terça-feira, 5 de julho de 2016

Cristianismo Hoje entrevista - Caio Fábio

Depois de vários anos sumido do noticiário nacional, o pastor Caio Fábio D’Araújo Filho voltou às manchetes no fim do ano passado. Réu na ação movida contra ele por conta do episódio conhecido como Dossiê Caimã – conjunto de documentos falsos que, pouco antes da eleição presidencial de 1998, acusava altas figuras do governo de ter contas secretas naquele paraíso fiscal –, Caio foi condenado por uma juíza federal a pouco mais de três anos de reclusão. Cabe recurso, e o pastor já avisou que vai até às últimas instâncias. “A juíza quer aparecer”, ataca, sustentando a mesma versão que conta desde o início do imbróglio: a de que foi envolvido inocentemente numa conspiração política. Essa parte de seu passado, bem como muitas outras, já não são conhecidas pelas novas gerações de crentes. Contudo, os evangélicos mais maduros sabem que Caio foi a mais destacada liderança evangélica já surgida no país, cuja visibilidade, catapultada por uma ação ministerial intensa – como a criação da organização Visão Nacional de Evangelização, a Vinde, e da Fábrica de Esperança, megaprojeto social que atendeu centenas de milhares de carentes num conjunto de favelas do Rio –, marcou época entre os anos 1970 e 90.

Hoje, Caio olha para esse passado com serenidade. Ele diz que não repudia nada do que fez, mas que não quer mais saber de ser a figura pública, aclamada e requisitada de outrora. “Esse tempo acabou definitivamente para mim. Minha alma não tolera mais a possibilidade dessa vida itinerante”, diz, em sua casa em Brasília. Cercado de árvores, jardins e recantos, é dali que ele grava os programas que exibe pela internet, parte importante das atividades do Caminho da Graça, ministério que hoje capitaneia. Tida como uma igreja de perfil alternativo, o grupo reúne-se em várias cidades brasileiras e, segundo Caio Fábio, procura restaurar o sentido da comunhão cristã. “Ele é um movimento conduzido pela Palavra e pelo Espírito Santo. Queremos que  invada a massa, abranja tudo e se torne incontrolável como o vento que sopra onde quer”, diz, com a retórica privilegiada que conquistou milhões de admiradores e fez sucesso em mais de 100 livros publicados. De certas experiências do passado, ele não esconde a dor – como a separação de sua primeira mulher, Alda Fernandes, com quem teve quatro filhos, e a trágica morte de Lukkas, o terceiro deles.  Contudo, embora muito criticado e contestado ao longo desses anos todos, ele assegura, “diante de Deus”, que não sente mágoa de ninguém. Aos 57 anos de idade, casado com Adriana Ribeiro, Caio Fábio D’Araújo Filho se diz em paz. “Eu sou livre. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Hoje, sirvo ao Senhor e não preciso perder o meu ser, a minha saúde, a minha paz, o meu convívio familiar. Isso é graça de Deus para mim!”
 

CRISTIANISMO HOJE – Recentemente, o senhor voltou ao noticiário com a notícia de sua condenação no processo que investiga o episódio do Dossiê Caimã. Como ficou esse processo?

CAIO FÁBIO D’ARAÚJO FILHO – Meu advogado entrou com recurso e eu ganhei. Agora, deve seguir para outra instância. Esse processo é uma loucura inominável. Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que seria o maior prejudicado se a história fosse verdadeira, já veio a público me isentar de qualquer culpa.

Se sua inocência é tão óbvia como diz, por que um assunto praticamente esquecido pela opinião pública foi trazido novamente à tona?

Por iniciativa de uma juíza federal que gosta de aparecer. Como o episódio foi um fato histórico que envolveu até a Presidência da República, ela quis ser a mulher que decretou a prisão do indivíduo que seria o boi de piranha daquele negócio todo. Um grupo de advogados amigos de São Paulo queria até entrar com uma representação contra ela perante os conselhos de Magistratura, porque acharam que ela passou dos limites. Mas o advogado que me representa nos autos não deixou.
A quem interessaria uma condenação sua?

Ah, interessaria a muitos religiosos. O próprio pessoal da imprensa que me ligou disse que isso é uma coisa surreal, que aquela mulher é doida. Ninguém acredita em nada daquilo. Só a Folha de São Paulo é que deu com um destaque maior por uma razão política que eu não vou dizer aqui. E a TV Record [ligada à Igreja Universal do Reino de Deus], por razões óbvias. Estou junto como réu ao lado de Paulo Maluf e Lafayette Coutinho. No entanto, só eu fui condenado! Mas olha, se, por algum motivo totalmente inexplicável, esse negócio chegar ao Superior Tribunal de Justiça, será liquidado lá. E, se por alguma insanidade passar e for ao Supremo, vai morrer na praia.
O senhor trabalha com a hipótese de uma condenação definitiva?

Se, por alguma conjunção cósmica totalmente irracional, eu for mesmo condenado a prestar serviço comunitário ou fazer ação social, eu vou dar um grande “aleluia”, porque estarei sendo condenado a ser eu mesmo, a fazer o que sempre fiz esses anos todos, por minha total iniciativa.

O senhor concebeu e liderou um dos maiores projetos de cunho social de iniciativa de evangélicos já feitos neste país, a Fábrica da Esperança, considerado o maior do gênero na América Latina. Com esta credencial, como o senhor avalia a relativamente pequena atuação da Igreja brasileira na área social, ainda mais evidenciada quando consideramos as altíssimas somas de dinheiro arrecadadas pelos grandes ministérios e denominações?

