e evitam a institucionalização desse grupo”, pontua Nicodemus.

“Essa ideia não é nova, bem antes do movimento de desigejados moderno, na história da igreja, nos encontramos, por exemplo, irmãos, nos encontramos grupos dentro da reforma protestante que queriam uma organização informal ou com quase nenhumas organização em suas comunidades e assim por diante”, adicionou a sua explicação.

Logo após explicar, Nicodemus dá sua opinião sobre o assunto. “O que nós dizemos é o seguinte, sem dúvida nenhuma. Na hora que as igrejas se institucionalizam e viram empresas, alguma coisa está errada. Mas, a comunidade de cristãos precisa de um mínimo de organização. Jesus mandou batizar, Jesus mandou discipular, Jesus disse que tinha de ter disciplina, que se o irmão pecasse e não se arrependesse tinha de ser excluído, Jesus falou da liderança da igreja, o apóstolo Paulo constituía presbíteros e diáconos. Então, tudo isso implica um mínimo de estrutura para que você obedeça essas ordens do Senhor Jesus”, explica.

“Viver sem igreja está errado. Tentar ser crente em casa, sozinho, tá errado também. Criticar a igreja organizada, como se ela fosse a mãe de todos os males, tá errado, é ingratidão e desconhecer a história da igreja também. O que devemos fazer é reconhecer a necessidade de estarmos juntos com nossos irmãos e obedecemos o que Jesus mandou em termos de membresia. Nos edificar mutuamente, termos nossos mestres que ensinam a palavra de Deus, contribuir para o funcionamento da comunidade e assim por diante, mas jamais deixar a igreja e achar que ela é desnecessária para a vida do Cristão”, finaliza.

Assista o vídeo na íntegra




http://joseivanbarbosa.blogspot.com.br/2016/07/viver-sem-igreja-esta-errado-afirma.html

Cristianismo Hoje entrevista - Caio Fábio

Depois de vários anos sumido do noticiário nacional, o pastor Caio Fábio D’Araújo Filho voltou às manchetes no fim do ano passado. Réu na ação movida contra ele por conta do episódio conhecido como Dossiê Caimã – conjunto de documentos falsos que, pouco antes da eleição presidencial de 1998, acusava altas figuras do governo de ter contas secretas naquele paraíso fiscal –, Caio foi condenado por uma juíza federal a pouco mais de três anos de reclusão. Cabe recurso, e o pastor já avisou que vai até às últimas instâncias. “A juíza quer aparecer”, ataca, sustentando a mesma versão que conta desde o início do imbróglio: a de que foi envolvido inocentemente numa conspiração política. Essa parte de seu passado, bem como muitas outras, já não são conhecidas pelas novas gerações de crentes. Contudo, os evangélicos mais maduros sabem que Caio foi a mais destacada liderança evangélica já surgida no país, cuja visibilidade, catapultada por uma ação ministerial intensa – como a criação da organização Visão Nacional de Evangelização, a Vinde, e da Fábrica de Esperança, megaprojeto social que atendeu centenas de milhares de carentes num conjunto de favelas do Rio –, marcou época entre os anos 1970 e 90.

Hoje, Caio olha para esse passado com serenidade. Ele diz que não repudia nada do que fez, mas que não quer mais saber de ser a figura pública, aclamada e requisitada de outrora. “Esse tempo acabou definitivamente para mim. Minha alma não tolera mais a possibilidade dessa vida itinerante”, diz, em sua casa em Brasília. Cercado de árvores, jardins e recantos, é dali que ele grava os programas que exibe pela internet, parte importante das atividades do Caminho da Graça, ministério que hoje capitaneia. Tida como uma igreja de perfil alternativo, o grupo reúne-se em várias cidades brasileiras e, segundo Caio Fábio, procura restaurar o sentido da comunhão cristã. “Ele é um movimento conduzido pela Palavra e pelo Espírito Santo. Queremos que  invada a massa, abranja tudo e se torne incontrolável como o vento que sopra onde quer”, diz, com a retórica privilegiada que conquistou milhões de admiradores e fez sucesso em mais de 100 livros publicados. De certas experiências do passado, ele não esconde a dor – como a separação de sua primeira mulher, Alda Fernandes, com quem teve quatro filhos, e a trágica morte de Lukkas, o terceiro deles.  Contudo, embora muito criticado e contestado ao longo desses anos todos, ele assegura, “diante de Deus”, que não sente mágoa de ninguém. Aos 57 anos de idade, casado com Adriana Ribeiro, Caio Fábio D’Araújo Filho se diz em paz. “Eu sou livre. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Hoje, sirvo ao Senhor e não preciso perder o meu ser, a minha saúde, a minha paz, o meu convívio familiar. Isso é graça de Deus para mim!”
 

