domingo, 17 de julho de 2016

É pecado o cristão ouvir música secular, ou seja, não-evangélica?

 Pastor Denis de Oliveira

O meio evangélico é cercado de "ísmos" do pensamento religioso. Um monte de crenças, superstições, achismos, recheados de dúvidas, perturbam a mente de quem se converte e abraça a nova fé, ou seja, se torna evangélico. Quase nunca há certeza, fundamento bíblico, e a sujeição a estas doutrinas é mais movida pelo medo do que propriamente uma suposta "libertação" ou "toque" divino. Recebo por dia muitos emails e mensagens pessoais pelo facebook, de irmãos me perguntando sobre o que é pecado, em diversas áreas da vida. Dúvidas que são frutos de pregações que elas ouviram em igrejas ou reuniões de oração que visitaram. Só pelo fato de existirem as milhares de perguntas que orbitam na mente de grande parte do povo evangélico, temos uma noção de como o medo é o principal motivo da submissão.
Duvida que o medo circule na mente da maioria na congregação sobre as proibições? Faça uma reunião em sua igreja, aborde o assunto pecado, e veja o enorme leque de questões que serão abordadas pela maioria dos irmãos, que farão, no mínimo, de 3 a 5 perguntas cada um. E mesmo nos esforçando para responder cada questão, a maioria ainda sai coçando a cabeça. Se houve uma "libertação" do "mundanismo", ou um "toque do Senhor" na pessoa, porque há tantas dúvidas?! Alguns líderes até evitam reuniões deste tipo, para evitar "polêmicas", pois sabem que ficarão constrangidos com perguntas que não tem respostas.
Dar liberdade ao povo para questionar sobre os dogmas (usos e costumes) quase sempre o pastor fica numa tremenda "saia justa" ao ser sabatinado por membros que estão cheios de perguntas bem formuladas, com lógica. Então vê-se que o fator não é "libertação" ou "o Senhor me tocou para agir assim", mas uma nítida imposição. Prova disso é quando a denominação libera uma proibição antiga, e, aos poucos, sem anunciar publicamente, uma "doutrina" caduca. O assunto corre apenas em "boca miúda". Nos últimos 10 anos a maioria das igrejas mais rigorosas já abriram mão de uma lista de proibições. Simplesmente não é mais pecado, e acabou.
"O conselho do Senhor permanece para sempre"(Salmos 33:11)
Isto se dá pelo fato de inúmeros pregadores pentecostais esbravejarem em alguns púlpitos ditando regras para ser um crente "santo". E a confusão na mente das pessoas surge porque o preletor foi, ao que tudo indica, "usado por Deus", numa manifestação típica do chamado "reteté", como muitos gostam, e com isso acreditam ser o sinal evidente de que o Senhor assinou embaixo de tudo o que foi pregado.
Todavia, o fato do pregador, pastor, missionário ou irmã que é um "vaso de fogo", suar a camisa, sapatear, gritar, ter visões, não é um referencial de que absolutamente "tudo" que ela disser tenha aprovação divina. O ser humano é falho, e isso é levado em conta quando em sua mensagem (mesmo que ela tenha a melhor das intenções de santificação) ela ensinar uma coisa que não passa de um achismo, algo que ela aprendeu, e passa adiante, como regra de salvação.
"Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema"(Gálatas 1:8)
Paulo adverte que, ainda que ELE MESMO ou até mesmo um anjo do céu pregar outro evangelho, que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. Por isso, é responsabilidade do cristão obediente,ler e estudar as Escrituras com afinco, afinal, ele vai estar obedecendo ao Senhor Jesus, que ordenou em João 5:39"Examinai as Escrituras". Bom lembrar dos crentes bereanos, de Atos 17:11, em que tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e assim aceitavam. E a bíblia diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica, porque receberam a palavra.
"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim"(Atos 17:11)