Não existe nenhum grupo mais ególatra dentre todos os movimentos religiosos planetários do que o movimento evangélico. Isso por causa da semente dele – a semente é má, é de divisão. A semente original, de protesto contra a Igreja Católica, transformou-se numa semente de protesto existencial contra tudo. Essa divisão criou a ênfase no dogma doutrinário. Isso divide, qualquer que seja o desencontro, em qualquer nível na escala de valores. Falta tolerância naquilo que não tem significado para a salvação, no que não altera o DNA do Evangelho. Esse tipo de tolerância no olhar nunca existiu. O que se instituiu foi a prevalência do existencialismo espiritual, e esse não lida com as categorias objetivas de valor. E logo o chamado movimento protestante virou esse guarda-chuva evangélico, sob o qual cabem todas as coisas. Quando é que pode haver unidade e serviço ao próximo se, no meio evangélico a unção para nada serve senão para erigir egos? A unção do Espírito Santo deve redundar no amor, na compaixão, na misericórdia, no serviço – mas a “unção” que vemos aí só tem poder para criar lúciferes com purpurina na cara, que atuam em palcos com luzes.

Em função deste e de vários outros projetos e iniciativas, o senhor levantou muito mais recursos do que o de diversos líderes de hoje, que estão até comprando aviões particulares.  À época, o senhor teve o seu?

Nunca tive avião ou helicóptero. Faz parte da minha filosofia não adquirir nada. Nem esta casa onde vivo eu comprei, ela me foi alugada a um valor simbólico por três senhoras amigas. Eu nunca comprei coisa nenhuma, nunca acreditei em compra de nada. O Caminho da Graça nunca vai comprar nada. Creio que imobilizar dinheiro do povo de Deus com patrimônio físico é pecado. Quem diz que a nossa pátria está nos céus e faz aquisições poderosas ou erige templos salomônicos está pecando contra o espírito do Evangelho. Tudo o que eu construí e mantive era alugado. Passei 25 anos declarando que não tinha o menor compromisso com a manutenção de coisa alguma que virasse um fim em si mesmo. Quando você é dono de propriedades, você acaba vivendo para fazer a manutenção de tudo e as coisas perdem a finalidade.

E o senhor vive de quê?

Sempre vivi exclusivamente do ministério. Todos os direitos autorais dos meus livros e a renda obtida com nossas atividades no passado – TV, rádio, revista, editora – era voltada para a atividade missionária, social, evangelizadora e de treinamento. Era tudo reinvestido naquilo que fazíamos. E continua sendo assim hoje.

Quem o ouve falar percebe que o senhor faz questão de traçar uma linha divisória entre o que é hoje e o que fez, em especial em relação ao seu passado institucional, quando era uma figura pública dentro e fora da Igreja. Há algo que o senhor repudia em seu passado?

Não. Eu nunca rechacei meu passado. Só não faria de novo. Naquela época, contudo, foi necessário. Só de uma coisa me arrependo no meu passado institucional: ter aceitado a imposição de ter sido feito presidente da Associação Evangélica Brasileira [AEVB], pela qual eu mesmo trabalhei muito para ver criada. Eu não queria a função, mas fui eleito por aclamação. Praticamente me obrigaram a aceitar, porque a entidade surgiu com o patrocínio da Vinde. Noventa por cento da AEVB estavam ligados aos ministérios que eu dirigia. Eu não queria e nem precisava presidir a AEVB. Pelo contrário – eu é que dei mídia para ela.
Mas a AEVB não cumpriu um papel importante na época? Afinal, ela esteve à frente de movimentos marcantes dos anos 90, como o Celebrando a Deus como Planeta Terra, o Rio Desarme-se e o Reage Rio, entre outras mobilizações que contaram com o apoio dos evangélicos.

Quando se criou a AEVB, a gente já havia perdido tempo demais discutindo o sexo dos anjos. Já estávamos correndo no vácuo do prejuízo. Esperamos muitos anos num processo lento, de muita conversa infrutífera. A AEVB só surgiu em 1991, depois que o [bispo Edir] Macedo já havia começado a dar as cartas do neopentecostalismo brasileiro. A AEVB foi criada com apoio desse pessoal que agora fundou a Aliança Cristã Evangélica Brasileira e de outros, mas ninguém botava dinheiro, ninguém se mobilizava para fazer nada.

O senhor foi convidado a participar da Aliança?

Não fui convidado, e mesmo se fosse, não iria, porque não acredito mais nisso. Todos esses irmãos queridos que estão lá sabem que eu sempre quis ser livre para dizer o que eu queria.  Esse tipo de iniciativa tinha que ser criada bem antes, lá no início dos anos 1980, quando havia muita gente séria, respeitável, de corações generosos. Isso tinha de ser criado logo depois do Congresso Brasileiro de Evangelização, em 1983, que para mim foi o maior evento representativo da história da Igreja brasileira. Ali ocorreu a grande oportunidade de unidade. As almas ainda estavam ingênuas, puras, sinceras. A teologia da prosperidade não existia por aqui, o que prevalecia era a teologia da missão integral. Havia uma quantidade enorme de pastores piedosos e desejosos de ver o melhor de Deus acontecer neste país. Creio que, àquela altura, ainda dava tempo de a Igreja ter um papel de relevância e significado, Ainda dava para virar as coisas e não perder os significados do termo evangélico.
A sua separação foi um acontecimento público, que envolveu adultério. Naquela época, isso ganhou enorme peso perante a Igreja. No entanto, já àquele tempo diversas denominações já ordenavam pastores divorciados e encaravam a questão de forma liberal. Também são muitos os exemplos de pastores famosos – alguns, líderes de denominações – que se divorciaram em condições semelhantes às suas, mas a repercussão em nada se aproximou do tratamento que lhe foi concedido. Por que o seu caso, até hoje, suscita tanto escândalo? O senhor se considera perseguido?

Eu daria três razões para este tratamento especial e a grande comoção que o episódio causou. Em primeiro lugar, a minha situação para essa moçada toda foi insuportável. Ministerialmente, eu funcionava como uma espécie de foice, rodando em cima de cabeças conceituais. Toda vez que aparecia um maluco – e eu nunca precisei nominar os malucos, apenas expunha seus erros e dizia que o Evangelho era de outro jeito –, essa foice cortava logo aquela cabeça, o cara virava herege. Por isso, todo mundo tinha medo de que minha opinião conceitual colocasse alguém em situação difícil. Eu tenho certeza absoluta da quantidade enorme de gente que torcia por uma fragilidade de minha parte justamente por causa desse papel que eu exercia. E esse não foi um papel que eu pleiteasse ou buscasse; ele aconteceu espontaneamente. Foi Deus que fez isso por sua graça, eu só estava pregando o Evangelho, que, aliás, é o que eu sempre fiz.