CRISTIANISMO HOJE – Recentemente, o senhor voltou ao noticiário com a notícia de sua condenação no processo que investiga o episódio do Dossiê Caimã. Como ficou esse processo?

CAIO FÁBIO D’ARAÚJO FILHO – Meu advogado entrou com recurso e eu ganhei. Agora, deve seguir para outra instância. Esse processo é uma loucura inominável. Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que seria o maior prejudicado se a história fosse verdadeira, já veio a público me isentar de qualquer culpa.

Se sua inocência é tão óbvia como diz, por que um assunto praticamente esquecido pela opinião pública foi trazido novamente à tona?

Por iniciativa de uma juíza federal que gosta de aparecer. Como o episódio foi um fato histórico que envolveu até a Presidência da República, ela quis ser a mulher que decretou a prisão do indivíduo que seria o boi de piranha daquele negócio todo. Um grupo de advogados amigos de São Paulo queria até entrar com uma representação contra ela perante os conselhos de Magistratura, porque acharam que ela passou dos limites. Mas o advogado que me representa nos autos não deixou.
A quem interessaria uma condenação sua?

Ah, interessaria a muitos religiosos. O próprio pessoal da imprensa que me ligou disse que isso é uma coisa surreal, que aquela mulher é doida. Ninguém acredita em nada daquilo. Só a Folha de São Paulo é que deu com um destaque maior por uma razão política que eu não vou dizer aqui. E a TV Record [ligada à Igreja Universal do Reino de Deus], por razões óbvias. Estou junto como réu ao lado de Paulo Maluf e Lafayette Coutinho. No entanto, só eu fui condenado! Mas olha, se, por algum motivo totalmente inexplicável, esse negócio chegar ao Superior Tribunal de Justiça, será liquidado lá. E, se por alguma insanidade passar e for ao Supremo, vai morrer na praia.
O senhor trabalha com a hipótese de uma condenação definitiva?

Se, por alguma conjunção cósmica totalmente irracional, eu for mesmo condenado a prestar serviço comunitário ou fazer ação social, eu vou dar um grande “aleluia”, porque estarei sendo condenado a ser eu mesmo, a fazer o que sempre fiz esses anos todos, por minha total iniciativa.

O senhor concebeu e liderou um dos maiores projetos de cunho social de iniciativa de evangélicos já feitos neste país, a Fábrica da Esperança, considerado o maior do gênero na América Latina. Com esta credencial, como o senhor avalia a relativamente pequena atuação da Igreja brasileira na área social, ainda mais evidenciada quando consideramos as altíssimas somas de dinheiro arrecadadas pelos grandes ministérios e denominações?