A nível de ilustração, como um mero exemplo, supomos que as doutrinas da "Igreja do Fogo que Sobe" seja totalmente diferente das doutrinas da "Igreja do Fogo que Desce". Em uma, usar camisa roxa, pintar a unha, usar um cordão, coçar a cabeça com a mão esquerda, são pecados terríveis que você está cometendo e não sabia! Na outra, eles já não proíbem nada disso, mas ir à praia, jogar bola, usar uma camiseta ou bermuda (mesmo em casa), usar óculos escuros, usar perfume, são transgressões quase que imperdoáveis, com direito a punições rigorosas, como suspensão, exclusão, e pedir perdão ao ministério de joelhos se quiser estar de novo no rol de membros.
Em algumas igrejas a proibição é implantada de forma sutil, e não é cobrada do púlpito. Porém, no convívio interno entre os irmãos, o tratamento é diferente com aqueles que ainda não se adequaram aos dogmas. Se é sabido, por exemplo, que um determinado irmão ouve música não-evangélica, mesmo que esporadicamente, ele é descartado de oportunidades no microfone, olhado com canto de olho, e ouve um monte de indiretas sobre músicas, até ele confessar que parou de ouvir as "músicas do mundo". Ou seja, por "livre e espontânea pressão" ele para de ouvir as músicas seculares no intuito de não ser desprezado do círculo social religioso, e não porque foi "liberto" ou o "Senhor o tocou" para ele não ouvir mais.
No íntimo ele ainda sente vontade de ouvir no youtube ou no rádio alguma música que marcou sua adolescência, juventude, mesmo que por alguns poucos minutos. Daí lhe restam 2 opções: Ou ele ouve em casa, sem nenhum irmão da igreja por perto, ou pára tudo de vez, seguindo à risca as normas da casa. O grande problema surge quando ele começa a sentir ódio no coração ao ver alguém ouvindo, esculachando os outros, pelo fato dele não poder ouvir. Sua retórica é inflamada de condenações, em tom rancoroso, transpirando sentenças para quem não concorda com ele. E infelizmente isso é o que mais acontece.
E o mais impressionante é que, em ambas igrejas acima citadas como exemplo, você pode cometer os pecados que a bíblia mais condena. Fofocas, mentiras, desonestidades, uso de má fé, traições, falsidades, nunca são levados à sério por muitas destas lideranças, e os membros que fazem tudo isso jamais são disciplinados. Pode até haver, dependendo da gravidade do problema, alguma reunião de membros, exortações, mas a maioria faz mesmo "vista grossa" para pecados desta natureza. É a religiosidade falando mais alto do que uma sincera busca por uma vida de santidade. "Coam um mosquito e engolem um camelo". (Mateus 23:24) 
"Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, engana o seu coração, a sua religião é vã"(Tiago 1:26)
Não são todas as igrejas que beiram o escândalo ao Evangelho, mas se você é um cristão mais vivido, mais maduro, sabe que na realidade há obreiros que "puxam o tapete" de outros obreiros, ciúmes de púlpitos, invejas a cargos ministeriais, alguns armam verdadeiras "ciladas" contra outros colegas de ministério, bajulação ao líder com fins de crescimento nos cargos eclesiásticos, etc. Estes e outros pecados até piores são cometidos por pessoas que acham errado você jogar uma bola com seu filho no quintal de casa, ou ouvir uma música que não seja da categoria gospel. Ou seja, pune-se mais por quebra de estatuto interno do que por desobediência à Palavra de Deus.
Existem músicas seculares que eu não escuto. Percebo que não tem nada de bom. Paulo diz: "Examinai TUDO, retende o que é bom". (1º Tessalonicenses 5:21). O problema de alguns evangélicos é porque ou ele é insípido, ou é 'salgado' demais. Ou é 8, ou é 80. Ou a igreja é saia lá no pé, ou, se não tiver "doutrinas", para ele é a igreja onde "todo mundo anda pelado". Explode em ira descontrolada esculachando todas as outras igrejas, e que somente a dele é a santificada. Quando nos equilibramos na dosagem de cada coisa, nos mantemos em santificação, sem fazer palhaçada, e o mundo nos taxar de alienados da cultura brasileira. Em nosso convívio social devemos explanar opiniões com personalidade própria, e não baseados no que alguém pregou.
Algumas músicas são agradáveis, assim como um bom churrasco, um bom doce, um lindo bolo na confeitaria, ou um delicioso sorvete num dia de calor. Sendo que estas coisas não me atrapalham da minha comunhão com Deus. É pecado comer doce? É pecado comer um bolo ou churrasco?! Óbvio que não. Muitos irmãos até brincam, comparando o churrasco a "entrar na carne", em momentos de descontração, mas o assunto, em si, é mais sério do que muitos imaginam. A glutonaria é um pecado! Está na bíblia. Mas comer um churrasco de vez em quando não chega a tanto. Então vejamos: Comidas e guloseimas são do agrado da carne (no paladar), mas a igreja não proíbe, mesmo sabendo que alguns exageram. Porque a música secular, quando é bonita, e agrada também à carne (aos meus ouvidos) é proibida?!
A falta de ensino, não somente bíblico, mas também de se ter um caráter de cristão, leva muitos religiosos a levarem uma vida dupla. O contrassenso na vida de muitos irmãos que pregam uma coisa e vivem outra é quase que constante. Muitos evangélicos, não somente entoam corinhos na igreja, como também nos aconselham que devemos"entregar nossos problemas nas mãos do Senhor", pois ele cuida de nós, e é a nossa justiça. É um conselho muito bom. Porém, na prática, muitos dos que repetem este ensinamento não vivem nada disso. Em todo o tempo não param de falar, apontam, julgam, condenam. Em alguns casos, quando se trata de problemas eclesiásticos, movem processos contra cantores, igrejas, pastores, outros irmãos, etc. Dentro de casa fazem um verdadeiro inferno na vida de filhos, parentes, ou quem conviva próximo.
Há pessoas que não ouvem músicas "do mundo", mas adoram ouvir fofocas. São pessoas que enxergam pecado na vida de todas as outras pessoas, menos na delas. Veem pecado no pastor, no obreiro, nos jovens, nas irmãs, nos músicos, etc. Sabem da vida de vizinhos, colegas de trabalho, e como estão ocupados demais vigiando a vida alheia, não enxergam seus lares sendo destruídos. Não intercederem pelo próximo, muito pelo contrário, querem falar, e saber de mais fuxicos. Ao invés de tristeza e incentivo para a intercessão, há um certo prazer em saber que "fulano caiu". Espalham com rapidez tudo o que souberem de sua vida. Agora me responda: Quem estará em mais santificação? Um cristão sincero, que busca a Deus, e que, sem vícios e exageros, uma vez ou outra ouve uma música secular, ou aquele irmão que diz detestar "música mundana", e na primeira oportunidade ele te apunhala pelas costas?!
"Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica"(Tiago 3:13-15)
E toda esta confusão é multiplicada por 100 se seus desafetos não estiverem dentro das 'doutrinas' que ele acha ser correto para o cristão. Com o tempo, os filhos vão crescendo, se tornando adolescentes, e como praticamente tudo é proibido, acabam por fugir de casa, se desviam da fé, e tomam verdadeiro repúdio pela igreja. E mesmo diante deste mar de confusões e intrigas que ele cria na família, segundo ele, se você ouvir músicas que não sejam evangélicas, você é um "crente mundano", e precisa ser liberto "das coisas deste mundo".
Em muitos crentes legalistas há uma enorme incoerência entre o discurso e a conduta. Ao vê-los pregar, nos parecem pessoas acima de qualquer suspeita, uma bênção nas mãos de Deus. Ao acompanhar de perto descobrimos que muitos deles não tem apenas meras falhas, mas falta de caráter, principalmente de caráter cristão. Ele não vive nada do que prega aos berros no microfone da igreja. É o conhecido "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Para o cristão isso jamais pode existir, pois além de sermos novas criaturas, somos imitadores de Cristo. Não podemos apenas mudar a coleção de cd's e repertório musical, e ter um comportamento mundano em várias outras áreas de nossa vida.
Todavia não podemos generalizar. Não são todos que agem desta forma. Tenho amigos pastores e obreiros, que mesmo sendo defensores das doutrinas de suas igrejas, são pessoas sensatas, honestas, que respeitam as outras denominações, e até eles mesmo admitem que se deve ter uma certa moderação em querer "doutrinar" e julgar os outros. Isso porque já pesquisaram, e sabem da história de suas igrejas, das doutrinas antigas, ensinadas rigorosamente por mais de 30 anos, e que hoje não vigoram mais.
E não é porque a "igreja esfriou" ou porque é o "fim dos tempos". Beber refrigerantes, usar shampoo, usar sandálias, andar de moto, comer pipoca, usar calça jeans, usar camisa de manga curta, não está associada ao fim da santidade na igreja, pois nem eles pregam mais nenhuma destas proibições. Porém nossos avós seguiram à risca, e ficaram sujeitos a disciplina, caso não obedecessem. Em algumas denominações, nos anos 1930, se o homem andasse sem o chapéu, era excluído de comunhão. Onde foram parar estas “doutrinas”? Não eram de Deus? E se eram, porque acabaram?? Se não eram de Deus, porque permaneceram por tanto tempo, suspendendo e excluindo irmãos? Uma pena ter se punido tanta gente. Ainda hoje esta história se repete em muitas igrejas, mas com outras proibições.