Então, o senhor acredita que parte desta liderança que ai está não teria o espaço que tem se não fosse a sua saída do cenário? Seu espólio foi negociado?

Com certeza. Não preciso falar nada. Basta ver até 1998 quem era quem e o que aconteceu de 2000 em diante. Quer ver uma coisa? Logo depois do que aconteceu, diante daquela comoção toda sobre o que tinha acontecido comigo, houve uma reunião de 300 pastores em São Paulo especificamente para tratar sobre quem ia ficar com qual parte do meu despojo, para saber quais eram os espaços que eu havia deixado abertos e quem deveria ocupá-los. E foram milhares que também fizeram isso. Não quero nem falar de traição, porque no meu coração já estão todos perdoados, mas se eu abrisse a boca ninguém ficava em pé.  Esta foi uma razão. Em que pese o fato de que eu cometi um ato pecaminoso de traição e infidelidade, isso está longe de ser a causa principal da grande comoção. Sabe qual foi a causa? Eu ter tomado a iniciativa de contar tudo, ou seja, por minha vontade expor tudo em verdade, sem que qualquer coisa tivesse sido descoberta por ninguém. E eu que ouvia a confissão de tantos deles e sabia de suas fraquezas, das promiscuidades… E, depois, estes mesmos iam à TV bater em mim confiando na minha integridade, pois sabiam que eu não os exporia.

E a terceira razão foi que, naquele momento, eu aproveitei a oportunidade e pulei fora do barco. Este foi o elemento mais doído de todos. A Igreja Presbiteriana me propôs uma discipina como condição para minha restauração. Eu respondi que não estava pleiteando nada, e que estava me desligando da denominação unilateralmente. Eu não queria mais ser parte daquilo. Escrevi três cartas e eles não aceitaram nenhuma.  Pensei: “Meu Deus, isso aí não é a máfia, da qual o camarada só sai morto”! Depois me propuseram dar o tempo que eu julgasse necessário e que, depois, se eu quisesse voltar, seria restaurado e estava tudo certo. Mas eu disse que não queria.

O que passava pela sua cabeça naquele momento. O que o senhor desejava? Para onde queria ir?

Eu queria vir para cá! Queria voltar aos meus 18 anos... Eu nunca quis ser pastor ordenado. Eu sabia quem eu era e que Deus tinha me ungido. Sabia que isso tinha vindo do céu, e que não dependia de ninguém. Foi a Igreja Presbiteriana que disse que não era possível que eu, aos 19 anos, em Manaus,  fosse considerado pastor pela cidade inteira,  pregasse a Palavra sem ser ordenado pastor e sem aceitar ir para ao seminário.

Então a questão crucial foi a rejeição?

Sim. Eles agiram passionalmente. Era como se dissessem: “Nós amávamos esse cara e ele decidiu não ser mais parte do nosso grupo”. E, conquanto eu estivesse fazendo aquilo sem que, na minha mente, quisesse ofender nenhum daqueles irmãos, o que eu não queria era, depois do acontecido, ter de me curvar a nenhum tipo de restauração humana, mentirosa, hipócrita e plástica que queriam me oferecer. Eu sabia que o único a me restaurar era o Senhor. Eu não aceitaria nada que não viesse daquele que me ungiu e sabendo que entrar naquele esquema era vender a minha alma. Então, eles aproveitaram essa minha atitude para vender ao povão a ideia de que eu estava rebelado contra a comunhão dos santos e o amor dos irmãos.

Ao longo dos anos, foram construídos certos mitos a seu respeito e que o rotulam como extremamente liberal e até antibíblico. Um deles é de que o senhor, devido ao que lhe aconteceu, seria um incentivador de divórcios, em especial de pastores. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Isso é uma suposição absurda. Já haviam acontecido milhares de separações de pastores antes da minha. E muita dessa gente vinha me contar os dramas conjugais e chorar as mazelas comigo. Então, é hipocrisia dizer que o que me aconteceu é que abriu as portas para que outros pastores adulterassem ou largassem da mulher. Essa percepção a meu respeito é suscitada pelo diabo na cabeça de muita gente doida. Eu nunca defendi o divórcio. Defendo que continuem casados aqueles que se amam, mas que todos aqueles que se fazem mal, que se machucam, que se ferem e se odeiam, não deveriam estar casados, pelo bem de suas almas. Sempre aconselhei todo mundo a não adulterar, a não trair a mulher. Quando cheguei aqui em Brasília, no meu primeiro ano o que eu mais fiz foi atender pastores e mulheres de pastores que queriam se divorciar e vinham me pedir aconselhamento. Gente de tudo quanto é igreja – batistas, assembleianos, presbiterianos, pentecostais. Na medida do possível, ajudei esse pessoal todo a não se divorciar. Eu dizia a quem me procurava com casos extraconjugais: “Sai dessa, você vai se estrepar com essa amante”. O que Deus uniu, que o homem não separe; e o que Deus não uniu, que não se ajunte, porque vira uma desgraça. O que me aconteceu foi, isso sim, um ato pecaminoso, de traição e de infidelidade. Um pecado diante de Deus e perante a mãe dos meus filhos. Mas o que me aconteceu não teria derrubado nada que já não estivesse demolido. É ridículo dizer que meu caso serviu de legitimação para os atos de quem quer que seja.
Por falar nisso, como é sua relação com Alda Fernandes, sua ex-mulher?

Ela é minha amiga. Passamos o último Natal juntos. Estamos sempre com nossos filhos e netos.
Quando seu filho Lukkas morreu atropelado, em 2004, houve quem atribuísse a tragédia e um juízo de Deus sobre sua vida. O que o senhor sentiu na época e como lida hoje com as pessoas que o criticam?