Não existe nenhum grupo mais ególatra dentre todos os movimentos religiosos planetários do que o movimento evangélico. Isso por causa da semente dele – a semente é má, é de divisão. A semente original, de protesto contra a Igreja Católica, transformou-se numa semente de protesto existencial contra tudo. Essa divisão criou a ênfase no dogma doutrinário. Isso divide, qualquer que seja o desencontro, em qualquer nível na escala de valores. Falta tolerância naquilo que não tem significado para a salvação, no que não altera o DNA do Evangelho. Esse tipo de tolerância no olhar nunca existiu. O que se instituiu foi a prevalência do existencialismo espiritual, e esse não lida com as categorias objetivas de valor. E logo o chamado movimento protestante virou esse guarda-chuva evangélico, sob o qual cabem todas as coisas. Quando é que pode haver unidade e serviço ao próximo se, no meio evangélico a unção para nada serve senão para erigir egos? A unção do Espírito Santo deve redundar no amor, na compaixão, na misericórdia, no serviço – mas a “unção” que vemos aí só tem poder para criar lúciferes com purpurina na cara, que atuam em palcos com luzes.

Em função deste e de vários outros projetos e iniciativas, o senhor levantou muito mais recursos do que o de diversos líderes de hoje, que estão até comprando aviões particulares.  À época, o senhor teve o seu?

Nunca tive avião ou helicóptero. Faz parte da minha filosofia não adquirir nada. Nem esta casa onde vivo eu comprei, ela me foi alugada a um valor simbólico por três senhoras amigas. Eu nunca comprei coisa nenhuma, nunca acreditei em compra de nada. O Caminho da Graça nunca vai comprar nada. Creio que imobilizar dinheiro do povo de Deus com patrimônio físico é pecado. Quem diz que a nossa pátria está nos céus e faz aquisições poderosas ou erige templos salomônicos está pecando contra o espírito do Evangelho. Tudo o que eu construí e mantive era alugado. Passei 25 anos declarando que não tinha o menor compromisso com a manutenção de coisa alguma que virasse um fim em si mesmo. Quando você é dono de propriedades, você acaba vivendo para fazer a manutenção de tudo e as coisas perdem a finalidade.

E o senhor vive de quê?

Sempre vivi exclusivamente do ministério. Todos os direitos autorais dos meus livros e a renda obtida com nossas atividades no passado – TV, rádio, revista, editora – era voltada para a atividade missionária, social, evangelizadora e de treinamento. Era tudo reinvestido naquilo que fazíamos. E continua sendo assim hoje.

Quem o ouve falar percebe que o senhor faz questão de traçar uma linha divisória entre o que é hoje e o que fez, em especial em relação ao seu passado institucional, quando era uma figura pública dentro e fora da Igreja. Há algo que o senhor repudia em seu passado?

Não. Eu nunca rechacei meu passado. Só não faria de novo. Naquela época, contudo, foi necessário. Só de uma coisa me arrependo no meu passado institucional: ter aceitado a imposição de ter sido feito presidente da Associação Evangélica Brasileira [AEVB], pela qual eu mesmo trabalhei muito para ver criada. Eu não queria a função, mas fui eleito por aclamação. Praticamente me obrigaram a aceitar, porque a entidade surgiu com o patrocínio da Vinde. Noventa por cento da AEVB estavam ligados aos ministérios que eu dirigia. Eu não queria e nem precisava presidir a AEVB. Pelo contrário – eu é que dei mídia para ela.
Mas a AEVB não cumpriu um papel importante na época? Afinal, ela esteve à frente de movimentos marcantes dos anos 90, como o Celebrando a Deus como Planeta Terra, o Rio Desarme-se e o Reage Rio, entre outras mobilizações que contaram com o apoio dos evangélicos.

Quando se criou a AEVB, a gente já havia perdido tempo demais discutindo o sexo dos anjos. Já estávamos correndo no vácuo do prejuízo. Esperamos muitos anos num processo lento, de muita conversa infrutífera. A AEVB só surgiu em 1991, depois que o [bispo Edir] Macedo já havia começado a dar as cartas do neopentecostalismo brasileiro. A AEVB foi criada com apoio desse pessoal que agora fundou a Aliança Cristã Evangélica Brasileira e de outros, mas ninguém botava dinheiro, ninguém se mobilizava para fazer nada.

O senhor foi convidado a participar da Aliança?