A palavra pecado origina-se do grego"hamartia" e significa errar o alvo. Se o meu alvo, que é Cristo, é desviado por alguma barreira, logo eu identifico o pecado. Uma música não evangélica te afasta da presença de Deus? Como? Porque?! É só explicar como isso acontece! Só porque se trata de uma "música do mundo"?! Responda: Você come comida "do mundo"? Usa roupas "do mundo"? Paletó e gravata são usados por políticos, executivos, funcionários de grandes empresas. Qual a diferença para o paletó e gravata dos cristãos? Muitas foram confeccionadas por estilistas e costureiros não-evangélicos. É uma vestimenta "do mundo"?!
Se você usa roupas sociais, no que você é "diferente do mundo"?? Há pessoas que colocam as melhores roupas, as mais caras, algumas justas demais (mesmo saias longas), para irem à igreja no domingo. Com que objetivo estas pessoas colocam estas roupas e vão ao culto?! Com um coração puro para adorar a Deus? Então é razoável concluir que, ser do mundo ou não, não está na aparência, na exteriorização das coisas, na música ou roupa ser feita por evangélicos ou não, mas naquilo que colocamos o nosso coração. "Onde estiver o seu tesouro, aí estará teu coração"(Mateus 6:21)
Muitos chegam a dizer que se "sentem mal" ao ouvirem "músicas do mundo", mas seus corações estão cheios de maldade, falsidade, que também são comportamentos "deste mundo". Com o que estas pessoas teriam que se "sentir mal" em primeiro lugar? Acredito que o cristão verdadeiro, transformado, faça uma melhor seleção das músicas que ouve, mas qual a preocupação primordial de um cristão verdadeiramente convertido? Mudar sua interpretação sobre o que é música gospel e música do mundo, e a mudança interior ficar em segundo plano? 
Não é estranho haver atitudes desonestas por parte de pessoas que se auto intitulam tão espirituais, que acham errado ouvir música secular, e exigem tanta "santidade"? A palavra santificação significa separação, e não isolamento ou alienação. A verdade é que estas palavras são confundidas. Já percebeu que filho de crente quando se desvia comete todo tipo de pecado em dobro, se comportando pior que um incrédulo?! Na verdade ele saiu de uma prisão religiosa, sufocado por um julgo, quando deveria ser livre em Cristo Jesus. 
Pense agora com toda a sinceridade de seu coração: Como pode Deus tocar profundamente numa pessoa para ela não ouvir sequer uma música não-evangélica, a ponto dela dizer que "se sente mal" e esta mesma pessoamentir, caluniar, falar mal dos outros, fazer fofocas?! Não é a doutrina bíblica (que nos ensina a não mentir, a não falar mal do próximo) muito mais importante que dogmas e doutrinas de igreja?! Como pode um mesmo Deus, em uma mesma pessoa, tocar no coração dela em uma área que a Bíblia nada diz a respeito, mas em outra área, das atitudes, do comportamento, do ódio, da desavença, não tocar?! Como pode uma pessoa ser tão "santa" quanto a musicalidade, e ter um coração cheio de inveja, de desejo de vingança?
Para muitos falta respeito, compreensão, oração e diálogo em família.
Para o povo de Deus, o povo comprado, lavado e remido pelo Sangue de Jesus, não existe uma regra moral coletiva. Ao jovem rico Jesus disse para ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, pois sabia que o coração dele estava na riqueza. (Mateus 19:16-23) Mas o Senhor não disse a mesma coisa para outros ricos. Se o seu coração estiver na riqueza, em carros, casas, músicas, seja o que for, aí estas coisas se transformam em pecado na sua vida. Agora, para o povo de Deus existe sim, as Sagradas Escrituras, e nela devemos nos embasar contra o pecado, e não no que pregadores, convenções, igrejas, acham que é certo ou errado.
Quanto a proibições que a bíblia nada trata diretamente, o apóstolo Paulo nos dá um excelente conselho em Romanos 14:14, quando nos diz: "Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda". E no versículo 22 ainda acrescenta: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova".
Os dogmas religiosos mudam com o tempo, mas a Palavra de Deus não muda. A bíblia condena o pecado da glutonaria. Você vê pregadores abordando este assunto? O que tem de irmãos bem acima do peso não é brincadeira. Mas ninguém fala nada, não reprovam, não censuram, tanto quanto ver um cristão ouvindo uma música secular. Ou seja, nossa comunidade evangélica contemporânea vê pecado onde a bíblia nada diz, mas a religião proíbe, e onde a bíblia tanto condena (fofocas, glutonarias, invejas) nada pregam a respeito. Todos os dias pessoas se afastam de igrejas ofendidas, feridas, magoadas, por disse-me-disse, e tudo fica por isso mesmo. E a Palavra nos alerta que "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte"(Provérbios 18:19)
O Senhor Jesus nos ensina: "Não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai dela"(Mateus 15:11). Não é o que entra em nossos ouvidos que pode nos contaminar! O Senhor daria esta mesma resposta se a questão fosse a música, pois se tratava de um dogma, se podia ou não comer com as mãos por lavar, que era a doutrina deles na época. E os discípulos comeram sem lavar as mãos. Há muita superstição no meio evangélico. Podem não ser as mesmas dos que não são crentes, mas não deixam de ser superstições.
Atribui-se o pecado a fatores externos (lavar as mãos, ouvir uma música) e nunca aos propósitos que estão no pensamento, no íntimo. Por isso o Senhor completa: "Mas tudo o que sai da boca, vem do coração, e isto contamina o homem. Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas coisas são as que contaminam o homem; porém o comer sem lavar as mãos não o contamina".(Mateus 15:18-20) E depois de todo este ensinamento maravilhoso, há pessoas que acham que uma música secular é que vai fazer a pessoa pecar!
E quando estamos em um shopping, consultório, e ali toca músicas não evangélicas, o que deveríamos fazer? Tapar os ouvidos?! Sair correndo dali? Não ouvimos do mesmo jeito?! Ainda que alguns contestem, afirmando que em lugares públicos não seria culpa do cristão, o fato é que o problema se relaciona a OUVIR e não ONDE ou de QUE MANEIRA. E como no texto já abordei anteriormente, reforço que o verdadeiro cristão sabe dosar, equilibrar, e que não é um viciado em músicas mundanas, e que também sabe selecionar boas músicas, separando daquelas com letras maliciosas, etc, assim como não pode ser dado a glutonaria.
A lista de dogmas de muitas de nossas igrejas nos anos 1920 a 1960 envergonha a igreja de hoje, e muitos até desconversam, dizendo desconhecedores de tais doutrinas. O perfume, o shampoo, o sabonete, o refrigerante, o chinelo, e outros usos e costumes que eram proibidos na época, hoje estão liberados, e não representam mais pecado nem para os mais legalistas."Mas e daí?" - questionam alguns. "-Esquece isso....Isso foi lá em 1950, 60.... Prá que falar nisso hoje? Isso é passado! Naquela época o povo era muito ignorante!"
Hoje muitos condenam quem ouve "músicas do mundo", ou seja, as músicas que não são evangélicas. Mesmo as mais simples, as mais suaves. Não me refiro as que tem letras maliciosas, mas as boas músicas. Se você ouve música não-evangélica, corre o risco de ser taxado de "crente-mundano", como os que usavam perfume em 1950. Com toda certeza, essa é mais uma doutrina que terá seu fim daqui a uns 20 anos. Mas em 2034, se alguém disser que hoje era reprovado o cristão que ouvia músicas não-evangélicas, alguém comentará: "-Poxa, mas já não tinham TV em casa? Não ouviam essas músicas nos filmes e comerciais...?" E outro responderá: "-E daí??....Isso foi lá em 2014...Prá que falar nisso hoje? Isso é passado!.... Esquece isso...Naquela época o povo era muito ignorante!"

"Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente"(Hebreus 13:8)
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne"(Colossenses 2: 20-23)
"Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão"(Salmo 32:9)

"Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas"(Marcos 7:1-8)
Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.

Abandonados: O juízo de Deus sobre nossa geração | Rev. Augustus Nicodemus

Culto Noturno, 10/07/2016. Série ''A Mensagem da Carta aos Romanos'' 6ª Mensagem



sábado, 16 de julho de 2016

MORTE DA FÉ

MORTE DA FÉ


  
Quando o Filho do Homem voltar, porventura encontrará fé na terra?”


  
Nada é mais triste de ver a morte da fé nesta geração!

Há crença, há misticismos, há correntes e barganhas, mas não há fé!

A fé é a certeza de coisas que se esperam e a firme convicção de fatos que se não vêem.

Portanto, a fé não trabalha com o visível, mas com o invisível; e não se estriba no que é perceptível aos sentidos, mas sim no que a eles não está disponível.

A fé faz as “coisas que se esperam” se tornarem “certezas” e faz “os fatos que se não vêem” tornarem-se “convicções”.

Assim, a fé antecipa e goza o que ainda não se materializou, como quem vê concreção no invisível ou no ainda não “acontecido” ante os sentidos.

Ora, sem fé, esperança e amor ninguém cresce em temor e reverencia para com Deus e a vida!

Posto que o que se crê e espera ainda não se manifestou aos sentidos, mas a fé santifica aquele que crê durante a “espera”.

Esta é a razão de vermos tanta maldade falada e feita em nome da “fé”, pois, “tal fé” não é nada além do ódio religioso que anima dos doentes contra os antagônicos.

A religião [e seus fanatismos] produz apenas o ódio como fé. Sim! É fé na existência do inimigo, não na realidade de Deus.

Pela mesma razão é que campeia entre nós a alegria pela catástrofe do adversário humano!

A “fé” que entre “nós” se propaga é certeza de que o mal alcançará aqueles que desejamos ver esmagados. É “fé” na vingança...

Olho para esse “meio religioso” e fico aturdido com a possessão de desamor que tomou conta de quase todos. Enquanto isto a iniquidade cresce...

Cresce... E os agentes dela ficam cada vez mais insensíveis.

Leio coisas que “crentes” escrevem aqui na Internet e me encho de angustia.