Só tive coração para a dor e a saudade pela partida do meu filho. Nada do que soube que disseram teve poder de gerar qualquer coisa ruim em mim. O que senti naquele momento foi paz, e se todos os meus filhos morressem, a minha resposta seria a mesma. E tem mais uma coisa – não existe ninguém, nenhum ser humano, que eu não tenha perdoado. Digo isso diante do Deus vivo e dos principados e potestades malignas. Meu coração nunca dormiu com ira em relação a ninguém, eu não tenho ódio nenhum para contar. Não tenho inimizades contra pessoas. Por outro lado, tenho opiniões a dar sobre ideias e conceitos equivocados de quem quer que seja. Não é por causa do fato de eu não ter inimizade pessoal por um indivíduo que vou deixar que a vandalização do Evangelho aconteça sem que eu me una a Paulo na luta comum da defesa do Evangelho, como todo aquele que carrega o temor de Jesus no coração.
Esse seu discurso costuma ser extremamente crítico em relação ao que chama de “igrejas institucionalizadas” e “sistema religioso”. Na sua opinião, as igrejas não têm nada de bom?

Mas é claro que têm coisas boas! Elas têm gente boa, e gente é o que existe de melhor em qualquer lugar. Ministério, para mim, é gente, só é bom se for feito por gente e para gente. Está cheio de gente boa de Deus nas igrejas. Mesmo quando há um pastor paspalhão lá na frente, os bancos estão repletos de gente boa, que sente até pena daquele indivíduo lá na frente, que faz negócios para todos os lados e com quem apareça. Tem gente que suporta o púlpito muito mais para não perder os relacionamentos de comunhão e o convívio de anos com os irmãos. Eles sabem que aqueles caras lá na frente vão passar, as modas vão passar, mas eles vão continuar ali. Existe gente maravilhosa nos ministérios. Veja aquele pessoal da Juvep [Juventude Evangélica da Paraíba, entidade que atua de maneira missionária no sertão nordestino], por exemplo. Eles perseveram há anos na mesma purezinha de alma, na mesma ideia de serviço ao próximo. Há também a Jocum [Jovens com uma Missão, movimento missionário internacional], com seus tantos braços de ação penetrados nos lugares mais distantes, em favelas, em comunidades miseráveis, em bolsões de carência no mundo todo.
O Caminho da Graça é uma espécie de reinvenção da igreja?

Não, ele é simplesmente a sequência de um caminho que eu sempre trilhei. O Caminho da Graça é a expressão de visibilidade de uma coisa subversiva que eu incito. Eu tento fazer com que o Caminho seja apenas, com muita leveza, um elemento de visibilidade mínima da possibilidade de uma comunhão cristã sem que uns mordam e devorem uns aos outros. Por isso, não tenho aquele desejo de fazê-lo crescer, ter expansão numérica simplesmente – quero que o que cresça seja essa coisa que ninguém nomeia, um movimento conduzido pela Palavra e pelo Espírito Santo que invade a massa, abranja tudo e se torne incontrolável como o vento que sopra onde quer.
O senhor diz que o Caminho da Graça é um movimento não institucionalizado, mas recentemente nomeou presbíteros e diáconos para sua sede em Brasília. Isso não vai acabar tornando o ministério como uma das igrejas que o senhor tanto critica?

Nós funcionamos baseados em dons, e não em hierarquias. Nas igrejas convencionais, o diácono é mais do que o membro e o presbítero é mais do que o diácono. Aqui no Caminho, essas funções expressam simplesmente dons de serviço. O presbítero, o mentor, não é um sujeito mais elevado na hierarquia, não tem poderes ou prerrogativas especiais. Ele é simplesmente o cara que surge pela observação dos outros: “Puxa, quanta sabedoria fulano tem recebido e manifestado”. Essas funções surgem por opiniões múltiplas, não existe reunião de concílio ou votação para escolher ninguém. E tem outra coisa: se, algum dia, lá na frente, o Caminho da Graça deixar de ser o que nasceu para ser, é a coisa mais simples do mundo – acaba tudo e começa outra vez. O problema do pessoal é que eles querem se eternizar. Querem que o grão de trigo dure para sempre, mas se o grão não morrer, não há fruto. Eu não quero perenizar nada. Eu só tenho o compromisso de servir à minha geração, não quero deixar nenhum legado, nenhum império. É preciso reconhecer que a vida é cíclica. Eu já acabei com muita coisa que tinha começado no curso da minha vida. E que ninguém duvide que, se eu tiver vida longa e alguma coisa que estou fazendo hoje se corromper lá na frente, eu mesmo vou lá e termino com tudo, não espero, não.
A manutenção do Caminho da Graça e dos ministérios a ele ligados é feita através de dízimos e ofertas?

A gente recolhe ofertas. A espontaneidade da dádiva tem que ser baseada no amor, na alegria de dar. Quem pode dar mais, dá mais; quem pode dar menos, dá menos; e quem não pode dar nada não dá nada, recebe. Paulo ensinou que é justo que aqueles que recebem bens daqueles que lhes ministram os galardoem e ajudem com bens. Mesmo com toda a capacidade que Jesus tinha de multiplicar pães e peixes e de transformar água em vinho, ele era sustentado pelas ofertas práticas e objetivas das mulheres que o serviam e de outras pessoas. O princípio espiritual da doação era operativo na vida e no ensino de Jesus e no Novo Testamento como um todo.

E quanto ao dízimo? Nesta ótica, ele seria antibíblico?

O que as igrejas ensinam é lei, é obrigatoriedade. A Igreja tornou-se uma espécie de agente substitutivo do antigo templo de Jerusalém, uma espécie de “receita federal” de Deus. É uma coletora de impostos. O dízimo é esse imposto, e ainda dizem que quem não pagar vai sofrer as desgraças descritas no capítulo 3 de Malaquias. Como a Igreja não ensina a obediência ao Evangelho como resultado do amor de Cristo constrangendo nosso coração, como Paulo ensina em II Coríntios 5, as pessoas não veem a questão da doação como algo inerente à generosidade.

Se um homossexual assumido quiser frequentar o Caminho nesta condição, como ele será tratado?