Não fui convidado, e mesmo se fosse, não iria, porque não acredito mais nisso. Todos esses irmãos queridos que estão lá sabem que eu sempre quis ser livre para dizer o que eu queria.  Esse tipo de iniciativa tinha que ser criada bem antes, lá no início dos anos 1980, quando havia muita gente séria, respeitável, de corações generosos. Isso tinha de ser criado logo depois do Congresso Brasileiro de Evangelização, em 1983, que para mim foi o maior evento representativo da história da Igreja brasileira. Ali ocorreu a grande oportunidade de unidade. As almas ainda estavam ingênuas, puras, sinceras. A teologia da prosperidade não existia por aqui, o que prevalecia era a teologia da missão integral. Havia uma quantidade enorme de pastores piedosos e desejosos de ver o melhor de Deus acontecer neste país. Creio que, àquela altura, ainda dava tempo de a Igreja ter um papel de relevância e significado, Ainda dava para virar as coisas e não perder os significados do termo evangélico.
A sua separação foi um acontecimento público, que envolveu adultério. Naquela época, isso ganhou enorme peso perante a Igreja. No entanto, já àquele tempo diversas denominações já ordenavam pastores divorciados e encaravam a questão de forma liberal. Também são muitos os exemplos de pastores famosos – alguns, líderes de denominações – que se divorciaram em condições semelhantes às suas, mas a repercussão em nada se aproximou do tratamento que lhe foi concedido. Por que o seu caso, até hoje, suscita tanto escândalo? O senhor se considera perseguido?

Eu daria três razões para este tratamento especial e a grande comoção que o episódio causou. Em primeiro lugar, a minha situação para essa moçada toda foi insuportável. Ministerialmente, eu funcionava como uma espécie de foice, rodando em cima de cabeças conceituais. Toda vez que aparecia um maluco – e eu nunca precisei nominar os malucos, apenas expunha seus erros e dizia que o Evangelho era de outro jeito –, essa foice cortava logo aquela cabeça, o cara virava herege. Por isso, todo mundo tinha medo de que minha opinião conceitual colocasse alguém em situação difícil. Eu tenho certeza absoluta da quantidade enorme de gente que torcia por uma fragilidade de minha parte justamente por causa desse papel que eu exercia. E esse não foi um papel que eu pleiteasse ou buscasse; ele aconteceu espontaneamente. Foi Deus que fez isso por sua graça, eu só estava pregando o Evangelho, que, aliás, é o que eu sempre fiz.

Então, o senhor acredita que parte desta liderança que ai está não teria o espaço que tem se não fosse a sua saída do cenário? Seu espólio foi negociado?

Com certeza. Não preciso falar nada. Basta ver até 1998 quem era quem e o que aconteceu de 2000 em diante. Quer ver uma coisa? Logo depois do que aconteceu, diante daquela comoção toda sobre o que tinha acontecido comigo, houve uma reunião de 300 pastores em São Paulo especificamente para tratar sobre quem ia ficar com qual parte do meu despojo, para saber quais eram os espaços que eu havia deixado abertos e quem deveria ocupá-los. E foram milhares que também fizeram isso. Não quero nem falar de traição, porque no meu coração já estão todos perdoados, mas se eu abrisse a boca ninguém ficava em pé.  Esta foi uma razão. Em que pese o fato de que eu cometi um ato pecaminoso de traição e infidelidade, isso está longe de ser a causa principal da grande comoção. Sabe qual foi a causa? Eu ter tomado a iniciativa de contar tudo, ou seja, por minha vontade expor tudo em verdade, sem que qualquer coisa tivesse sido descoberta por ninguém. E eu que ouvia a confissão de tantos deles e sabia de suas fraquezas, das promiscuidades… E, depois, estes mesmos iam à TV bater em mim confiando na minha integridade, pois sabiam que eu não os exporia.