Acabou o amor. Morreu a reverencia. Institui-se a banalidade das palavras. Extinguiu-se a verdade. Amparou-se a mentira. Deu-se asas ao engano. Tudo em nome de Jesus.

E o diabo se ri dos “crentes”!...

Quando do Dia Mal chegar [e ninguém se engane, pois ele vem, e não tardará], então se verá essa multidão gritando por misericórdia, enquanto rangerão os dentes em dores de raiva...

Então dirão:

“Senhor! Comias e bebias em nossas ruas!...”

“Senhor! Em teu nome tiramos demônios, profetizamos e fizemos milagres!...”

“Senhor! Por que não abres a porta?...”

Mas o Senhor lhes dirá:

“Nunca estive com vocês! Não os conheço. Vocês usarem meu nome, mas nunca me conheceram. Meu nome só é verdadeiro na boca de quem me conhece!”

Enquanto isto... — os meninos vão brincando de Deus e com Deus...

Mas a porta vai fechar!

Veja o que aconteceu a você!

Pergunte-se: O que me anima é fé, ou é apenas o ânimo da guerra da religião excitada pelo inferno?
  
Nele, que busca nos acordar enquanto é tempo e dia chamado Hoje,


Caio

06/10/07
Lago Norte
Brasília

VOCÊ CANSOU DA BONDADE?...

VOCÊ CANSOU DA BONDADE?...

Nós, humanos, temos enorme facilidade de mudarmos para o mal; está na nossa natureza caída esta tendência; e, entregues a nós mesmos, é da nossa perversa natureza a inclinação mutante para o que não seja aquilo para o que fomos criados.

Difícil mesmo é mudarmos dia a dia para o melhor de nós; para a semelhança de Deus; para o amor, a alegria, a paz, a bondade, a longanimidade, a mansidão e o domínio próprio.

Entretanto, mudarmos na direção do que seja bom é como subir uma ladeira, é como entrar pela porta muito estreita, é como escolher o caminho que poucos escolhem percorrer, é como nadar contra o fluxo das correntezas, é como a vereda aquática do salmão buscando morrer no lugar onde aconteceu a sua origem...

A maior evidencia dessa capacidade natural de piorar a gente se observa nas crianças. Sim, lindas, santas, puras, espontâneas, livres, abertas, perdoadoras, e tudo de bom; mas que, logo, logo, pelas influencias recebidas, não demoram a aprender aquilo que lhes dês-configurará em relação ao que um dia tiveram como divina beleza natural.

Outra grande evidencia é a mudança negativa do santo; sim, daquele que conhecemos humilde, simples, ensinável, feliz na fé, amante dos pequenos, paciente, temente a Deus, puro de coração, limpo de lascívias, receoso de magoar, de humilhar, de falar mal, de gritar de raiva, de irar-se, de se tornar deveras exigente, de nunca esquecer a gratidão; sim, sempre olhando para trás e vendo o que recebeu de graça, o que lhe veio como dádiva, o que não lhe era natural, mas que nele foi enxertado, aplicado e inserido contra a sua própria natureza —; mas quecom o tempo, com o hábito ao sublime, ou com alguns serviços prestados [supostamente a Deus, à causa, ou ao próximo], começa a sentir-se dono de si mesmo, da sua natureza, dos seus direitos; lentamente tornando-se patrão da vida, exigente, impaciente, descontrolado, arrogante, sem pequenas compaixões [às vezes mantendo apenas as grandes compaixões], porém, sem cuidado no trato geral; e, desse modo, arrumando concessões para si mesmo; praticando auto-indulgências antes inconcebíveis; e, sem que o note, bem gradualmente, vai se desfigurando [...], como disse, sem que isto lhe seja perceptível; sim, sem que sua feiura lhe seja revelada; especialmente se um dia a vida com Deus foi muito real, o que, paradoxalmente, agora, lhe serve de álibi para ser contra o que foi chamado a manifestar no ser.

Jesus disse que o sentimento de demora acerca da Vinda do Filho do Homem geraria essas mutações em muitos; todavia, deve-se interpretar esse sentir de demora também como o passar do tempo da vida da gente na fé, ou como a não realização do bem por nós crido, ou também como cansaço em relação ao trabalho do amor [...], que é como o de enxugar gelo, sem recompensas e sem férias; ou ainda: como a exaustão de si mesmo, quando as dinâmicas da renovação do amor não aconteceram em nós pelo habito ao sublime, ou pelo autoengano de que já se alcançou demais ou bastante no entendimento do Evangelho.

Daí a advertência de Paulo quanto a não nos cansarmos de fazer o bem a todos os homens!

Sim; o que nos salva de tal processo [o qual é inevitável que a todos os santos acometa de um modo ou de outro, uma hora ou outra, numa ou noutra estação da vida], é o desafio não seletivo de que se deva fazer o bem sempre e a todos os homens.

Do contrário, elegemos ocasiões, pessoas e circunstâncias para as expressões das nossas bondades, e, quanto aos demais, ficamos indiferentes, ou, em alguns casos, especialmente ante aos chatos, descuidados, cronicamente tropeçantes, ou quanto àqueles que nos perturbam [...] — deixamos de ser aquilo que, para os nossos eleitos, nós somos, ou, pelo menos, buscamos ser...

Eu creio no que digo, tanto quanto sei o que digo; pois, em mim mesmo, provei tais sutilezas!

Durante mais de vinte anos meu coração não vacilou na bondade, na paciência, na longanimidade, na humildade, no coração sempre quebrantado em relação ao meu próximo; até que [...] veio o cansaço; o cansaço do bem sem retorno; a exaustão em relação à recalcitrância crônica; o desanimo quanto ao que o bem poderia produzir de mudança nos outros; e, assim, bem devagar [...], sem que eu notasse, fui caindo no amor seletivo, na bondade por eleição, na virtude seletiva; e pior: lentamente fui assumindo conceitos mundanos como se fossem os únicos modos de lidar com certas pessoas ou situações; até que percebi que me havia desconvertido do chamado do amor e da minha vocação essencial.

Ora, a volta ao início de tudo [...] acontece pelo reconhecimento desse desvio do ser; o que, sem apelação, deve ser seguido pelo exercício da entrega dos nossos direitos e razões; os quais devem se expressar também contra toda e qualquer disposição de provar que se está certo; ou de termos pena da nossa solidão na busca do bem; e, sobretudo, pela nossa convicção contra nós mesmos [...]; a fim de que aconteça o Paulo recomenda: “Para que não façamos o que seja do nosso próprio querer!

Maturidade de entendimento que não se renove pela humildade e pelo quebrantamento no exercício do bem, apenas gera pessoas seletivamente bondosas; e nos põe no caminho liso das virtudes escolhidas e praticadas para pessoas pré-selecionadas; o que, sem dúvida, é também hipocrisia.

Em meio a isto tudo [aprendi na prática com o meu pai; além de ser um principio da Palavra], deve-seficar quieto; suportar certas coisas em silêncio; e, se tivermos que tratar delas, buscarmos fazer com toda humildade e mansidão; ainda que estejamos esmados de direitos próprios ou adquiridos.

Entretanto, sei em meu próprio coração como é sutil o caminho para tal desvio; e pior: como é difícil percebê-lo em nós uma vez que ele entre em estado de concubinato com as nossas virtudes selecionadas [...] e com nossos direitos adquiridos pela via do cansaço solitário na pratica do bem.

Ora, a checagem do nosso coração quanto a tais coisas tem que ser mais que diária; de fato, deve ser caso a caso, o dia inteiro; posto que baste um precedente para que a insuportável leveza desse surto se reinicie em nós!