Nunca ninguém chegou no Caminho da Graça dizendo para mim que é gay praticante e que quer ficar ali. Mas não sou persecutório e nem homofóbico acerca de nenhum ser humano. Se ele quiser ficar, ouvirá o Evangelho e saberá que esse Evangelho pode criar um espaço de generosidade misericordiosa para ele ouvir a Palavra de Deus e crescer – mas nunca ouvirá uma única palavra de incentivo a qualquer relação sexual que não seja heterossexual.  Se eu fizesse isso, estaria estabelecendo um paradigma que não encontro nenhum precedente para estabelecer.

Logo, ainda que solicitado, o senhor não celebraria um casamento gay?

Eu não faço esse tipo de casamento, até porque a união estável entre homossexuais não é casamento, é uma relação societária, uma empresa limitada. O Estado tem o dever de defender essa relação no que se refere ao respeito à propriedade, aos bens. Se dois gays que construíram uma vida juntos, com aquisição de bens e tudo o mais, resolvem não mais viver em comum, que se divida o que têm, e cada um leva a sua parte. Isso é uma questão de Estado, não tem nada a ver com a Igreja. Mas não estimulo nenhum tipo de união estável, a não ser aquela estabelecida entre homem e mulher que se amem.

Sua maneira de falar e até as roupas que o senhor tem usado provocam muitos comentários. A esta altura da vida, o senhor sente-se livre para dizer e fazer o que quer?

Pelo amor de Deus, você não pode mais ser o que é? Eu me visto desse jeito porque gosto. Eu sou só um carinha que deseja viver. Quem não gosta do meu jeito é livre para viver da maneira que quiser. Eu sou livre como o Evangelho. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Sou como o vento, nascido do Espírito Santo. Quem não suporta minhas declarações, minha sinceridade e a propriedade do que digo que vá dormir com esse barulho.


Fonte: Por Danilo Fernandes
http://joseivanbarbosa.blogspot.com.br/2012/05/cristianismo-hoje-entrevista-caio-fabio.html

domingo, 3 de julho de 2016

RAZÕES PARA OS TEÓLOGOS ME ABOMINAREM!

RAZÕES PARA OS TEÓLOGOS ME ABOMINAREM!

Eis aqui apenas algumas razões simples de minha fé, e pelas quais os teólogos me odeiam hoje em dia; embora tenha sido isto mesmo que eu sempre ensinei, inclusive no tempo em que me "adoravam". rsrsrs. A única coisa que mudou é me divorciei faz quase 16 anos. Então, tudo virou heresia!... rsrsrs
Veja as razões do agravo e da minha apostasia, segundo "eles"...
1. Na Teologia Dogmática tem-se uma Filosofia do Absoluto Divino/Sagrado decido pelo consenso teológico dos Concílios. Ora, eu nunca dei a mínima para isto. Li tudo e todos. Mas sempre li como quem lia Platão, na melhor das hipóteses.
2. Na Teologia Sistemática tem-se o Dogma do Interprete (s) selecionador (es) de textos conforme o dogma adotado e feito Teologia Sistemática pelo Concílio que define a crença de um dado "grupo de crentes" na religião cristã. Ora, para mim isso sempre foi escolha de time por afinidades e conveniências presupostas. Sempre achei tolo [...] e hermeneuticamente condicionador do olhar do interprete. Tolo demais!...
3. Jesus, a Chave Hermeneutica. Sim, é assim que cri desde o início. Sim, pois quando Jesus é a Chave Hermenêutica da nossa interpretação bíblica [tanto do V.T. quanto do N.T.], então, não há um dogma anterior... Os Dogmas passam a ser Exclusivamente os Absolutos Explicitados e Encarnados por Jesus. Também não há uma "sistemática" como "consequência do dogma". conforme faz a religião: define o dogma e então cria a sistemática.
O que há em Jesus para mim [...] é que Ele é o único Definidor do Dogma [sendo que Ele é, de fato, o único dogma; e, Nele, o único dogma é amor]; é o único interprete absoluto do Princípio-Dogma-Amor que Ele encarna.
Ora, é porque Ele encarna a Palavra que é Ele mesmo é que no ato de viver Ele a interpreta!
E mais: em Jesus tem-se também "a seleção das relevâncias" para a vida segundo Deus.
Sim, pois todos os temas do Velho Testamento estavam presentes nos dias de Jesus; e nas jornadas que fazia tais temas apareciam. Ora, os temas que foram "impostos a Jesus como problema", Ele tratou; e os que não lhe foram impostos, mesmo estando presentes na existência à Sua volta, Ele decidiu quais eram e quais não eram relevantes como tópicos.
Portanto, mais do que "textos" em discussão o que Jesus apresenta é o "espírito do Evangelho"; não como uma seleção sistemática de textos, mas como uma definição de significados, princípios e importâncias.
Por exemplo: Ele mesmo escolheu coisas e histórias que deveriam ser parte do Evangelho; e, entre elas, Ele decidiu que a história de uma mulher apaixonada por Deus tinha que constar no Evangelho, e não um monte de maldades humanas praticadas pelos religiosos que abominavam aquele tipo de mulher.
E assim é tudo o mais...
Mas é preciso conhecer o Evangelho para entender o que digo!
Teólogos se asfixiam diante de tais realidades insosfismáveis!
Claro! Tal percepção tira o eixo da discussão da interpretação filosófica ou filológica do texto e nos chama para a prática do amor como escrito da vida no chão do mundo; sim, tudo para o meu bem e do meu próximo; posto que este seja o verdadeiro benefício do Evangelho!

Nele, como amor por Ele em você, meu irmão,

Caio
1 de janeiro de 2014
Lago Norte – Brasília

Conteúdo extraído do blog: http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=06420

SE TIRAR DEUS... NO FIM SÓ RESTA DEUS!...