E a terceira razão foi que, naquele momento, eu aproveitei a oportunidade e pulei fora do barco. Este foi o elemento mais doído de todos. A Igreja Presbiteriana me propôs uma discipina como condição para minha restauração. Eu respondi que não estava pleiteando nada, e que estava me desligando da denominação unilateralmente. Eu não queria mais ser parte daquilo. Escrevi três cartas e eles não aceitaram nenhuma.  Pensei: “Meu Deus, isso aí não é a máfia, da qual o camarada só sai morto”! Depois me propuseram dar o tempo que eu julgasse necessário e que, depois, se eu quisesse voltar, seria restaurado e estava tudo certo. Mas eu disse que não queria.

O que passava pela sua cabeça naquele momento. O que o senhor desejava? Para onde queria ir?

Eu queria vir para cá! Queria voltar aos meus 18 anos... Eu nunca quis ser pastor ordenado. Eu sabia quem eu era e que Deus tinha me ungido. Sabia que isso tinha vindo do céu, e que não dependia de ninguém. Foi a Igreja Presbiteriana que disse que não era possível que eu, aos 19 anos, em Manaus,  fosse considerado pastor pela cidade inteira,  pregasse a Palavra sem ser ordenado pastor e sem aceitar ir para ao seminário.

Então a questão crucial foi a rejeição?

Sim. Eles agiram passionalmente. Era como se dissessem: “Nós amávamos esse cara e ele decidiu não ser mais parte do nosso grupo”. E, conquanto eu estivesse fazendo aquilo sem que, na minha mente, quisesse ofender nenhum daqueles irmãos, o que eu não queria era, depois do acontecido, ter de me curvar a nenhum tipo de restauração humana, mentirosa, hipócrita e plástica que queriam me oferecer. Eu sabia que o único a me restaurar era o Senhor. Eu não aceitaria nada que não viesse daquele que me ungiu e sabendo que entrar naquele esquema era vender a minha alma. Então, eles aproveitaram essa minha atitude para vender ao povão a ideia de que eu estava rebelado contra a comunhão dos santos e o amor dos irmãos.

Ao longo dos anos, foram construídos certos mitos a seu respeito e que o rotulam como extremamente liberal e até antibíblico. Um deles é de que o senhor, devido ao que lhe aconteceu, seria um incentivador de divórcios, em especial de pastores. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Isso é uma suposição absurda. Já haviam acontecido milhares de separações de pastores antes da minha. E muita dessa gente vinha me contar os dramas conjugais e chorar as mazelas comigo. Então, é hipocrisia dizer que o que me aconteceu é que abriu as portas para que outros pastores adulterassem ou largassem da mulher. Essa percepção a meu respeito é suscitada pelo diabo na cabeça de muita gente doida. Eu nunca defendi o divórcio. Defendo que continuem casados aqueles que se amam, mas que todos aqueles que se fazem mal, que se machucam, que se ferem e se odeiam, não deveriam estar casados, pelo bem de suas almas. Sempre aconselhei todo mundo a não adulterar, a não trair a mulher. Quando cheguei aqui em Brasília, no meu primeiro ano o que eu mais fiz foi atender pastores e mulheres de pastores que queriam se divorciar e vinham me pedir aconselhamento. Gente de tudo quanto é igreja – batistas, assembleianos, presbiterianos, pentecostais. Na medida do possível, ajudei esse pessoal todo a não se divorciar. Eu dizia a quem me procurava com casos extraconjugais: “Sai dessa, você vai se estrepar com essa amante”. O que Deus uniu, que o homem não separe; e o que Deus não uniu, que não se ajunte, porque vira uma desgraça. O que me aconteceu foi, isso sim, um ato pecaminoso, de traição e de infidelidade. Um pecado diante de Deus e perante a mãe dos meus filhos. Mas o que me aconteceu não teria derrubado nada que já não estivesse demolido. É ridículo dizer que meu caso serviu de legitimação para os atos de quem quer que seja.
Por falar nisso, como é sua relação com Alda Fernandes, sua ex-mulher?

Ela é minha amiga. Passamos o último Natal juntos. Estamos sempre com nossos filhos e netos.
Quando seu filho Lukkas morreu atropelado, em 2004, houve quem atribuísse a tragédia e um juízo de Deus sobre sua vida. O que o senhor sentiu na época e como lida hoje com as pessoas que o criticam?