Portanto, não nos cansemos de fazer o bem a todos os homens; sim, pois somente deste modo a nossa salvação se desenvolve em nós; nunca esquecendo que também é essencial que não percamos a alegria e a exultação da esperança da gloria de Deus como vocação da nossa vida; do contrário, as forças do cansaço nos dominam e nos corrompem sem que as sintamos em operação em nós.


Nele, em Quem o caminhar não tem férias, embora deva acontecer em descanso,


Caio
21 de janeiro de 2012
Lago Norte
Brasília
DF

Espiritualidade ou misticismo?

Existe em todo o mundo um movimento entre católicos e protestantes que visa resgatar a mística medieval, especialmente as práticas e as disciplinas espirituais dos monges e freiras da Idade Média, como modelo para uma nova espiritualidade hoje. Esse movimento, geralmente conhecido como "espiritualidade", tem sido defendido por líderes católicos e protestantes e apresenta-se como uma reação à frieza, à carnalidade e ao mundanismo da cristandade moderna, especialmente da ala mais conservadora.


Não discordo de tudo o que os defensores da espiritualidade dizem. Quebrantamento, despojamento, mortificação, humildade e amor ao próximo são conceitos bíblicos e encontramos esses conceitos em vários dos seus escritos. Meu problema não é tanto o que eles dizem, mas o que eles não dizem ou dizem muito baixinho, a ponto de se perder no cipoal de outros conceitos.

Sinto falta, por exemplo, de uma ênfase na justificação pela fé em Cristo, pela graça, sem as obras ou méritos humanos, como raiz da espiritualidade. Uma espiritualidade que não se baseia na justificação pela fé e que não nasça dela está fadada a virar, em algum momento, uma tentativa de justificação pela espiritualidade ou pela piedade pessoal, uma tentativa de se chegar a Deus de forma direta e imediata, sem a mediação de Cristo. Não estou dizendo que os defensores da espiritualidade neguem a justificação pela fé somente - talvez os defensores católicos o façam, pois a doutrina católica de fato anatematiza quem defende a salvação pela fé somente. O que estou dizendo é que não encontro essa ênfase à justificação pela fé em Cristo nos escritos que defendem a espiritualidade.

Sinto falta, igualmente, de uma declaração mais aberta e explícita de que a espiritualidade começa com a regeneração, o novo nascimento, e que somente pessoas que nasceram de novo e foram regeneradas pelo Espírito Santo de Deus é que podem realmente se santificar, crescer espiritualmente e ter comunhão íntima com Deus. A ausência da doutrina da regeneração no movimento pode dar a impressão de que por detrás de tudo está a idéia de que a religiosidade natural, inata, do ser humano, por causa da imago dei, seja suficiente para uma aproximação espiritual em relação a Deus mediante o emprego das práticas devocionais.

O caráter progressivo na santificação também está faltando na pregação do movimento. Quando não mantemos em mente o fato de que a santificação é imperfeita nesse mundo, que nunca ficaremos aqui totalmente livres da nossa natureza pecaminosa e de seus efeitos, facilmente podemos nos inclinar para o perfeccionismo, que ao fim traz arrogância ou frustração.

Também gostaria de ver mais claramente explicado o que significa imitar a Jesus, um ponto que é bastante enfatizado no movimento. Até onde sei, Jesus não era cristão. A religião dele era totalmente diferente da nossa. Nós somos pecadores. Jesus não era. Logo, ele não se arrependia, não pedia perdão, não mortificava uma natureza pecaminosa, não lamentava e chorava por seus pecados. Ele não orava em nome de alguém e nem precisava de um mediador entre ele e Deus. Ele não sentia culpa pelo pecado - a não ser quando levou sobre si nossos pecados na cruz. Ele não precisava ser justificado de seus pecados e nem experimentava o processo crescente e contínuo de santificação. A religião de Jesus era a religião do Éden, a religião de Adão e Eva antes de pecarem. Somente eles viveram essa religião. Nós somos cristãos. Eles nunca foram. Jesus nunca foi. Como, portanto, vou imitá-lo nesse sentido? É esse tipo de definição e esclarecimento que sinto falta na literatura da espiritualidade, que constantemente se refere à imitação de Cristo sem maiores qualificações. Quando vemos Jesus somente como exemplo a ser seguido, podemos perdê-lo de vista como nosso Senhor e Salvador. Quando o Novo Testamento fala em imitarmos a Cristo, é sempre em sua disposição de renunciar a si mesmo para fazer a vontade de Deus, sofrendo mansamente as contradições (Fp 2.5; 1Pe 2.21). Mas nunca em imitarmos a Jesus como cristão, em suas práticas devocionais e na sua espiritualidade.

Faltam ainda outras definições em pontos cruciais. Por exemplo, o que realmente significa "ouvir a voz de Deus", algo que aparece constantemente no discurso dos defensores da espiritualidade? Quando fico em silêncio, meditando nas Escrituras, aberto para Deus, o que de fato estou esperando? Ouvir a voz de Deus com esses ouvidos que um dia a terra há de comer? Ouvir uma voz interior? Sentir uma presença espiritual poderosa, definida, que afeta inclusive meu corpo, com tremores, arrepios? Ver uma luz interior, ou até mesmo ter uma visão do Cristo glorificado e manter diálogos com ele, como alguns dizem ter experimentado? Ou talvez essa indefinição do que seja "ouvir a voz de Deus" seja intencional, visto que a indefinição abriga todas as coisas mencionadas acima e outras mais, unindo por essas experiências vagas pessoas das mais diferentes persuasões doutrinárias e teológicas, como católicos e evangélicos, conservadores e liberais?

Por todos esses motivos acima, nunca realmente me senti interessado na espiritualidade proposta por esse movimento. Parece-me uma tentativa de elevação espiritual sem a teologia bíblica, uma tentativa de buscar a Deus por parte de quem já desistiu da doutrina cristã, das verdades formuladas nas Escrituras de maneira proposicional. Prefiro a espiritualidade evangélica tradicional, centrada na justificação pela fé, que enfatiza a graça de Deus recebida mediante a Palavra, os sacramentos e a oração e que vê a santidade como um processo inacabado nesse mundo, embora tendo como alvo a perfeição final.

Enfim. Deus me guarde de ir contra a busca de uma vida cristã superior, de desenvolver a vida interior. Que Ele igualmente me guarde de qualquer tentativa de alcançar isso que não esteja solidamente embasada em Sua Palavra.


http://www.ipbv.org.br/16-estudos-e-artigos/devocionais/50-espiritualidade-ou-misticismo

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Bíblia e o Impeachment - Pr. Caio Fábio