E TIRAR DEUS... NO FIM SÓ RESTA DEUS!...
Quem escreveu o Eclesiastes na Bíblia disse que usou o critério existencialista a fim de buscar uma mediação entre a percepção e o quer que fosse Realidade na Existência.
De tal Existência ele tirou tudo, inclusive Deus...
Então, dedicou-se ao provar, ao sentir, ao experimentar...; sem culpa, sem medo, sem temor de nada, sem nada acima e sem nada abaixo.
Assim, dedicou-se ao erotismo, ao hedonismo, ao esteticismo, ao produtivismo, às artes, às formas, aos sons, aos sentidos, aos extra-sentidos, à loucura, às "viagens", à alteração de consciência, tanto quanto dedicou-se à política, à vida social, e, sobretudo, à apreciação da relação entre a capacidade humana verificável e o seu resultado prático igualmente mensurável nas expressões sociais em geral. Ou seja: a relação entre competência e quem se dá bem e quem se dá mal na vida, conforme os critérios sociais aceitos ou estabelecidos.
No fim ele conclui que o olhar seco para a existência deixa o observador nauseado na falta de significado e na certeza das repetições dos mesmos absurdos... num ciclo sem fim... mas sempre tão óbvio quanto igualmente sedutor.
É só então que ele conclui que nesta existência não há muito a aproveitar com um mínimo de tolice. A maior parte das coisas são vaidade louca e surtada... e, as demais, são vaidades piedosas e eticamente dissimuladas.
O que nos salva da náusea nesse olhar horizontal imediato é o temor/reverência/sentido/absoluto/de/ser/na/existência cônscia de Deus, e que da existência chama vida o que cabe entre beijos, abraços, alimentos, bebidas, carinhos, alegrias e reverencias para com os vivos, pois, tudo o mais, em si, já é tolice de tolices, bobagem de bobagens, é correr atrás do vento...

Caio
30/06/13
DF

PROBLEMAS NA IGREJA E A NECESSIDADE DE UMA PSICOLOGIA CRISTÃ


A atuação da Igreja tem sido voltada durante centenas de anos para a evangelização e missão entre os povos. Não está errado esse modo de ver a ação daquela que é a agente e porta-voz do Reino. Em uma nação considerada evangelizada, cuja igreja consegue andar com seus próprios pés, sem a ajuda missionária, ou seja, passada aquela fase de estruturação em bases sólidas, a igreja tende a cuidar de seus próprios problemas e enviar missionários. Esse novo período abre os olhos da igreja para os problemas espirituais e sociais ao seu redor e abre espaço para uma crítica social: É válido ganharmos o mundo e perdermos os nossos filhos? Li em um livro que Luis Palau, depois de pregar em uma prisão, veio uma multidão tão grande de homens à frente que, em menos de uma hora, deparou-se com um novo problema: o nascimento de uma igreja enorme. O pregador começou a chorar e a perguntar-se: “E agora, quem cuidará dessas almas?”.

A igreja brasileira cresceu antes do tempo previsto e os líderes não se deram conta de seu crescimento, tendo hoje um problema estrutural. Basta ver os templos das Assembleias de Deus ontem e hoje. Ontem, templos pequenos, para 200 pessoas no máximo, com dois banheiros e uma salinha para secretaria e tesouraria. Mais tarde, não tendo mais para onde crescerem, inventaram as galerias. Ainda não haviam salas para Escola Dominical, aconselhamento, berçário, fraldário, estacionamento, etc. Assim como não nos preparamos para essa realidade, igualmente não nos preparamos para o crescimento vertiginoso que o movimento evangélico está experimentando no Brasil. Hoje os templos são construídos para milhares, estacionamentos amplos, com salas para todos os departamentos, inclusive escolas teológicas, o que era visto com maus olhos, principalmente no meio pentecostal.

Embora nossos pastores estejam fazendo o melhor para suas comunidades no que diz respeito às acomodações, estamos diante de um problema talvez ainda maior. Os divórcios, os relacionamentos e a saúde psíquica dos membros de nossas igrejas são de causar espanto! Nunca se viu tantos casamentos desfeitos, lares desestruturados, crentes estressados, carregados de ansiedade, hipertensos, com síndrome de pânico, transtorno bipolar, depressão e problemas cardíacos. A correria de nosso tempo, as angústias e frustrações por não terem alcançado seus objetivos na vida, tem levado muitos crentes aos tribunais, às terapias de casais, às clínicas psicológicas e psiquiátricas como nunca.

Precisamos acordar para os benefícios trazidos pela Psicologia para a realidade das igrejas. Não que deva substituir a ministração da Palavra nos cultos e nas reuniões terapêuticas, não é isso! Não é desprezar o dom de Deus, a consolação do Espírito, as clínicas que já existem nas igrejas, as formas de aconselhamento e terapia ou os núcleos de reabilitação familiar, mas ousar e antecipar-se aos fatos, fazendo com que os pastores das igrejas atuem ao lado de pastores-psicólogos e estes últimos tenham espaço em nossas atividades pastorais para resgatar a auto-estima do povo de Deus, aplicando não puramente princípios freudianos ou junguianos, mas bíblicos: cristológicos, paulinos ou aqueles encontrados nos livros sapienciais e nos profetas.

Ouvi por esses dias um sermão interessante: “Correr Menos e Confiar Mais”. Muitos cristãos perdem tempo e se desgastam com coisas frívolas, e correm tanto como se fossem salvar o mundo e colocar todas as coisas em ordem – não vão! Quantos pastores estressados hoje porque deram mais de suas vidas para as igrejas que pastorearam e menos para si e para sua família; deram-se além dos limites humanos e hoje sofrem angústias, andam depressivos e confessam: “Se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria, mas de outro modo, de um modo mais inteligente: valorizaria mais a vida, a família, as pessoas e menos as instituições”.

Temos tempo para consertar tudo isso, se encararmos o problema de frente e investirmos mais no aconselhamento na área familiar e criarmos uma clínica pastoral, inclusive para o pastor e sua família; se investirmos mais na área bíblica-psicológica; se considerarmos mais os relacionamentos frente ao individualismo e a concorrência, inclusive dentro das igrejas; se apreciarmos mais as pessoas que as coisas e mais a família que os projetos humanos; se olharmos as aves dos céus e os lírios do campo (Mt. 6.25-34) e fugirmos da correria da modernidade; se frequentarmos e descansarmos mais no divã de Deus; se valorizarmos mais os indivíduos que as construções de concreto; se preferirmos o amor ao próximo à frieza dos códigos estabelecidos e perpetuados pelo tempo (Mt. 23.4). Falamos muito sobre doenças psicossomáticas em nossos púlpitos, somos dados a interpretar sonhos, mas temos medo de aprofundarmos a questão e perdermos o carisma, porém se entendemos biblicamente que o homem é pneuma, e psiquê, e soma (I Tss. 5.23), devemos ajudar e procurar salvar (curar) o homem todo.