Só tive coração para a dor e a saudade pela partida do meu filho. Nada do que soube que disseram teve poder de gerar qualquer coisa ruim em mim. O que senti naquele momento foi paz, e se todos os meus filhos morressem, a minha resposta seria a mesma. E tem mais uma coisa – não existe ninguém, nenhum ser humano, que eu não tenha perdoado. Digo isso diante do Deus vivo e dos principados e potestades malignas. Meu coração nunca dormiu com ira em relação a ninguém, eu não tenho ódio nenhum para contar. Não tenho inimizades contra pessoas. Por outro lado, tenho opiniões a dar sobre ideias e conceitos equivocados de quem quer que seja. Não é por causa do fato de eu não ter inimizade pessoal por um indivíduo que vou deixar que a vandalização do Evangelho aconteça sem que eu me una a Paulo na luta comum da defesa do Evangelho, como todo aquele que carrega o temor de Jesus no coração.
Esse seu discurso costuma ser extremamente crítico em relação ao que chama de “igrejas institucionalizadas” e “sistema religioso”. Na sua opinião, as igrejas não têm nada de bom?

Mas é claro que têm coisas boas! Elas têm gente boa, e gente é o que existe de melhor em qualquer lugar. Ministério, para mim, é gente, só é bom se for feito por gente e para gente. Está cheio de gente boa de Deus nas igrejas. Mesmo quando há um pastor paspalhão lá na frente, os bancos estão repletos de gente boa, que sente até pena daquele indivíduo lá na frente, que faz negócios para todos os lados e com quem apareça. Tem gente que suporta o púlpito muito mais para não perder os relacionamentos de comunhão e o convívio de anos com os irmãos. Eles sabem que aqueles caras lá na frente vão passar, as modas vão passar, mas eles vão continuar ali. Existe gente maravilhosa nos ministérios. Veja aquele pessoal da Juvep [Juventude Evangélica da Paraíba, entidade que atua de maneira missionária no sertão nordestino], por exemplo. Eles perseveram há anos na mesma purezinha de alma, na mesma ideia de serviço ao próximo. Há também a Jocum [Jovens com uma Missão, movimento missionário internacional], com seus tantos braços de ação penetrados nos lugares mais distantes, em favelas, em comunidades miseráveis, em bolsões de carência no mundo todo.
O Caminho da Graça é uma espécie de reinvenção da igreja?

Não, ele é simplesmente a sequência de um caminho que eu sempre trilhei. O Caminho da Graça é a expressão de visibilidade de uma coisa subversiva que eu incito. Eu tento fazer com que o Caminho seja apenas, com muita leveza, um elemento de visibilidade mínima da possibilidade de uma comunhão cristã sem que uns mordam e devorem uns aos outros. Por isso, não tenho aquele desejo de fazê-lo crescer, ter expansão numérica simplesmente – quero que o que cresça seja essa coisa que ninguém nomeia, um movimento conduzido pela Palavra e pelo Espírito Santo que invade a massa, abranja tudo e se torne incontrolável como o vento que sopra onde quer.
O senhor diz que o Caminho da Graça é um movimento não institucionalizado, mas recentemente nomeou presbíteros e diáconos para sua sede em Brasília. Isso não vai acabar tornando o ministério como uma das igrejas que o senhor tanto critica?