O livro do pastor Caio Fábio, A Bíblia e o Impeachment, continua tão pertinente hoje quanto o fora há quase duas décadas e meia, seja porque o país está em clima de um outro impeachment, seja porque quem ao qual o livro se destinou no início da década de 90 permanecer sendo ainda destinatário do mesmo: a igreja evangélica. Falar em igreja evangélica (igreja como instituição, claro) nos dias de hoje não é exatamente a mesma coisa de há duas décadas e meia. Nos idos do início dos anos 80, a igreja ainda era uma recém-saída dos negros anos da ditadura militar. Nesse período, a igreja foi silente. Com raríssimas exceções, uma ou outra voz evangélica se erguera contra o regime de exceção. A igreja era apenas um componente social discreto, avesso à política, longe dos embates que diziam respeito à nação e nutria, até, uma certa simpatia com o autoritarismo por conta de sua “filosofia da ordem”. Em suma, o regime militar não perturbava e ela não perturbava o regime militar. Quando ocorre a redemocratização do país, a igreja começa a sair da toca e percebe que tem que se colocar no mundo. Inicia-se então a propagação de um mote que grassou o meio evangélico na segunda metade da década de 80, que era o “irmão vota em irmão”. Sendo um ambiente estranho ao pensamento crítico e à politização da vida, a igreja estava desguarnecida de formulações intelectuais/espirituais para discutir esse pressuposto, especialmente os meios pentecostais que, à época, estava em outra dimensão com Paul (hoje David) Young Cho. Pouquíssimas vozes, advindas sempre das igrejas históricas, eram os ‘hereges’ que se metiam nesse tipo de assunto. Na virada década, com as eleições para presidente, a igreja já estava no páreo político, mas ainda carente das já referidas formulações. Mas àquela altura os líderes evangélicos já tinham percebido a força eleitoreira do rebanho, especialmente depois das eleições de 88. Em 92, essa igreja, quase que maciçamente, ajudou a eleger Collor de Mello presidente. Quando este se viu em apuros, em meio a escândalos vindos a público por denúncias do próprio irmão, e foi submetido a um processo de impeachment, essa igreja política e biblicamente desguarnecida entrou em parafuso. O crente deveria ou não apoiar o impeachment? E Romanos 13, como fica? Ora, uma igreja que foi ordeira e cordeira nos anos de ditadura havia sido doutrinada o suficiente para sê-lo num regime democrático. O golpe de 64 foi mais fácil porque, além do combate ao comunismo como pretexto, não fora a igreja quem sujara as mãos. Na democracia, não. Na democracia ela não teve como se esconder. Nesse vácuo, surge A Bíblia e o Impeachment, livro que o reverendo Caio Fábio escreveu às pressas (seis dias), em quartos de hotel, para dar uma resposta ao dilema e uma fundamentação bíblica da questão. Quase duas décadas e meia depois, o livro continua pertinente, primeiro, pelo momento político do país (em que uma presidente se vê envolvida em novos escândalos de corrupção, politicamente fragilizada, moralmente combalida e executivamente desorientada) e, segundo, pelo mesmo destinatário que, em muitos aspectos, já não é mais o mesmo. A igreja, antes no 2 quase anonimato, tem hoje protagonismo de sobra. Ela se emaranhou ao poder, tem uma bancada no Congresso (o ainda presidente da câmara, Eduardo Cunha, é evangélico), é detentora de cadeias de comunicação, esbanja poder econômico e já demonstrou ter grande simpatia por um Estado teocrático. Sua pertinência persiste, ainda que as questões não sejam mais as mesmas de vinte e poucos anos atrás. Depois de pequenas revisões, que tivemos o cuidado de manter seu escopo, A Bíblia e o Impeachment continua a ser leitura imprescindível para os dias de hoje, para a hora de agora. Boa leitura! Dilson Cunha Março de 2016


Deus e os Extraterrestres - Norbert Lieth


O professor Dr. Werner Gitt, diretor do "Instituto Nacional de Tecnologia Física" na Alemanha, escreveu o seguinte acerca do assunto:
Estamos sozinhos, ou existe vida em outros lugares do Universo? Os relatórios acerca de discos voadores e de encontros com extraterrestres, que há décadas já produziam inúmeras especulações, e que nos últimos tempos aumentaram em número, receberam combustível de uma ala séria: no início de agosto de 1996, pesquisadores da NASA anunciaram ter descoberto formas rudimentares de vida em um meteorito que supostamente procedia de Marte. Estas ligas orgânicas também poderiam ser bolinhas de lama petrificada, ressaltam. Uma prova de "vida", na verdade, não existia! Mas de qualquer forma a pedra de quase dois quilos, achada na Antártida, reaqueceu a febre marciana mundial: nos próximos anos, americanos, europeus, japoneses e russos planejam cerca de 20 projetos e pretendem enviar sondas até o planeta vizinho Marte, distante 78 milhões de quilômetros.
De modo geral, percebe-se que a crença em inteligência extraterrestre, que já tinha características quase religiosas, alcança uma nova dimensão.

A onda dos OVNIs vai aumentando

Se bem que após algum tempo as especulações sobre a "pedra de Marte" mostraram não ter fundamento, o entusiasmo pela busca de vida extraterrena prossegue. Existem diversas causas para o enorme "boom" dos relatos de aparições de OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados). O professor de psiquiatria da Universidade de Harvard, John E. Mack, chamou a atenção do mundo inteiro com sua coletânea de casos intitulada "Raptado por Extraterrestres". Há algum tempo, o cineasta britânico Ray Stilli trouxe a público um filme supostamente rodado em 1947 e mantido em sigilo desde então, mostrando a autópsia de um suposto extraterrestre. Ele teria caído com seu disco voador no Novo México em 1947, próximo à base aérea de Roswell. Na Brasil, o "Fantástico" mostrou partes do filme. Em outubro de 1995, no Congresso Mundial de OVNIs, em Düsseldorf (Alemanha), as imagens pouco nítidas foram uma das principais atrações. (...) Segundo uma pesquisa de opinião efetuada pelo Instituto Allensbach, na Alemanha 17% da população crê que existam OVNIs, 40% contam com vida em outros planetas e 31% crêem que estes seres sejam inteligentes.
Como os cristãos deveriam classificar os OVNIs? Que significado tem a existência de extraterrestres no espaço?

I. O que a ciência diz a respeito?

1. Nunca houve um contato com "extraterrestres"

No ano de 1900, a Academia Francesa de Ciências anunciou um prêmio de 100.000 Francos para quem fosse o primeiro a estabelecer contato com um mundo desconhecido. Marte foi excluído, pois naquela época havia certeza da existência de moradores no planeta vizinho. Mas nesse meio tempo sabe-se com certeza: nem nesse nem em outro planeta existe qualquer sinal de "pequenos homenzinhos verdes" ou de qualquer outro ser inteligente.
Mesmo que até agora não exista a menor prova científica da existência de vida extraterrena, muitos astrônomos – sob o impacto da quantidade enorme de estrelas – acham que a vida, como ela é concebida na terra, também teria de haver surgido em outros lugares. Os cientistas americanos do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence = Busca de Inteligência Extraterrestre) fizeram diversas tentativas para captar sinais do espaço. Tudo foi em vão – eles também não encontraram nenhuma prova de vida extraterrestre.

2. Vida no espaço só seria possível se...

Vida no espaço só seria possível em um planeta cuja superfície suprisse diversas condições. Ele deve ter a distância certa de seu sol para ser aquecido corretamente. Até aqui os astrônomos só acharam uma indicação de possível vida em um planeta em outro sistema solar. Ele orbita em torno da estrela Pégaso de nossa Via Láctea, distante 45 anos-luz de nós. Mas como ela está 20 vezes mais próxima de seu sol do que a terra, a vida lá seria impossível devido ao calor. Ainda é possível que existam planetas não descobertos entre os incontáveis sóis (um número formado por 1 mais 25 zeros). Mas é, no mínimo, improvável que eles atendam as condições que possibilitem a existência de vida. A simples existência de água ou gelo não é evidência clara da eventual existência de outras formas de vida, como foi publicado em muitos jornais, quando se dizia que na lua de Júpiter, chamada "Europa", eventualmente teria sido descoberto gelo.

3. Distâncias intransponíveis até outros planetas

Mesmo aceitando-se que exista vida em algum lugar do espaço, uma visita de extraterrestres à Terra, como as sugeridas pelos relatos de OVNIs, seria impossível na prática. O principal impecilho são as distâncias inimaginavelmente grandes e, com isso, o longo tempo de viagem que se faz necessário. Já a estrela mais próxima da terra, chamada Proxima Centauri, fica a uma distância de 4,3 anos-luz, ou seja, 40.680.000.000.000 quilômetros (40,7 trilhões). Os vôos do projeto Apolo levaram três dias para irem até a Lua, que fica a 384.000 quilômetros de distância. Com a mesma velocidade, seriam necessários 870.000 anos para se chegar a essa estrela vizinha.
Sondas espaciais não-tripuladas poderiam obviamente ser mais rápidas. Se existisse alguma força de impulsão que alcançasse um décimo da velocidade da luz, mesmo assim a viagem levaria 43 anos. Segundo os cálculos aproximados do físico nuclear sueco C.Miliekowsky, seriam necessárias quantidades enormes de energia para a propulsão. Elas equivaleriam à quantidade de energia elétrica consumida atualmente pelo mundo inteiro em um mês. Além disso, as pequenas partículas de poeira que flutuam no espaço representam um problema para as sondas espaciais, pois colidiriam com elas. Átomos de hidrogênio (100.000 por metro cúbico) são os mais freqüentes. E partículas de poeira de silicatos e gelo com 0,1 grama de peso (100.000 por quilômetro cúbico) já poderiam destruir o aparelho. Tudo isso torna uma viagem de eventuais extraterrestres até nós ou de nós até eles praticamente impossível.