Creio que todo cristão está justificado posicionalmente em Cristo (Rm. 5.1,2; II Co. 5.17), que será salvo todo aquele que invocar o nome do Senhor (Rm. 10.13) se permanecer até o fim (Rm.11.20,21). Mas, também creio que Deus quer salvar e curar almas com um passado trágico (Jo. 4), desesperadas, beirando o suicídio (At. 16.27-31). Podemos levá-las à sanidade, ao equilíbrio e vida plena, pela Palavra e pelo Espírito, com a ajuda de todas as ciências que Deus disponibilizou para o nosso bem estar para viverem em abundância de vida (Jo. 10.10). Nada melhor que aproveitarmos o tempo da expansão da Igreja para cuidarmos melhor de nossos filhos na fé. Temos espaço físico e aparelhos para fazê-lo, basta despertarmos para essa nova realidade. 

Acabei de receber um email de uma moça que se afastou da igreja e em uma relação com o namorado, engravidou. Com medo do que pudesse acontecer no futuro, abortou e hoje não dorme direito com a consciência em crise, com pesadelos, com choro contínuo e depressão, pois sabe que cometeu um assassinato, posto que conhecia a verdade. Com medo do futuro, tomou uma decisão errada e hoje o passado a atormenta. E agora?! Alguém dirá: “Vamos orar!”. Perdoem-me se pareço descrente do poder da oração, porém a Bíblia diz que “a oração de um justo pode muito em seus efeitos” - mas não que pode tudoEssa irmã precisa mais que oração, precisa de acompanhamento psicológico, de abraço, de afeto, de carinho, de ajuda médica, caso contrário será o próximo caso de depressão profunda a dar entrada nas estatísticas das clínicas psiquiátricas ou mais um caso de cristão suicida.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus! 
Deus abençoe a todos.


Conteúdo estraido do blog do Pastor Guedes
http://pastorguedes.blogspot.com.br/2016/02/problemas-na-igreja-e-necessidade-de.html

Considerações preliminares sobre Ética Cristã


I – CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE ÉTICA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos
1 – Definindo os termos: Ética e Ética Cristã

            Comecemos com definições de Ética:

            Elinaldo Renovato de Lima, em seu livro “Ética Cristã: Confrontando as questões morais de nosso tempo”, define Ética da seguinte maneira:

“A palavra ética vem do grego, ethos, que significa costume, disposição, hábito. No latim, vem de mos (mores), com o sentido de vontade, costume, uso, regra. [..] A Ética integra os seis sistemas tradicionais da Filosofia, ao lado da Política, da Lógica, da Gnosiologia, da Estética e da Metafísica.”[1].

            Por sua vez, Alderi Souza de Matos, em seu artigo “As bases bíblicas da Ética Cristã”, postado no site da Mackenzie, apresenta o seguinte conceito de Ética:

“A palavra “ética” vem do grego ethos e se refere aos costumes ou práticas que são aprovados por uma cultura. A ética é a ciência da moral ou dos valores e tem a ver com as normas sob as quais o indivíduo e a sociedade vivem. Essas normas podem variar grandemente de uma cultura para outra e dependem da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento.”.[2]

            No Livro “Filosofia e Cosmovisão Cristã” J. P. Moreland e William Lane Craig, ao falar sobre uma definição para Ética, nos apresenta o seguinte:

“A ética pode ser entendida como o estudo filosófico da moralidade, a qual se ocupa com nossas crenças e avaliações sobre motivação, atitude, caráter e conduta, e se isto está certo ou errado. Quando um eticista estuda a moralidade, certos conceitos de valor estão em foco: “certo”, “errado”, “bom”, “mau”, “dever”, “obrigação”, “virtuoso”, “censurável” e assim por diante”.[3]

            O ”Compêndio de Filosofia”, organizado por Nicholas Bunnin e Tsui-James, traz um capítulo inteiro tratando sobre Ética, e nele conceitua Ética da maneira como transcrevemos a seguir:

“A ética examina a natureza dos valores morais e a possibilidade de justificar seu uso na apreciação e na orientação de nossas ações, nossa vida e nossas instituições comuns. De maneiras radicalmente diferentes, os filósofos, de Sócrates a Wittgenstein, descobriram na ética uma fonte de profundidade reflexiva filosófica. As virtudes, os princípios e as consequências para o bem estar humano foram propostos como foco mais importante da compreensão ética.”[4].

            Todos os conceitos acima tratam de explicar o que é Ética em seu contexto mais abrangente. É claro que as definições que colocamos aqui estão resumidas, pois sabemos que as obras supracitadas são mais abrangentes no propósito de explicitar o que vem a ser essa disciplina chamada Ética, que é uma ciência normativa que permeia todos os aspectos de nossas vidas, pois, queiramos ou não, todos os dias nos deparamos com julgamentos éticos.

            Agora vejamos a definição para Ética Cristã:

            Comecemos com a explicação de Alderi Souza de Matos sobre Ética Cristã.

“A ética cristã tem elementos distintivos em relação a outros sistemas. O teólogo Emil Brunner declarou que a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina. Os fundamentos da ética cristã encontram-se nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, entendidas como a revelação especial de Deus aos seres humanos.”[5]

            Elinaldo Renovato entende Ética Cristã da seguinte maneira:

“Pode ser entendida como um conjunto de regras de conduta, aceitas pelos cristãos, tendo por fundamento a Palavra de Deus. [...] o certo e o errado devem ter como base a Bíblia Sagrada, considerada como regra de fé e prática”[6].