Nós funcionamos baseados em dons, e não em hierarquias. Nas igrejas convencionais, o diácono é mais do que o membro e o presbítero é mais do que o diácono. Aqui no Caminho, essas funções expressam simplesmente dons de serviço. O presbítero, o mentor, não é um sujeito mais elevado na hierarquia, não tem poderes ou prerrogativas especiais. Ele é simplesmente o cara que surge pela observação dos outros: “Puxa, quanta sabedoria fulano tem recebido e manifestado”. Essas funções surgem por opiniões múltiplas, não existe reunião de concílio ou votação para escolher ninguém. E tem outra coisa: se, algum dia, lá na frente, o Caminho da Graça deixar de ser o que nasceu para ser, é a coisa mais simples do mundo – acaba tudo e começa outra vez. O problema do pessoal é que eles querem se eternizar. Querem que o grão de trigo dure para sempre, mas se o grão não morrer, não há fruto. Eu não quero perenizar nada. Eu só tenho o compromisso de servir à minha geração, não quero deixar nenhum legado, nenhum império. É preciso reconhecer que a vida é cíclica. Eu já acabei com muita coisa que tinha começado no curso da minha vida. E que ninguém duvide que, se eu tiver vida longa e alguma coisa que estou fazendo hoje se corromper lá na frente, eu mesmo vou lá e termino com tudo, não espero, não.
A manutenção do Caminho da Graça e dos ministérios a ele ligados é feita através de dízimos e ofertas?

A gente recolhe ofertas. A espontaneidade da dádiva tem que ser baseada no amor, na alegria de dar. Quem pode dar mais, dá mais; quem pode dar menos, dá menos; e quem não pode dar nada não dá nada, recebe. Paulo ensinou que é justo que aqueles que recebem bens daqueles que lhes ministram os galardoem e ajudem com bens. Mesmo com toda a capacidade que Jesus tinha de multiplicar pães e peixes e de transformar água em vinho, ele era sustentado pelas ofertas práticas e objetivas das mulheres que o serviam e de outras pessoas. O princípio espiritual da doação era operativo na vida e no ensino de Jesus e no Novo Testamento como um todo.

E quanto ao dízimo? Nesta ótica, ele seria antibíblico?

O que as igrejas ensinam é lei, é obrigatoriedade. A Igreja tornou-se uma espécie de agente substitutivo do antigo templo de Jerusalém, uma espécie de “receita federal” de Deus. É uma coletora de impostos. O dízimo é esse imposto, e ainda dizem que quem não pagar vai sofrer as desgraças descritas no capítulo 3 de Malaquias. Como a Igreja não ensina a obediência ao Evangelho como resultado do amor de Cristo constrangendo nosso coração, como Paulo ensina em II Coríntios 5, as pessoas não veem a questão da doação como algo inerente à generosidade.

Se um homossexual assumido quiser frequentar o Caminho nesta condição, como ele será tratado?

Nunca ninguém chegou no Caminho da Graça dizendo para mim que é gay praticante e que quer ficar ali. Mas não sou persecutório e nem homofóbico acerca de nenhum ser humano. Se ele quiser ficar, ouvirá o Evangelho e saberá que esse Evangelho pode criar um espaço de generosidade misericordiosa para ele ouvir a Palavra de Deus e crescer – mas nunca ouvirá uma única palavra de incentivo a qualquer relação sexual que não seja heterossexual.  Se eu fizesse isso, estaria estabelecendo um paradigma que não encontro nenhum precedente para estabelecer.

Logo, ainda que solicitado, o senhor não celebraria um casamento gay?

Eu não faço esse tipo de casamento, até porque a união estável entre homossexuais não é casamento, é uma relação societária, uma empresa limitada. O Estado tem o dever de defender essa relação no que se refere ao respeito à propriedade, aos bens. Se dois gays que construíram uma vida juntos, com aquisição de bens e tudo o mais, resolvem não mais viver em comum, que se divida o que têm, e cada um leva a sua parte. Isso é uma questão de Estado, não tem nada a ver com a Igreja. Mas não estimulo nenhum tipo de união estável, a não ser aquela estabelecida entre homem e mulher que se amem.

Sua maneira de falar e até as roupas que o senhor tem usado provocam muitos comentários. A esta altura da vida, o senhor sente-se livre para dizer e fazer o que quer?

Pelo amor de Deus, você não pode mais ser o que é? Eu me visto desse jeito porque gosto. Eu sou só um carinha que deseja viver. Quem não gosta do meu jeito é livre para viver da maneira que quiser. Eu sou livre como o Evangelho. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Sou como o vento, nascido do Espírito Santo. Quem não suporta minhas declarações, minha sinceridade e a propriedade do que digo que vá dormir com esse barulho.