II. A Bíblia

1. Em lugar nenhum a Bíblia fala de extraterrestres

Para os cristãos, a Bíblia é a Palavra de Deus revelada. A Bíblia ensina que a vida só é possível através de um ato criador. Mesmo que no espaço existam planetas semelhantes à Terra, lá não existiria vida se o Criador não a tivesse criado. E se Deus o tivesse feito, e essas criaturas nos visitassem algum dia, então Deus não teria nos deixado ignorantes a respeito. Podemos deduzir isso de Isaías 34.16: "Buscai no livro do Senhor, e lede; nenhuma destas criaturas [de Deus] falhará, nem uma nem outra faltará". Além disso, Deus nos informou acerca de detalhes muito exatos do futuro (por exemplo, acerca da volta de Jesus, detalhes acerca do fim deste mundo, como em Mateus 24 ou no livro de Apocalipse). Um dia o Universo será enrolado como um pergaminho envelhecido (Is 34.4; Ap 6.14). Com isso, se Deus tivesse criado seres viventes em outro lugar, Ele automaticamente destruiria a morada deles.

2. A finalidade das estrelas

Um outro raciocínio que leva à mesma conclusão: se conhecemos a finalidade das estrelas, temos em mãos a chave bíblica para respondermos as questãos concernentes aos assim chamados "extraterrestres". O "para quê" das estrelas é mencionado em diversas passagens bíblicas. O conhecido Salmo 19 trata do assunto, mas queremos salientar aqui o relato da criação. Gênesis 1.14-15 diz: "Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez."
As razões de sua existência são muito claras: devem luzir na terra, mostrar o tempo e ser portadoras de sinais. As estrelas são, portanto, orientadas e planejadas para a terra, ou, para ser mais exato, para as pessoas que vivem na terra. Diante desta distribuição de finalidades quando de sua criação, diante da seqüência da criação (no primeiro dia a terra e só no quarto dia os outros planetas) bem como do testemunho bíblico como um todo, pode-se chegar a uma única conclusão: não se pode contar com vida em outros planetas!

III. E os OVNIs?

Após a constatação feita acima, como devemos nos posicionar diante dos fenômenos de discos voadores e diante da euforia e da crença em seres extraterrestres? Li na revista alemã "Focus": "90% das notícias de OVNIs são consideradas disparates, mas um resto de dez por cento é suficiente para o surgimento de muitas especulações." E o sociólogo Gerald Eberlein chega à conclusão: "Pesquisas revelaram que pessoas que não têm vínculos com igrejas mas afirmam ser religiosas, reagem de maneira especialmente forte à possível vida de extraterrestres. Para elas, a ufologia é uma espécie de religião substituta." A Bíblia expressa a mesma constatação num ponto de vista ainda mais profundo, quando menciona causa e conseqüência: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira" (2 Ts 2.9-11).

A Bíblia o diz

Um pensamento complementar para elucidar o fenômeno dos discos voadores: a Bíblia dá uma descrição de todos os seres viventes. O Deus vivo se apresenta a nós como o Deus triúno no Pai, no Filho e no Espírito Santo. No céu existem os anjos, que também servem às pessoas sobre a terra. Eles trazem uma boa mensagem e dão a reconhecer quem os enviou (por ex., Lucas 2.6-16). Suas afirmações são precisas e verificáveis.
Uma mensagem diferente é a do diabo e dos demônios. Efésios 2.2 chama-o de "príncipe da potestade do ar". Seu raio de ação é sobre a terra. O diabo tem seu próprio repertório para seduzir este mundo, sob a forma de variadas práticas ocultas e de milhares de ritos religiosos. Será que não poderia ser que, por trás de todos os fenômenos não identificáveis se encontrassem as obras do enganador? Como os relatos de OVNIs mostram, tudo é muito nebuloso e não identificável. Pessoas que não conhecem a Cristo se deixam fascinar com facilidade por tudo quanto é fenômeno abstrato. Aos cristãos vale o aviso: "Vede que ninguém vos engane!" (Mt 24.4). 
(Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Religião de Alta Tecnologia ou Fé Real? - Por Elwood McQuaid

Religião de Alta Tecnologia ou Fé Real? - Por Elwood McQuaid
Assistir à “celebração” tumultuada dos alunos logo depois da vitória do Campeonato de Basquete da NCAA pela Universidade de Connecticut, em 2014, foi perturbador, para dizer o mínimo. Ver jovens chutando os pára-brisas dos carros de polícia e pondo fogo neles, enquanto as massas se comportavam como vândalos medievais nas ruas, parecia um aviso direto das coisas que estavam por acontecer. O relato de que o distúrbio foi, na verdade, planejado em vez de espontâneo tornou ainda maior a preocupação.
Ainda pior é que o episódio não foi um incidente isolado. Tumultos parecem ser as conseqüências menos evitáveis nestes dias de desordens e quebradeiras logo após competições esportivas e outros acontecimentos que atraem grandes multidões.
Por que tantos desta geração mais privilegiada e afluente desceram ao que pode ser mais bem descrito como neopaganismo? Estes são os jovens que governarão o país um dia – uma perspectiva que não é nada tranqüilizadora.

Conduta desordeira temporária ou caos futuro?

Alguns afirmam que esses jovens desordeiros, como aqueles das gerações que vieram antes deles, superarão suas tendências de ceder aos seus impulsos mais básicos e amadurecerão, tornando-se cidadãos modelares. Mas existe um problema: nossa cultura mudou.
Anteriormente, nossa sociedade estava enraizada na moral, na ética e no comportamento padrão judaico-cristãos. Infelizmente, a norma está em colapso. Forças radicais estão ganhando poder e têm a intenção de “transformar” o mundo em um ambiente anti-Deus que desdenha e rejeita tudo o que dirigiu, limitou e guiou o bom rumo no passado. Tão intensa é esta mentalidade revoltosa, que está travando uma guerra contra tudo o que é cristão.
É lógico que esta situação não é nada nova. Milhares de anos atrás, ela frustrou israelitas piedosos e profetas do Antigo Testamento. Habacuque reclamou:
Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás??Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita.?Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida” (Hc 1.2-4).
Nos dias de Habacuque, o estado de coisas nacional havia virado de cabeça para baixo. Um novo e radical padrão de moral e de “correção política” havia varrido aquilo que tinha feito de Israel uma luz singular entre as nações. Era mudança por amor à mudança – deliberada e agressiva. Mas houve um elemento não previsto na alteração das coisas: o preço inevitável que uma sociedade paga por sua revolução para eliminar Deus.