            Encontramos no site da Mackenzie, um artigo sobre “Os valores da ética”, o qual traz o seguinte entendimento de Ética Cristã:

“A ética cristã, portanto, é o conjunto de valores morais baseados nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo.”[7]

            Anda dentro das definições preliminares da Ética Cristã, recorremos à formulação que Werner Wiese apresenta sobre Ética Cristã:

“A ética cristã se preocupa com as mesmas questões que a ética social: a preservação da vida, a postura do ser humano diante das leis que regem os Estados, etc. Contudo, a ética cristã (que é para os cristãos) vai além, pois olha para a criação e a sociedade a partir dos valores bíblico-teológicos, procurando colocar esse saber em prática no dia a dia. O crente em Jesus Cristo, como o ser humano que tem dupla cidadania, tem dupla tarefa: conservar e “salvar” a criação!”[8]

2 – A Importância e os valores da Ética Cristã

            Conforme argumenta Alderi Souza de Matos:

“A ética é importante para a vida diária do cristão. A cada momento precisamos tomar decisões que afetam a outros e a nós mesmos. A ética cristã ajuda as pessoas a encarar seus valores e deveres de uma perspectiva correta, a perspectiva de Deus. Ela mostra ao ser humano o quanto está distante dos alvos de Deus para a sua vida, mas o ajuda a progredir em direção esse ideal.”[9].

            Jorge Max da Silva, tratando sobre “A centralidade da ética na vida cristã”, assim expressa:

“Há em nosso país um verdadeiro clamor pela ética, e as mais diversas campanhas lideradas por inúmeras instituições revelam o ponto de saturação a qual a sociedade chegou, principalmente em relação à corrupção em todas as áreas e esferas dos três poderes que dirigem o Estado e a nação brasileira. No entanto é notório que os mesmos cidadãos e a mesma sociedade que reivindicam valores morais dignos para o uso do poder, em suas vidas particulares também não abrem mão da convicção de que os fins justificam os meios. Isso significa que o dia a dia da vida revela que a mentira, a trapaça, a traição, a ganância, etc. estão incrustadas no caráter e conduta dos homens, desmoralizando assim muitos dos que levantam a bandeira da moral e da ética nas instâncias superiores, onde não podem locupletar-se, pois, se pudessem, fariam exatamente o mesmo. [...] Diante do caos moral no qual nossa sociedade e instituições estão mergulhadas, a igreja de Jesus Cristo deveria ser vista como a única moral e eticamente capaz de cumprir o papel profético de denúncia do pecado e de evangelização da nação. [...] Sem boa doutrina não há boa moral. É preciso resgatar o padrão bíblico que une teologia e ética, doutrina e moral, fé e conduta, pois o que Deus uniu o homem jamais deve separar. [...] É mais do que urgente mostrar que somente a sã doutrina, aquela que é de fato salutar, pode produzir uma vida cristã moralmente sadia e digna do Senhor. Logo, enfatizar a doutrina e suas implicações morais é dever de todos aqueles que ministram a Palavra de Deus ao Seu povo”.[10].

            A Ética Cristã é de grande importância e deve estar, perfeitamente, relacionada à doutrina bíblica. Ética Cristã é sinônimo de vida cristã, sendo assim, a dobradinha doutrina e vida cristã é de grande importância.

3 – Diferença entre Ética e Moral

            Ética e Moral são palavras que, na atualidade, são usadas de maneira intercambiáveis, ou seja, as pessoas acabam trocando uma pela outra. R. C. Sproul, em seu livro “Como devo viver neste mundo”, nos traz uma iluminação sobre o assunto. Vejamos o que ele escreve:

O fato de que as duas palavras se tornaram quase sinônimos é um sinal da confusão que permeia o cenário ético moderno. Historicamente, as duas palavras tinham significados bem distintos. Ética vem do termo grego ethos, derivado de uma raiz que significa “estábulo”. E transmitia o sentido de um lugar de habitação, um lugar de estabilidade e permanência. Por outro lado. moralidade vem da palavra mores, que descreve padrões comportamentais de uma sociedade.[11]

            Segundo Sproul, Ética e Moral são duas ciências diferentes. Vejamos como ele continua explanando as diferenças entre ambas:

Ética é uma ciência normativa, que investiga os principais fundamentos que prescrevem obrigações ou “deveres”. Ela se preocupa primariamente com o imperativo e as premissas filosóficas nas quais os imperativos se alicerçam. Moralidade é uma ciência descritiva, que se preocupa com “o que alguém é”. A ética define o que as pessoas devem fazer. A moral descreve o que as pessoas realmente fazem.[12]

            Fica bem definido nas palavras de Sproul que “a ética define o que as pessoas devem fazer. A moral descreve o que as pessoas realmente fazem”.


[1] LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. p.7.
[2] MATOS, Alderi Souza de. As bases Bíblicas da Ética Cristã. in:http://www.mackenzie.br/7153.html, acesso em 15/02/2016.
[3] MORELAND, J. P. CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova. 2012. p.483.
[4] BUNNIN, Nicholas. TSUI-JAMES, E. P. (org.) Compêndio de Filosofia. São Paulo: Loyola. 2002. p.197.
[5]  MATOS, Alderi Souza de. As bases Bíblicas da Ética Cristã. in:http://www.mackenzie.br/7153.html, acesso em 15/02/2016.
[6] LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. p.7.
[7] Os Valores da Ética. Encontrado em http://www.mackenzie.br/valores_etica.html, acesso em 15/02/2016.
[8] WIESE, Werner. Ética fundamental: critérios para crer e agir. São Bento do Sul: União Cristã. 2008. p.29.
[9] MATOS, Alderi Souza de. As bases Bíblicas da Ética Cristã. in:http://www.mackenzie.br/7153.html, acesso em 15/02/2016.
[10]  FERREIRA, Franklin. (editor) A Glória da Graça de Deus. São José dos Campos: Fiel. 2012. 563-565.
[11]  SPROUL, R. C. Como Devo Viver Neste Mundo? São José dos Campos: FIEL. 2012. p.11-12.
[12]  SPROUL, R. C. Como Devo Viver Neste Mundo? São José dos Campos: FIEL. 2012. p.12.


Conteúdo extraído do Blog do Pastor Gilson Soares
http://pastorgilsonsoares.blogspot.com.br/