Fonte: Por Danilo Fernandes
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domingo, 3 de julho de 2016

RAZÕES PARA OS TEÓLOGOS ME ABOMINAREM!

RAZÕES PARA OS TEÓLOGOS ME ABOMINAREM!

Eis aqui apenas algumas razões simples de minha fé, e pelas quais os teólogos me odeiam hoje em dia; embora tenha sido isto mesmo que eu sempre ensinei, inclusive no tempo em que me "adoravam". rsrsrs. A única coisa que mudou é me divorciei faz quase 16 anos. Então, tudo virou heresia!... rsrsrs
Veja as razões do agravo e da minha apostasia, segundo "eles"...
1. Na Teologia Dogmática tem-se uma Filosofia do Absoluto Divino/Sagrado decido pelo consenso teológico dos Concílios. Ora, eu nunca dei a mínima para isto. Li tudo e todos. Mas sempre li como quem lia Platão, na melhor das hipóteses.
2. Na Teologia Sistemática tem-se o Dogma do Interprete (s) selecionador (es) de textos conforme o dogma adotado e feito Teologia Sistemática pelo Concílio que define a crença de um dado "grupo de crentes" na religião cristã. Ora, para mim isso sempre foi escolha de time por afinidades e conveniências presupostas. Sempre achei tolo [...] e hermeneuticamente condicionador do olhar do interprete. Tolo demais!...
3. Jesus, a Chave Hermeneutica. Sim, é assim que cri desde o início. Sim, pois quando Jesus é a Chave Hermenêutica da nossa interpretação bíblica [tanto do V.T. quanto do N.T.], então, não há um dogma anterior... Os Dogmas passam a ser Exclusivamente os Absolutos Explicitados e Encarnados por Jesus. Também não há uma "sistemática" como "consequência do dogma". conforme faz a religião: define o dogma e então cria a sistemática.
O que há em Jesus para mim [...] é que Ele é o único Definidor do Dogma [sendo que Ele é, de fato, o único dogma; e, Nele, o único dogma é amor]; é o único interprete absoluto do Princípio-Dogma-Amor que Ele encarna.
Ora, é porque Ele encarna a Palavra que é Ele mesmo é que no ato de viver Ele a interpreta!
E mais: em Jesus tem-se também "a seleção das relevâncias" para a vida segundo Deus.
Sim, pois todos os temas do Velho Testamento estavam presentes nos dias de Jesus; e nas jornadas que fazia tais temas apareciam. Ora, os temas que foram "impostos a Jesus como problema", Ele tratou; e os que não lhe foram impostos, mesmo estando presentes na existência à Sua volta, Ele decidiu quais eram e quais não eram relevantes como tópicos.
Portanto, mais do que "textos" em discussão o que Jesus apresenta é o "espírito do Evangelho"; não como uma seleção sistemática de textos, mas como uma definição de significados, princípios e importâncias.
Por exemplo: Ele mesmo escolheu coisas e histórias que deveriam ser parte do Evangelho; e, entre elas, Ele decidiu que a história de uma mulher apaixonada por Deus tinha que constar no Evangelho, e não um monte de maldades humanas praticadas pelos religiosos que abominavam aquele tipo de mulher.
E assim é tudo o mais...
Mas é preciso conhecer o Evangelho para entender o que digo!
Teólogos se asfixiam diante de tais realidades insosfismáveis!
Claro! Tal percepção tira o eixo da discussão da interpretação filosófica ou filológica do texto e nos chama para a prática do amor como escrito da vida no chão do mundo; sim, tudo para o meu bem e do meu próximo; posto que este seja o verdadeiro benefício do Evangelho!

Nele, como amor por Ele em você, meu irmão,

Caio
1 de janeiro de 2014
Lago Norte – Brasília

Conteúdo extraído do blog: http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=06420