Religião high-tech

Em qualquer época que as pessoas tentam derrubar Deus da vida nacional, elas encontram um substituto patético para preencher o vazio. Nos dias da Antigüidade, eram ídolos esculpidos por mãos humanas – produtos da invenção do próprio homem. A terra e o ambiente, criaturas, corpos celestiais, ancestrais e o “eu” são algumas de uma lista quase que inesgotável de coisas que as pessoas adoram em vez de Deus. No clima atual, a ciência e a tecnologia estão em voga.
Ninguém duvida que a tecnologia esteja mudando profundamente nosso jeito de viver. Muitos avanços tecnológicos são inquestionavelmente benéficos. Entretanto, existe um lado negativo na paixão pela parafernália eletrônica que está rapidamente se tornando a grande distração desta era. O florescente vício pela ciência e tecnologia, como deuses gêmeos do secularismo revolucionário, está alterando o mundo.
Por exemplo, nossas instituições culturais e educacionais têm consagrado a evolução como fato científico. Aqueles que discordam, independentemente de suas credenciais, são descartados como extremistas e tolos. Na verdade, evolução é fé, não fato. No entanto, ela foi estabelecida como a resposta ungida para a criação do Universo. Aqueles que crêem nela escarnecem da crença em Deus e impõem um ateísmo pseudocientífico às gerações que estão chegando.
Muitos avanços tecnológicos são inquestionavelmente benéficos. Entretanto, existe um lado negativo na paixão pela parafernália eletrônica que está rapidamente se tornando a grande distração desta era.
A conseqüência é um vazio moral, espiritual e social que deixa a humanidade por sua própria conta, sem uma bússola para o direcionamento e para uma conduta regulada. E quando não existe nenhum poder superior reconhecido, todos se tornam um poder em si mesmos, abrindo as portas para conceitos tais com ética situacional, na qual cada indivíduo decide o que é certo e o que é errado de acordo com suas preferências pessoais.
Negar a Deus também altera o que a sociedade julga aceitável. Sem Deus, satisfazer os apetites individuais (não importa quão perversos ou cruéis para os outros) é um comportamento adequado. Uma estatística persuasiva ilustra os extremos do fenômeno: o site www.LiveNews.com reportou o seguinte: “A entidade National Right to Life calcula que houve mais que 56 milhões de abortos desde 1973”, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou a interrupção da gravidez no processo Roe vs. Wade.[1]
Uma mudança calamitosa está ocorrendo. Cada vez mais pessoas estão rejeitando a Deus e à Bíblia e ridicularizando constantemente os cristãos que crêem nas Escrituras. Talvez mais ameaçadoras sejam as estatísticas que indicam que a maioria dos que nasceram entre 1980 e o início do novo milênio (a grosso modo, pessoas entre 15 e 35 anos, que são ávidas por inovações) não freqüentam igrejas nem crêem em Deus. Se esta condição prevalecer, e se tornar um padrão, os resultados serão catastróficos.
A verdade, entretanto, é que, embora a sociedade tente se vacinar contra a fé, ela não consegue remover a realidade de Deus. Suas leis divinamente cunhadas e imutáveis prevalecerão. E embora a reação, a rebelião e as batalhas totais contra Ele estejam na moda, o Senhor do Universo vai fazer as coisas à Sua maneira. Ele já demonstrou este fato repetidas vezes durante os milênios da história da humanidade no planeta Terra.
No final, os esforços da humanidade para excluír Deus são tão fúteis quanto a busca do delirante Dom Quixote, personagem fictício de Miguel de Cervantes, que perdeu seu tempo contendendo com os moinhos de vento, pensando que estes fossem gigantes.
No mundo da verdade, Saulo de Tarso (mais tarde denominado o apóstolo Paulo) percebeu que sua busca por destruir a incipiente Igreja de Deus não resultou em nada; foi como dar chutes contra os aguilhões, como o próprio Cristo lhe disse (At 26.14). Era uma empreitada inútil. O encontro de Paulo, 2.000 anos atrás, com o Salvador ressuscitado, na estrada para Damasco, foi uma antecipação das experiências de milhões e milhões de pessoas que seriam transformadas por meio de um encontro pessoal com Jesus Cristo.

Nunca fora de contato

A Bíblia nunca está fora de moda nem fora do contato com a realidade. Tampouco é um mito ou uma lenda, ou, como alguns a vêem, uma muleta para os fracos e intelectualmente prejudicados. Como disse Paulo: “A palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18).
A Bíblia é a verdade. De fato, ela tem estado muito adiante dos tempos em toda a história. O que a tecnologia consegue realizar hoje cumpre com o que a Bíblia predisse milhares de anos atrás.
Por exemplo, o Livro do Apocalipse afirma, sem equívoco, que duas testemunhas serão assassinadas nas ruas de Jerusalém durante a futura Grande Tribulação, e elas serão vistas em todo o mundo (Ap 11.9). Durante séculos, escarnecedores caçoaram dessa profecia. Dois homens, mortos por três dias, vistos pelo povo do mundo inteiro? “Ridículo!”, diziam eles. A moderna tecnologia já provou que não há nada de ridículo nisto.
Em Apocalipse 13, somos informados que uma imagem será construída com habilidade de falar e maravilhar o povo reunido diante dela (v.15). Como uma imagem feita por mãos de homens poderia proferir ordens e fazer com que multidões se curvassem diante dela em adulação? Para muitos, isso se assemelhava a ficção cientifica. Todavia, a tecnologia tem superado os pessimistas. O desenvolvimento de robôs que fazem tudo, desde vender produtos até esfregar o chão das cozinhas, torna o argumento irrelevante.
Verdade seja dita, muitos desenvolvimentos tecnológicos modernos confirmam, e não repudiam, a exatidão da Bíblia. As Escrituras proféticas, escritas há muito tempo, estão saltando para a vida em nossos dias como testemunhas irrevogáveis dAquele cujos pensamentos são mais altos que os nossos (Is 55.8-9). Sua mão move a história e Seu Livro dá instrução e informação ao homem finito e mortal.
Ignorar a Escritura não é apenas fútil, mas, no final, é fatal. Nossos púlpitos deveriam tornar as Escrituras conhecidas, sem desculpas, nem medo, nem intimidação. Há esperança! E essa esperança jamais será extinta, não importa quão feroz ou determinada seja a oposição. A boa notícia é que nossa esperança não está em fórmulas ou obras da mente ou das mãos, feitas por homens. Nossa esperança está na Pessoa que dá paz sem preço por meio do sacrifício de Seu Filho, Jesus. (Elwood McQuaid — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Nota:

  1. Randy O’Bannon, “56,662,169 Abortions in America Since Roe vs. Wade in 1973” [56.662.169 abortos na América desde o caso Roe vs. Wade, em 1973], ?www.LiveNews.com, 12 de janeiro de 2014, www.lifenews.com/2014/01/12/56662169-abortions-in-america-since-roe-vs-wade-in-1973.

Fonte: http://www.chamada.com.br/mensagens/religiao_tecnologia.html



04 RAZÕES PORQUE UM CRISTÃO NÃO DEVE IR A UM SHOW OU BALADA GOSPEL

Postado em 
http://conscienciacrista.org.br/

No Brasil tornou-se comum parte da igreja de Cristo valorizar e incentivar atividades do tipo baladas e shows gospel. Em virtude disso, resolvi elencar pelo menos quatro razões porque acredito que um cristão não deva ir a um show gospel.
1-) Os que participam de shows e baladas gospel ferem o terceiro mandamento tomando o nome do Senhor em vão. (Êxodo 20:07) O nome de Deus é santo e não deve ser usado com fins de entretenimento.
2-) Shows e baladas gospel não passam de entretenimento religioso e como tal visa a satisfação do homem e não a glória de Deus.
3-) Shows e baladas gospel apesar de serem usados como estruturas de evangelização, promovem um desserviço ao Reino, oferecendo aos incautos a ideia de um cristianismo bonachão, utilitário e antropocêntrico.
4-) Shows e baladas gospel, relativizam o conteúdo do evangelho , diminuindo o conceito de pecado, juízo eterno e salvação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus.
Pense nisso!
Por Renato Vargens
Imagem: Expointer
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